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Taarabt era o único com moral. Mas saiu aos 61 minutos (a crónica do Benfica-Gil Vicente)

Benfica jogou pouco, perdeu, encerrou uma série de seis jornadas a ganhar, pode ser igualado pelo Sp. Braga e ficar a 6 pontos do FC Porto. Taarabt foi o grande inconformado: mas saiu à hora de jogo.

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Os encarnados terminaram uma série de vitórias que durava há seis jogos seguidos

NurPhoto via Getty Images

Os encarnados terminaram uma série de vitórias que durava há seis jogos seguidos

NurPhoto via Getty Images

Jorge Jesus não é propriamente conhecido por medir palavras. Por isso, quando na semana passada disse que Stephen Eustáquio não tinha sido profissional no momento em que realizou uma entrada dura sobre Weigl, que culminou na expulsão do jogador do P. Ferreira com vermelho direto, não existiu exatamente uma sensação de surpresa. Foi a opinião do treinador do Benfica, contrariada depois por Pepa e por alguns colegas de Eustáquio. A novidade, no meio da história, foi que o episódio sobreviveu uma semana e voltou a ser assunto em entrevistas e conferências de imprensa da jornada seguinte.

Pepe, central do FC Porto, acabou por comentar o caso em entrevista ao semanário Novo. “É triste. Sabemos que isso vem do sul, vem de baixo, vem de onde vem, sabemos disso e visa condicionar um árbitro, todo o trabalho de uma equipa de arbitragem. Acho que quando condicionam desta maneira é complicado. Ver um treinador falar daquela maneira… Senti-me envergonhado por um treinador falar daquela maneira. Porque é que ele não falou quando os jogadores dele pisaram o Corona? Quando jogámos contra ele vínhamos de um jogo de 120 minutos e disseram: ‘É este o Benfica que queremos, agressividade, agressividade’. Foi um lance em que ele tentou jogar a bola e infelizmente atingiu o outro jogador. Acho que foram declarações lamentáveis de uma pessoa que sabe e percebe de futebol e depois tem este tipo de comentários”, disse o internacional português, em declarações que não passam ao lado do facto de Stephen Eustáquio ir, muito provavelmente, assinar pelos dragões já no final da época.

Ficha de jogo

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Benfica-Gil Vicente, 1-2

27.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)

Benfica: Helton Leite, Lucas Veríssimo (Everton, 45′), Otamendi, Vertonghen, Diogo Gonçalves, Weigl (Cervi, 85′), Taarabt (Pizzi, 61′), Grimaldo (Pedrinho, 85′), Rafa, Seferovic, Waldschmidt (Darwin, 61′)

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Suplentes não utilizados: Vlachodimos, Gilberto, Gabriel, Gonçalo Ramos

Treinador: Jorge Jesus

Gil Vicente: Denis, Joel, Rodrigão, Rúben Fernandes, Talocha (Diogo Silva, 90+1′), Pedrinho (Claude Gonçalves, 66′), Vítor Gonçalves, Lucas Mineiro, Léautey (Fujimoto, 77′), Pedro Marques (Samuel Lino, 77′), Lourency (Henrique Gomes, 90+1′)

Suplentes não utilizados: Beunardeau, Baraye, Paulinho, Guilherme Mantuan

Treinador: Ricardo Soares

Golos: Léautey (35′), Lourency (81′), Vítor Carvalho (ag, 87′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Lucas Veríssimo (31′), a Denis (90+2′)

Ora, na conferência de imprensa de antevisão do jogo com o Gil Vicente, Jorge Jesus foi naturalmente confrontado com as críticas de Pepe. O treinador encarnado acabou por ilibar Eustáquio, garantindo que percebeu “porque é que fez aquilo” depois de analisar as imagens da transmissão televisiva, mas recusou-se a comentar a entrevista do central do FC Porto — apesar de deixar uma farpa. “Falo diretamente dos meus rivais, que foi o caso do Eustáquio. Não vou falar de outros jogos. Depois de ter analisado o lance, percebi porque é que o Eustáquio chegou tarde ao momento da decisão. Quem jogou futebol e que andou muitos anos nisto… Sou do tempo em que havia jogadas de pé em riste e não se passava nada. Hoje, isso já não pode existir no futebol. Fez aquilo sem intenção, sem querer magoar, ao contrário do que achei na altura, porque vi com outros olhos. Não vou comentar o que o Pepe disse. Comentar o que o Pepe disse sobre uma jogada destas? Grande moral!”, atirou, deixando a ideia de que o central português já protagonizou várias entradas semelhantes.

Era neste contexto que o Benfica recebia este sábado o Gil Vicente, depois de o Sporting ganhar e antes de o FC Porto jogar — ou seja, os encarnados precisavam de vencer para voltarem a ficar a nove pontos dos leões e para pressionarem desde logo os dragões, que só visitam o Nacional este domingo. Com Gabriel já disponível, depois de o médio ter falhado as últimas partidas devido a uma lesão, Jesus não fazia qualquer alteração à equipa que goleou o P. Ferreira na semana passada e voltava a apostar no sistema com três centrais, Veríssimo, Otamendi e Vertonghen. Everton era novamente sacrificado, com Rafa e Waldschmidt no apoio mais direto a Seferovic, e os encarnados procuravam a sétima jornada consecutiva a ganhar e o oitavo jogo seguido sem sofrer qualquer golo. Do outro lado, o Gil Vicente de Ricardo Soares aparecia na Luz vindo de uma derrota contra o Moreirense que encerrou uma série de três vitórias consecutivas.

O Gil Vicente apresentou-se na Luz de uma forma surpreendente — e um bocadinho à semelhança daquilo que fez o Farense no Algarve, esta sexta-feira, contra o Sporting. Os gilistas apareceram com as linhas subidas, sem grande receio de deixar o setor defensivo mais desprotegido, e pressionavam alto, sempre à procura do erro do adversário. As investidas da equipa de Ricardo Soares surgiram quase sempre pelo corredor direito, onde Grimaldo estava a ter muitas dificuldades para parar Joel Pereira, Lucas Mineiro e Léautey, e o Benfica não conseguia soltar-se para chegar perto da baliza de Denis.

A primeira parte foi disputada quase sem balizas, com os ataques de ambas as equipas a terminarem muitas vezes antes da fase de finalização. Ainda assim, era o Gil Vicente quem acabava por mostrar maior dinamismo e velocidade, com viragens de jogo muito rápidas que tentavam apanhar a equipa encarnada desposicionada. Do outro lado, o Benfica tinha muitos problemas para implementar a criatividade que tinha demonstrado nas últimas jornadas, sem a capacidade de romper a organização defensiva e a reduzir-se essencialmente a cruzamentos para a grande área. Taarabt acabou por ser o melhor elemento encarnado e o único que conseguia criar linhas de passe na faixa central, enquanto que Diogo Gonçalves era o principal dinamizador, com vários cruzamentos tirados a partir da ala direita e à procura de desvios de cabeça.

De forma concordante com tudo isto, o primeiro remate do jogo pertenceu a Vítor Carvalho, que atirou por cima depois de Pedrinho aparecer em velocidade na esquerda (15′). À chegada aos 20 minutos, o único toque do Benfica na grande área de Denis pertencia a Diogo Gonçalves, enquanto que à meia-hora o único remate encarnado tinha sido um pontapé de Taarabt, a quase 30 metros. Pelo meio, Seferovic tinha tentado cabecear sem sucesso em duas ocasiões, ambas na sequência de cruzamentos do lateral direito português (21′ e 27′), enquanto que Pedrinho tinha obrigado o mesmo Diogo Gonçalves a intercetar um livre direto batido com muita força em direção à baliza de Helton Leite (24′). O golo, esse, acabou por surgir de um momento para o outro a 10 minutos do intervalo.

Numa movimentação muito rápida, Pedrinho virou o jogo da esquerda para a direita e encontrou Léautey. O avançado francês recebeu descaído na ala, fletiu para a faixa central e atirou de pé esquerdo à entrada da grande área, com a bola a entrar rasteira e junto ao poste num lance em que fica a ideia de que Grimaldo poderia ter feito muito mais (35′). Até ao fim da primeira parte, o Benfica ainda teve um cabeceamento ao lado de Waldschmidt já nos descontos (45+1′) mas já não conseguiu empatar, descendo ao balneário em desvantagem, com o primeiro golo sofrido ao fim de sete jornadas sem conceder e depois de uma primeira parte muito pobre, longe das últimas exibições bastante positivas. Do outro lado, Ricardo Soares só poderia estar satisfeito com a prestação dos gilistas.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-Gil Vicente:]

No início da segunda parte, Jorge Jesus deu desde logo a ideia de que algo tinha de mudar: o treinador encarnado tirou Lucas Veríssimo e desmontou a linha de três centrais, regressando ao 4x4x2 com a entrada de Everton. Lourency ficou muito perto de aumentar a vantagem do Gil Vicente, com um remate ao lado depois de um cruzamento rasteiro de Vítor Carvalho (49′), mas a verdade é que a partir daí o jogo seguiu uma lógica natural, tendo em conta o resultado.

O Benfica passou a atuar por inteiro no meio-campo adversário e a chegar com mais perigo à baliza de Denis — quase sempre por intermédio de Seferovic e depois de cruzamentos ou passes de Diogo Gonçalves, que continuava a ser um dos principais dinamizadores da equipa. O avançado suíço rematou por cima depois de um primeiro pontapé ter ido contra Rodrigão (53′), voltou a atirar demasiado alto de calcanhar depois de um passe do lateral direito encarnado ter sido desviado pelo guarda-redes gilista (61′) e ainda assinou um pontapé ao lado depois de uma enorme jogada de Rafa na direita (70′). Pelo meio, Jorge Jesus voltou a mexer e tirou Taarabt (que até estava a ser um dos melhores) e Waldschmidt para colocar Pizzi e Darwin, numa tentativa de colocar alguma frescura nas zonas de decisão.

Ricardo Soares trocou Pedrinho por Claude Gonçalves e o Gil Vicente praticamente abdicou de atacar, preferindo obviamente resguardar a valiosa vantagem com uma organização defensiva muito constante e concreta e as linhas totalmente compactas nas imediações da grande área. A cerca de um quarto de hora do final, o treinador gilista refrescou a frente de ataque, com Fujimoto e Samuel Lino, e acabou por recolher os frutos num contra-ataque letal: Lourency apareceu em velocidade na esquerda, depois de uma boa jogada coletiva e de uma assistência de Claude Gonçalves, e rematou na diagonal para bater Helton Leite (81′). O Gil Vicente, extraordinariamente eficaz e muito competente defensivamente, garantia a vitória na Luz.

Até ao fim, o Benfica ainda reduziu, por intermédio de um autogolo de Vítor Carvalho (87′), e ficou muito perto de chegar ao empate por intermédio de um pontapé ao lado de Otamendi, no último lance da partida (90+6′). Os encarnados perderam depois de seis vitórias consecutivas, sofreram dois golos depois de não sofrerem nenhum nos últimos sete jogos e podem ficar a seis pontos do segundo lugar do FC Porto se os dragões vencerem este domingo o Nacional — para além de que podem ser igualados pelo Sp. Braga, que defronta mais tarde o Rio Ave. Num jogo puramente desinspirado por parte do Benfica, com apenas um remate enquadrado, Taarabt foi o principal inconformado da equipa e tentou sempre desequilibrar na faixa central: o problema foi que saiu aos 61 minutos, numa fase capital da partida em que a equipa de Jorge Jesus estava a dominar e poderia ter chegado ao golo.

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