Um, dois, três, 12. Lito Vidigal, 13. A troca de Júlio Velázquez por Lito Vidigal a quatro jornadas de uma Primeira Liga que será sempre diferente de todas as outras mostrava na teoria uma situação de win-win: o clube poderia dar uma “sacudidela” na equipa para travar a série consecutiva de triunfos que se arrasta desde 26 de janeiro para o Campeonato e desde 14 de dezembro apenas a contar com as partidas no Bonfim, o treinador voltava ao ativo após a saída do Boavista para ajudar uma instituição por onde já passou e pela qual nutre um carinho especial como confidenciou em 2018. No entanto, faltou o win mais importante: o da vitória, aquela que vale três pontos. E a margem de erro para conseguir esse objetivo para ficar a salvo da descida de divisão começava a ser nula.

“Estamos há muito tempo sem vencer mas como diz o povo ‘Não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe’. E esperemos que este mal termine. É um jogo importante para nós, em casa. O Vitória é um clube de massas e, se não fosse esta pandemia, ter adeptos no estádio faria uma diferença tremenda. Apesar disso, os jogadores precisam de sentir os adeptos. Os vitorianos gostam do Vitória, são presentes, e isso também nos limita um pouco. Não estando presentes, espero que o estejam emocionalmente e transmitam uma energia positiva aos jogadores para que depois eles possam colocar em campo”, começou por destacar Lito Vidigal na projeção da receção ao Famalicão, o primeiro encontro como visitado depois da estreia com uma derrota na Vila das Aves.

“O Famalicão é uma equipa forte, das boas equipas do Campeonato, está numa posição tranquila e pode alcançar objetivos também. Respeitamo-los mas primeiro olhamos para nós e percebemos como podemos combatê-los: com muita organização, trabalho, coração e inteligência, porque nesta altura o aspeto emocional é muito importante também. Sempre lhes disse que só todos juntos poderemos sair desta situação e alcançar o objetivo. Temos de estar todos juntos nesta fase, jogadores, equipa técnica, staff, direção, massa adepta vitoriana, cidade… Neste momento, só com todos a pensar no mesmo sentido e a remar para o mesmo lado conseguiremos lá chegar”, destacou.

E numa fase em que não há adversários bons, este dificilmente poderia ser pior: apesar da derrota caseira com o Portimonense, o Famalicão prolongou a boa campanha no Campeonato depois da paragem, ganhando ao FC Porto e empatando na última jornada com o Benfica. Contas feitas, e com o quarto lugar já como uma miragem, a equipa de João Pedro Sousa entrava nesta fase a apenas um ponto do Rio Ave na luta por um histórico quinto lugar que selaria da melhor forma uma temporada de regresso ao primeiro escalão onde chegou a estar na liderança. “A nossa palavra é lutar pela vitória nos jogos e pelo menos pelo lugar em que estamos ou tentar subir mais uma posição. Estamos numa luta para a qual não fomos convidados mas estamos nela com muito orgulho, com equipas muito competentes. Estamos nesta luta, com muita vontade de estar e com muita ambição”, salientou o técnico.

No final, e mesmo sem esse convite para uma festa que costuma esta reservada para outras equipas, o Fama Show acabou mais um programa vespertino a horas tardias (e pensar que esta jornada vai ter dois jogos que não são às 21h15 mas sim às 21h30…) com uma grande audiência europeia certificada pela subida ao quinto lugar, depois do nulo do Rio Ave frente ao Marítimo, na Madeira. Tem um bom treinador, tem uma estrutura bem montada, tem um plantel com individualidades muito interessantes mas que pensam sobretudo o jogo à luz de uma ideia coletiva, tem mentalidade vencedora – um exemplo prático: só uma equipa assim poderia sofrer o empate frente ao FC Porto, saber que o adversário estava em cima e por cima mas mesmo assim ganhar o jogo poucos minutos depois.

Do outro lado, a seca do conjunto do Bonfim prolongou-se. A equipa voltou a dar sinais de uma maior capacidade de chegar ao último terço com qualidade, teve os principais artistas no meio-campo, Carlinhos e Éber Bessa, mais em jogo, ganhou mais coração e nervo em campo do que às vezes tinha vindo a demonstrar. No entanto, o resultado acabou por ser o mesmo, podendo deixar o Portimonense colado caso os algarvios ganhem nesta ronda ao Boavista. O próximo encontro, em Alvalade, não será o ideal para a retoma dos resultados mas, como diz Lito Vidigal, “não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe”. E a última jornada com o Belenenses SAD poderá tornar-se uma autêntica final decisiva para aguentar uma equipa que parecia ter a permanência controlada.

Regressada à equipa depois da ausência contra o Benfica, a dupla Diogo Gonçalves-Toni Martínez não demorou a fazer a diferença e fabricar o primeiro golo do encontro, iniciado numa movimentação no corredor central com o espanhol a assistir o ala formado nos encarnados para o remate cruzado sem hipóteses para Makaridze (15′). Jubal, num lance acrobático na área, conseguiu fazer o empate pouco depois (24′), abrindo um jogo que manteve o equilíbrio até ao intervalo, mas os sadinos já tinham entretanto recebido a má notícia da lesão de Guedes, que deixou a equipa sem referência ofensiva para concretizar os (poucos) lances ofensivos que ia conseguindo criar.

No segundo tempo, Rosic ainda teve uma tentativa à baliza de Makaridze mas foi sobretudo o V. Setúbal e o seu novo “coração” na intensidade e na vontade que coloca em campo a sobressair, com um golo anulado a Berto e mais algumas jogadas que poderiam ter outra conclusão caso não faltasse aquela unidade ofensiva com os movimentos para concluir como Guedes. A virtude do “dar tudo” acabou por ser o maior pecado para os visitados, que foram apanhados numa transição rápida em desvantagem e viram Diogo Gonçalves bisar na partida e fazer o 2-1 que sentenciou o encontro aos 89′, num castigo pesado para aquilo que os sadinos fizeram mas que se transformou também num prémio para os famalicenses pela forma como nunca perderam o sentido de baliza.