Benfica e Sporting já levam mais de 100 dérbis e esta tem sido uma época como tantas outras sobretudo quando se olha para o percurso na fase regular no Campeonato. No entanto, por mais que a rivalidade esteja sempre presente a partir do apito inicial, um dérbi sem público não é bem um dérbi de futsal. Porque falta aquela moldura de 1.800 a 2.800 espectadores nas bancadas, falta aquele momento de maior barulho quando chegam os adeptos da equipa adversária, falta aquele entusiasmo e intensidade em cada bola que faz da modalidade um mundo à parte entre jogos entre rivais lisboetas. Até no aquecimento, bem mais calmo e “audível”, se notou essa diferença.

Enquanto os 14 jogadores dos dois conjuntos cumpriam os habituais exercícios, os dois treinadores, Joel Rocha e Nuno Dias, falavam tranquilamente perto da saída do túnel, com o técnico dos encarnados a estar a certa altura com o movimento do corpo a explicar algo que se passara. O tema ficou entre ambos, o assunto era futsal. E bem podia ser a questão dos lesionados com paragens relativamente longas, um problema que tocou aos dois conjuntos, em especial aos encarnados e aos guarda-redes: já depois de ter defrontado o Minerva Futsal na Champions em janeiro com dois juniores devido a casos positivos de Covid-19, o Benfica perdeu no início do mês Diego Roncaglio com uma lesão grave no joelho, juntando-se a André Sousa, que sofrera antes uma fratura na mão. Antes, tinha sido Cardinal, pivô internacional do Sporting, a sofrer uma rotura do tendão de Aquiles.

Era neste contexto que chegava o segundo dérbi da temporada, terceiro sem adeptos (o primeiro foi em Matosinhos no ano passado, no início da pandemia, para a Taça de Portugal) e primeiro na Luz, com o Sporting a “jogar” com dois resultados quando ficam apenas a faltar quatro jornadas para o final da fase regular: os leões, além do dérbi no Pavilhão João Rocha que acabou com empate a três com um golo salvador de João Matos mesmo ao cair do pano, cederam pontos apenas com os Leões de Porto Salvo, ao passo que os encarnados escorregaram em Braga e em Portimão. E foi essa nuance que fez a diferença no final, com o conjunto verde e branco a sair mais satisfeito com nova igualdade, deste vez com apenas dois golos, que permitiu manter a liderança da fase regular.

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Com Martim Figueira a ser aposta de Joel Rocha na baliza (André Correia, que esteve cedido ao Elétrico, ficou no banco), o Benfica tentou entrar de forma mais dominadora, Chishkala foi tentando criar em termos individuais os desequilíbrios que coletivamente não apareciam e Jacaré teve a primeira boa oportunidade aos cinco minutos, num lance em que rodou bem sobre Tomás Paçó e rematou para boa defesa de Guitta. Depois, e até ao intervalo, foi o Sporting a criar mais perigo, a ter mais qualidade na criação de ações de finalização e a ter as melhores chances por Rocha, Erick e Cavinato, os dois últimos isolados para boas intervenções de Martim Figueira. O nulo parecia um mal inevitável ao intervalo mas os encarnados conseguiram adiantar-se a um minuto e meio do descanso, com Robinho a aproveitar uma segunda bola à entrada da área para inaugurar o marcador.

Contra a corrente do jogo, o Benfica estava na frente; contra a corrente do jogo, o Sporting empatou. Os encarnados tiveram uma entrada melhor no segundo tempo, naqueles que foram os melhores cinco minutos no dérbi com várias oportunidades por um Guitta gigante a tirar o golo a Jacaré, Tiago Brito, Nilson e Arthur, Merlim teve duas ações individuais para remates fortes travados por Martim Figueira e Zicky, jovem de 19 anos que já chegou a internacional A, fez o 1-1 num fantástico remate ao ângulo após trabalho a rodar sobre Robinho (28′). Nos últimos minutos, o Benfica voltou a ser superior, não permitiu que o Sporting tivesse mais chegadas à baliza contrária, Chishkala ainda teve uma bola no poste mas nem com guarda-redes avançado (Tiago Brito) os encarnados foram capazes de voltarem à liderança num dérbi intenso, equilibrado mas nem sempre bem jogado.