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Isto foi um processo que tem já vários meses. Foi um problema que identifiquei desde que tomei posse naquela junta de freguesia e o senhor presidente da Câmara de Lisboa sempre acompanhou o processo muito diretamente. O que aconteceu? Fizemos um diagnóstico de quem estava nas tendas, quem vivia, quem não vivia, e com o comandante da Polícia Municipal de Lisboa, conseguiu-se efetuar a retirada das pessoas ali da rua de forma tranquila, sem problemas absolutamente nenhuns, para irem para um local mais digno.

E sabe quantas pessoas foram retiradas no total?

Aquilo é uma população flutuante, mas foram cerca de 65 pessoas.

Ok. E quais é que são os próximos passos?

Esta retirada da rua foi o primeiro passo de um plano que estamos a efetivar. O presidente da Câmara está a acompanhar muito próximo e com o comandante da Polícia Municipal, com as equipes de higiene urbana e com as equipes de ação social. O próximo passo será acompanhar as pessoas que foram para estes novos locais, para estas pensões. Cada pessoa é uma pessoa, serão acompanhados e esperamos que os processos resultem numa inclusão, no processo com o objetivo de tentar que as pessoas tenham uma vida melhor e mais tranquila, inclusivamente, até integrar no mercado de trabalho.

Relativamente a essas pensões onde os sem-abrigo estão agora, eles terão um limite de tempo que podem lá ficar ou poderá ser o resto da vida deles?

Não, claro que não será o resto da vida deles. Como é de calcular, estes processos de inclusão das pessoas, cada pessoa é um caso, tem o seu ritmo e obviamente que nós tentaremos que cada situação seja resolvida o mais rapidamente possível, até porque a nível social temos também outras pessoas e outras áreas para trabalhar. Ou seja, será o tempo necessário para que seja feito o acompanhamento social e que o resultado seja positivo para todos.

O Rui Tavares, deputado do Livre, disse no Twitter que a notícia que Carlos Moedas anunciou hoje não era verdade e que os sem-abrigos não foram retirados e foram só movidos de sítio, continuam em Anjos. O que tem a dizer sobre isto?

Vocês podem deslocar-se ao local e verificar que à volta da Igreja dos Anjos, que já não está lá ninguém com tendas em situação de sem-abrigo, todas as pessoas foram colocadas num sítio digno. O nosso trabalho, como junta de freguesia e Câmara Municipal, é de colocar as pessoas num sítio com dignidade. O senhor Rui Tavares, se fez essas declarações, eu gostava também que ele dissesse qual foi o contributo que o Livre deu para poder ajudar nesta solução.

Ou seja, já não há sem-abrigo perto da igreja. E nas restantes ruas daquela zona, pode-nos confirmar que já não existe ou foi só mesmo perto da igreja que as pessoas foram retiradas?

Esta ação era a mais urgente, dado que era um ponto em que estavam muitas pessoas instaladas no espaço da via pública. Há outras situações nas juntas de freguesia, a junta de freguesia é muito grande, mas obviamente que é mais fácil fazer um trabalho com pessoas em menor número que estão dispersas pela freguesia. Não acontecem erros, mas acontece em muitas outras freguesias da cidade.