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Paulo Sérgio pediu fé mas não foi suficiente e o Portimonense desceu mesmo à Segunda (a crónica do Portimonense-Desp. Aves) /premium

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O Portimonense ganhou (2-0), o V. Setúbal e o Tondela também: contas feitas e os algarvios não escaparam à descida, depois de dois anos na Primeira Liga e apesar de uma retoma notável de Paulo Sérgio.

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Os algarvios abriram o marcador já no segundo tempo, na sequência de uma bola parada

LUSA

Os algarvios abriram o marcador já no segundo tempo, na sequência de uma bola parada

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O campeão nacional já estava encontrado, a corrida pelo terceiro e o quarto lugares estava arrumada, a última vaga de acesso às competições europeias estava entregue. No último dia da temporada mais atípica do futebol português, um domingo quente de julho, a única decisão que faltava fechar era a equipa que descia à Segunda Liga e as que conseguiam fugir à despromoção. E nesse capítulo, com o Desp. Aves já confirmado enquanto último classificado, eram Tondela, V. Setúbal e Portimonense a lutar para escapar à penúltima posição da tabela.

As contas, ainda assim, acabavam por ser simples. O Tondela, que jogava com o Moreirense, garantia a permanência a ganhar, a empatar ou até a perder, isto se V. Setúbal e Portimonense não vencessem os respetivos jogos; o V. Setúbal escapava à descida a ganhar ao Belenenses SAD, a empatar se o Portimonense não vencesse e até a perder, se também os algarvios perdessem; e o Portimonense, por fim, só assegurava a manutenção a ganhar e com os sadinos sem vencer ou o Tondela a perder. Ou seja, e resumindo, só o Portimonense não dependia apenas de si próprio para evitar a despromoção — mas primeiro e para poder esperar por pelo menos um dos outros resultados, tinha de vencer o Desp. Aves no Algarve.

E foi precisamente isso que Paulo Sérgio, treinador que substituiu António Folha em fevereiro no comando dos algarvios, explicou na antevisão da partida. “Temos de nos focar naquilo que depende de nós, o jogo com o Desp. Aves, e ter muita fé que há de haver um resultado que nos favoreça, porque os profissionais do Portimonense merecem ficar na Liga. É um facto que fizemos uma recuperação fantástica e falta colocar a cereja no topo do bolo, falta garantir a manutenção”, explicou o técnico, que teve ainda tempo para comentar a situação dos avenses. A equipa orientada por Nuno Manta Santos viajou para Portimão num autocarro cedido pela autarquia da Vila das Aves e depois de uma semana em que o clube viu o próprio veículo rebocado e outros bens arrestados mas encontrou dezenas de adeptos à espera no recinto do Municipal de Portimão — e que foram audíveis durante o minuto inicial arrepiante que os jogadores repetiram, sem se deslocarem depois do apito do árbitro, em protesto contra a situação sócio-económica do Desp. Aves que já provocou mais de dez rescisões e meses de salários em atraso.

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“Estas situações difíceis unem os grupos e eu não espero facilidades, de forma alguma. Quem pensar que vai ser fácil defrontar o Desp. Aves, está perfeitamente enganado: há ali rapazes com talento e um treinador que sabe o que faz. Era importante olhar para esse lado [salários em atraso], para essas pessoas que têm famílias e responsabilidades e era importante arranjar soluções também para isso. Além da importância da continuidade do Desp. Aves, uma instituição com 90 anos no futebol português, que passando por um momento difícil reerguer-se-á, os profissionais têm estado a sofrer esta situação na pele”, terminou Paulo Sérgio, que este domingo podia tornar-se o grande obreiro do milagre do Portimonense, que no início da retoma estava enterrada na zona de despromoção a seis pontos da primeira equipa acima da linha de água.

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Os algarvios entravam em campo com Bruno Costa e Jackson Martínez no onze inicial, enquanto que Lucas Fernandes e Ricardo Vaz Tê começavam no banco. Numa primeira parte morna e jogada praticamente sem balizas, com o jogo muito dividido na zona do meio-campo e o Portimonense a demonstrar pouco para uma equipa que tinha 90 minutos para evitar a despromoção, a equipa de Paulo Sérgio não deixou de criar a melhor e única oportunidade de golo. Tabata cruzou a partir da direita e Dener, a descair ao segundo poste, cabeceou ao lado (17′). À exceção da ocasião do avançado, poucas aproximações existiram às duas balizas: os algarvios dominaram de forma geral, com mais bola e a primeira fase de construção muito subida, mas tinham pouca profundidade e eram sempre previsíveis, abrindo até a porta a algumas tentativas de subida do Desp. Aves depois de recuperações de bola.

Na ida para o intervalo e com o nulo ainda no marcador, as piores notícias vinham do Bonfim e de Moreira de Cónegos — tanto V. Setúbal como Tondela estavam a vencer Belenenses SAD e Moreirense, respetivamente, e com esses resultados o Portimonense estava virtualmente despromovido à Segunda Liga. Na segunda parte, Paulo Sérgio tirou Fali Candé para lançar Vaz Tê e ganhar mais presença no último terço adversário. Bruno Tabata protagonizou a primeira oportunidade do segundo tempo, com um remate forte já dentro da grande área que Sheytanov defendeu (52′), mas o golo ficou reservado para Willyan. Canto batido na esquerda e o central apareceu em zona central, completamente livre de marcação, a cabecear para abrir o marcador (62′). Ainda assim, e apesar da esperança renovada, os outros dois jogos continuavam a não colaborar: tanto V. Setúbal como Tondela ainda ganhavam.

Ainda antes do golo, Paulo Sérgio já tinha colocado Lucas Fernandes e Anderson em campo e o jogo parecia assemelhar-se àquilo que tinha sido a maioria da primeira parte: o Portimonense tinha mais bola e maior controlo mas não estava a realizar uma grande exibição e permitia espaço ao Desp. Aves. Vaz Tê ficou muito perto de aumentar a vantagem, com um remate ao lado depois de mais uma jogada de Tabata na esquerda (73′), mas acabou por ser Dener a fazer o segundo golo, também de cabeça e também na sequência de um canto (89′). O Tondela ganhou em Moreira de Cónegos com duas grandes penalidades (1-2) e o V. Setúbal bateu o Belenenses SAD (2-0). Contas feitas e, apesar da vitória, o Portimonense terminou a temporada em penúltimo, a um ponto do V. Setúbal, e está despromovido à Segunda Liga depois de dois anos seguidos no principal escalão do futebol português.

O Portimonense ganhou, fez tudo o que podia e só foi traído pelos resultados que não controlava. Para a história, mais do que o sacrifício de Jackson, a qualidade de Lucas Fernandes e as oportunidades criadas por Bruno Tabata, fica o trabalho de Paulo Sérgio: que chegou em fevereiro, começou uma retoma seis pontos atrás da linha de água, ganhou seis dos dez jogos disputados, perdeu três e empatou um. Pediu fé mas não chegou. E num dia quente de julho, no último domingo da Liga 2019/20, o Portimonense despediu-se da alta roda do futebol nacional.

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