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Para assinalar esta data, junta-se a nós em direto alguém que conheceu de perto Amália Rodrigues, que foi guitarrista da Rainha do Fado, considerado um filho adotivo. Junta-se a nós o fadista Jorge Fernando, a quem agradeço desde já a disponibilidade para estar hoje conosco. Bem-vindo, Jorge Fernando, mais uma vez à Rádio Observador. Apesar de termos perdido Amália há 25 anos, Amália Rodrigues continua viva?
Bom dia, antes de mais, André. Prazer em ouvir-te e a todo o vasto auditório.
Igualmente.
Sim, claro, continua viva. E o fato é que estamos hoje aqui falar dela e numa altura em que nós sabemos, e se pensarmos bem, que somos um povo sem grande memória, sem grande potência para recordar. O fato é que ela ainda se mantém, entre aspas, viva, porque estamos aqui hoje a homenagear, de certo modo, falando da sua saída deste circuito. E isso é um fato de que a importância que ela teve, não só na cultura como na vida das pessoas, é enorme. Amália foi como um móvel que entrasse dentro da nossa casa, dentro de todas as nossas casas. Por isso, hoje, 25 anos passados, a estamos a relembrar.
Qual é a melhor memória que tem de Amália Rodrigues, Jorge Fernando?
Todas elas.
São muitas, acredito.
A que me toca mais pessoalmente, André, é o primeiro disco que eu gravei com ela. Eu gravei os últimos discos da Amália, os últimos CDs, chamemos assim. Foi ela escrever, como uma joia rara, escrever-me que gostava de mim como filho. Essa é a que me toca mais, porque me toca profundamente no campo pessoal.
Claro. Vinte e cinco anos depois, acredita que Amália Rodrigues estaria também orgulhosa da forma como o fado evoluiu, das suas metamorfoses, da forma como também seguiu caminhos diferentes daquilo que era o fado tradicional que tínhamos? Acha que estaria também orgulhosa do fado atual?
Ela foi o motor de toda a evolução. O que ela não fez? Ela tirou o fado da caixa de sapatos, ela foi buscar grandes poetas e trazê-los até ao fado, elevando assim, penso eu, culturalmente, o nível de escrita, de poesia, de fado. Cantou com orquestras, cantou com tudo o que lhe apeteceu. Portanto, a Amália era uma inovadora, ela ia muito mais à frente, a própria roupa, como se vestia. Tudo isso fez dela um ser único, não só pela voz que tinha, pelo bom gosto que possuía, todos aqueles atributos que lhe são conhecidos, mas também porque inovou sempre em tudo, na roupa, no fado. Foi buscar outros compositores, cantou outras espécies de música, inclusivamente músicas populares de outros países. Portanto, sim, ela estaria muito feliz com esta evolução.