O arquiteto portuense Álvaro Siza Vieira vai receber o Prémio Nacional de Arquitetura espanhol, que lhe foi atribuído em 2019, sendo o primeiro e único português a ter este galardão. A cerimónia decorre esta sexta-feira, no Palácio de Zurbano em Madrid, a partir de onde vai ser transmitida por videoconferência.

Com quase 90 anos, Siza Vieira é doente de risco e por isso participará a partir da sua casa, em Matosinhos. Quem também se junta à reunião à distância é o primeiro-ministro português António Costa, que reforçará a natureza ibérica do encontro.

Este prémio, no valor de 60 mil euros, é atribuído a quem contribuiu “de forma extraordinária para o enriquecimento de aspetos sociais, tecnológicos e sustentáveis da arquitetura e urbanismo espanhol, dentro e fora das nossas fronteiras”, diz Iñaqui Carnicero, diretor geral da Agenda Urbana no Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana (Mitma) ao jornal espanhol El País.

Em Espanha, é possível encontrar várias obras do arquiteto português, espalhadas um pouco por todo o território: a Faculdade de Ciências da Comunicação, o Centro Galego de Arte Contemporânea e o Parque de São Domingues de Bonaval em Santiago de Compostela, o Centro Desportivo Llobregat e o Centro Meteorológico da Villa Olímpica em Barcelona, o edifício Zaida de Granada e o Paraninfo da Universidade do País Basco são apenas alguns dos exemplos.

O anúncio de Siza Vieira ser o recipiente deste prémio foi uma decisão que surpreendeu alguns por “não premiar um profissional nascido” em Espanha, escreve o El País. No entanto, explica, a sua extensa carreira e qualidade da sua obra fizeram do arquiteto “merecedor” da distinção.

Para Iñaqui Carnicero, Álvaro Siza Vieira “é provavelmente, a nível internacional, o arquiteto vivo mais importante do nosso tempo“. O diretor geral da Agenda Urbana destacou também outras conotações simbólicas na decisão desta última edição: “A conexão entre Espanha e Portugal está, sem dúvida — não só pela localização geográfica mas também pela maneira de entender a arquitetura —, no ponto em que podemos falar de uma arquitetura ibérica”.

O prémio, que nasceu no mesmo ano de Siza Vieira, 1933, costumava galardoar obras específicas, mas desde 2001 que recompensa toda uma carreira.

O arquiteto, queria inicialmente ser escultor, acabando por se render à arte que atualmente exerce, quando foi introduzido à arquitetura de Antoni Gaudí, muito presente por toda a cidade de Barcelona.

Em Portugal, o Siza é reconhecido, entre outras obras, pela construção da Quinta da Malagueira em Évora, a Casa de chá da Boa Nova em Leça da Palmeira, o Banco Borges e Irmão em Vila do Conde (vencedora do prémio de Arquitetura Comtemporânea Mies van der Rohe da União Europeia), a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e o Pavilhão da Expo’98 em Lisboa, pelo qual ganhou também o prémio Pritzker, considerado o prémio Nobel da arquitetura.