Ganhou a Taça dos Libertadores, fez parte da equipa do Arsenal que continua a ser a única na história da Premier League a fazer uma temporada sem derrotas, ganhou títulos na Grécia, sagrou-se campeão mundial em 2002 – um título simbólico por ter sido o último do Brasil, quando Luiz Felipe Scolari era treinador, antes de rumar a Portugal para orientar a Seleção entre 2003 e 2008. Enquanto era jogador, Gilberto Silva foi-se preparando para deixar de jogar futebol e ser diretor desportivo. Chegou a ser, no Panathinaikos, mas a experiência não durou. Nem no clube, nem na posição. Passou a agente de jogadores e, em paralelo, investidor. Com um bom exemplo prático.

Além de ter um hotel no Brasil e uma empresa de agenciamento, o antigo médio brasileiro, hoje com 44 anos, é um dos investidores da TruChallenge, uma plataforma social onde se pode criar desafios, participar em concursos ou enviar vídeos de respostas. “É fantástico porque uma pessoa pode divertir-se com amigos e família, pode educar os filhos e pode ter um outro tipo de relação com os fãs”, explicara antes a propósito do novo desafio numa era que tem pouco ou nada a ver com aquela que viveu quando era jogador, no Brasil ou na Europa.

“As coisas mudaram muito em relação ao tempo em que jogava, sobretudo com a tecnologia e as redes sociais. O que tínhamos antigamente de ligação aos fãs era os autógrafos, as camisolas ou o assinar cartões mas não havia nada da interação que existe hoje. Os jogadores estão mais próximos dos fãs e os fãs também aproveitam melhor a experiência. A plataforma foi importante nesta fase de pandemia e confinamento, porque os jogadores podem ter a sua própria plataforma e geri-la diretamente. Depois o meu trabalho é ser um mentor, fazer com que tenham cuidado com a imagem deles e dos clubes”, começou por explicar no painel Engaging your audience in 2021.

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“Por exemplo, algo que não concordo: os jogadores devem falar de política. Eles fazem parte da sociedade, como tal têm de se posicionar como tal. Não vejo problema nenhum com isso. Parece que os jogadores não podem falar. Há três assuntos que não se podem discutir: futebol, política e religião. Não deve ser assim, deve falar-se respeitando sempre o outro lado e sendo racional para acrescentar algo à discussão”, destacou.

Tim Chase, fundador e CEO da TruChallenge, deu o exemplo prático de como um jogador pode tentar dar a volta a um período menos conseguido através da plataforma. “A ideia dele foi pensar que no primeiro ano no Manchester United não fez uma grande época porque tinha acabado de mudar de país, não falava a língua e tinha a mulher grávida e mostrar depois que, quando estava adaptado e já era pai, as coisas melhoraram. Entendia que como os fãs tinham apoiado tanto quando precisava que queria retribuir também, através da plataforma. Outra coisa que percebemos com ele é que não estava à vontade a falar para uma câmara, nem tem de estar porque não é um youtuber, mas que quando tinha a bola comunicava à vontade. Foi assim que se criou uma maior ligação, foi assim que os números de interações e de fãs ligados aumentaram muito”, explicou.

“Não é fácil para um jogador atravessar uma fase menos conseguida mas todos têm de adaptar-se aos contextos que atravessam. No mundo em que estamos, todos têm opinião e todos querem dar a sua opinião. Aquilo que os jogadores devem fazer é não cair com isso. O problema não é receber esses comentários negativos, o problema é não trabalhar bem e dar o máximo. Devem até usar esses comentários para trabalharem mais e melhor”, frisou Gilberto Silva, antes de pormenorizar o trabalho feito com o internacional brasileiro do Manchester United.

“Quando jogava tinha o plano de ser diretor desportivo, ser treinador nunca foi uma ambição. Foi importante na Grécia experimentar esse papel, embora não tivesse ninguém com quem pudesse aprender para ser um processo mais rápido. Depois mudei de direção, tornei-me agente. Comecei a trabalhar com o Fred ainda na Ucrânia, pelo Shakhtar Donetsk. Sempre fui muito honesto com ele: disse-lhe que nunca tinha feito isto mas que iria fazer tudo para ajudá-lo, com um plano e um projeto que permitissem trabalhar. Gosto de ajudar os jogadores a superarem os problemas. No primeiro ano passávamos muito tempo para falar mas hoje tudo mudou. Gosto de ajudar quem trabalha comigo, pensando no que podem fazer melhor do que eu fiz”, completou o antigo médio.