“Óculos Escuros”

Dario Argento já não é o realizador dos tempos de “O Gato das Sete Vidas”, “Suspiria” e “Phenomena”, mas “Óculos Escuros”, que Argento andava para fazer há 20 anos, é um “giallo” de série B aceitável. Diana (Ilenia Pastorelli), uma prostituta de luxo romana, tem um acidente de carro quando era perseguida por um assassino em série e fica cega. O criminoso continua a ameaçá-la, mas Diana é agora ajudada por um menino chinês, filho do casal que morreu no automóvel com que ela chocou. Este improvável par de heróis, uns quantos momentos e baques à altura do Argento dos grandes tempos e a duração abaixo da hora e meia, chegam para nos satisfazer.

“O Fotógrafo de Minamata”

Johnny Depp personifica, neste filme de Andrew Levitas, o fotojornalista americano W. Eugene Smith, que esteve no Japão no início dos anos 70 para fazer uma reportagem para a revista Life sobre a população da vila costeira de Minamata, que sofria da doença com o mesmo nome, causada por envenenamento por mercúrio. A água do mar e os peixes estavam contaminados por este metal líquido, proveniente de descargas feitas pela fábrica de químicos da empresa Chisso, que se recusava a indemnizar os locais. A interpretação de Depp e as boas intenções de Levitas não são suficentes para contrabalançar todos os estereótipos, lugares-comuns e ganchos dramáticos do “filme de causa”.

“Daniel e Daniela”

Documentário da jornalista Sofia Pinto Coelho sobre Daniel Nunes, um caboverdiano octogenário que vive em Portugal e possui uma das maiores bibliotecas sobre a África lusófona, e na sua filha Daniela, de 12 anos. Após ouvi-la falar num “colega escurinho”, o pai decide levar Daniela numa viagem por Cabo Verde, São Tomé e Guiné-Bissau, para ela saber as origens da família e conhecer as raízes. Mas ela, como boa adolescente, parece mais interessada no telemóvel e na qualidade da rede nos sítios que visitam, do que naquilo que o algo insistente pai lhe quer mostrar e transmitir. “Daniel e Daniela” precisava de ter mais tempo de duração para desenvolver e aprofundar melhor o seu tema.

“Bilhete para o Paraíso”

Comédia romântica com Julia Roberts e George Clooney interpretando uma “marchand” de arte e um arquitecto que foram casados, tiveram uma filha (Kaitlyn Dever), advogada recém-formada, divorciaram-se e não se podem ver um ao outro nem pintados. Só que têm que enterrar o machado de guerra quando a filha, que foi de férias com a melhor amiga para Bali, lhes faz saber que conheceu um rapaz pelo qual se apaixonou e com quem vai casar. Para os pais desavindos, Lily vai cometer o mesmo erro que eles há 25 anos, pelo que se precipitam para Bali para evitar o matrimónio. “Bilhete para o Paraíso” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.