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Claudisabel (1982-2022): entre os discos, os palcos e a televisão, uma cantora "sempre solidária"

Este artigo tem mais de 3 anos

Com uma carreira iniciada há mais de 25 anos, a cantora teve em temas como "Não Vou Voltar a Chorar" ou "Preciso de um Herói" os seus maiores sucessos. Morreu aos 40 anos, num acidente de viação.

Claudisabel estreou-se nos discos há quase 30 anos, quando em 1995 editou o álbum "Dizias Tu, Pensava Eu"
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▲Claudisabel estreou-se nos discos há quase 30 anos, quando em 1995 editou o álbum "Dizias Tu, Pensava Eu"

STEVEN GOVERNO/GLOBAL IMAGENS

▲Claudisabel estreou-se nos discos há quase 30 anos, quando em 1995 editou o álbum "Dizias Tu, Pensava Eu"

STEVEN GOVERNO/GLOBAL IMAGENS

Foi uma das cantoras mais bem-sucedidas da música ligeira portuguesa na transição entre a década de 90 e o início dos anos 2000. Entre singles e álbuns, estreou-se com o longa-duração Dizias Tu, Pensava Eu, lançado em 1995, tinha na altura 13 anos. Tornou-se presença habitual na televisão e regressava da participação no programa “Domingão” da SIC, na última madrugada, quando morreu num acidente de viação na A2, junto a Alcácer do Sal. Claudisabel tinha 40 anos.

Nasceu a 4 de outubro de 1982, em Faro – embora tenha sempre vivido em Loulé –, e começou a carreira na década de 1990, ainda adolescente. Com uma paixão pela música desde pequena, a cantora algarvia destacou em entrevista recente o apoio por parte da sua mãe desde cedo e que se manteve ao longo dos anos, como peça imprescindível nos passos que deu no mundo da música. “As pessoas podem especular muitas coisas sobre ti, mas há só uma pessoa que pode definir quem tu és: tu mesma. Esta é uma frase da minha mãe que levei para a vida”, realçou.

Perseguiu cedo o circuito dos palcos nacionais. As primeiras atuações, quando tinha apenas seis anos, fê-las a interpretar temas infantis em concertos no Algarve. Já com 12 anos venceu o primeiro de muitos concursos de rádio e passou a integrar um trio de música ligeira. Mais tarde, entrou no Conservatório Regional do Algarve, onde teve aulas de canto e fez parte do grupo Vocallis. Uma das grandes oportunidades mediáticas surgiu também nesses primeiros anos de carreira, quando participou no programa apresentado por João Baião, o popular “Big Show SIC”, num momento recordado ao Jornal de Notícias pelo cantor e amigo Emanuel: “Tinha uma voz bonita, destacava-se pelo visual e pela interpretação, notava-se que havia ali uma artista”.

Cantora Claudisabel morre em acidente na A2

Depois de um primeiro disco, Claudisabel agarrou rapidamente um percurso de sucesso. Entre a segunda metade dos anos 90 e o início dos anos 2000, lançou vários álbuns, como Pensei com o Coração (1998), Preciso de um Herói (1999) — cujo tema título foi um dos seus maiores sucessos — ou Meu Sonho Azul (2001), do qual fazia parte a canção “Não Vou Voltar a Chorar”, outra das suas gravações mais populares. Participou também na coletânea De Mãos Dadas. Em 2005 surgiu mais um disco, Preto no Branco, seguido de Quem és Tu, de 2009.

[“Preciso de um Herói”:]

Cantora marcadamente romântica, variava entre um registo ora mais intimista, ora mais festivo, associada sobretudo ao carimbo “música pimba”, mas procurando em simultâneo outros caminhos. Em 2010, por exemplo, foi convidada pelo produtor e compositor Jordi Cubino para participar no Festival RTP Canção com o tema “Contra Tudo e Contra Todos”, numa edição que seria conquistada pela cantora Filipa Azevedo. “Todos nós que estamos a concurso, queremos ganhar. É óbvio que as minhas expetativas serão trabalhar para que o possa ganhar, mas penso que vai ganhar alguém que vai representar o nosso país e isso para mim é o melhor”, dizia na altura em entrevista à RTP.

Na televisão, entre famosos

Embora não tenha sido escolhida como a representante nacional para a Eurovisão desse ano, Claudisabel tornou-se uma presença assídua dos palcos portugueses, tendo atuado em centenas de concertos por todo o país. Foi presença habitual na televisão e em 2002 foi uma das concorrentes da segunda edição do “Big Brother Famosos”. Claudisabel foi uma das 14 personalidades que participaram num concurso do qual fizeram parte também outras cantoras, como Ruth Marlene ou Lena D’Água (a edição seria ganha pelo ator Vítor Norte).

Em 2017, a cantora faria uma breve visita à Casa do Amor, na quinta edição do reality show “Love on Top” e as aparições em canais televisivos, desde os programas da manhã e da tarde, aos especiais de fim de semana, tornaram-se uma constante. Aos 37 anos, a cantora foi diagnosticada com um mioma no útero, uma situação que revelou em público, no programa da tarde de Júlia Pinheiro, na SIC.

Numa fase em que esteve mais afastada dos palcos, Claudisabel confessou que preferia reservar a sua privacidade para conforto da família, com quem passava grande parte do tempo. Ainda assim, e depois de praticamente uma década afastada dos estúdios, regressou com Condenada (2020), um trabalho em que procurava espaço para se redefinir perante o público.

[“Não Vou Voltar a Chorar”:]

Após anos a cultivar uma imagem extrovertida, Claudisabel confessou ser, no entanto, uma pessoa tímida e reservada, que enfrentou desafios ainda jovem, nomeadamente referindo-se ao bullying que sofrera entre a infância e a adolescência e que abordou em entrevista à SIC: “Tive de levantar alguns muros para me proteger. Nunca mostrei que as coisas me incomodavam, mas ninguém gosta de ser ofendido ou posto de parte”, contou. Nos últimos anos, a cantora teve um acidente de carro que lhe deixou algumas sequelas físicas. No programa de Manuel Luís Goucha, na TVI, Claudisabel revelou que o mesmo acidente a fez “equacionar muito o futuro, se calhar, em excesso, provocando estados de ansiedade, ataques de pânico”.

“Sempre solidária e disponível”

“É com profundo pesar, dor e tristeza que comunicamos o falecimento da cantora Claudisabel, após um acidente automóvel nesta madrugada. A voz, alegria e frontalidade que a caracterizam deixam mais pobres a música portuguesa e todos os que tiveram a oportunidade de a conhecer e privar com ela”, lê-se na mensagem publicada no perfil oficial da cantora. “A sua voz, alegria e frontalidade que a caracterizam deixam mais pobres a música portuguesa e todos os que tiveram a oportunidade de a conhecer e privar com ela”, sublinhou a nota deixada pela editora Nucafé Records.

Já na manhã desta segunda-feira, em conversa com João Baião e Diana Chaves (no programa “Casa Feliz”, da SIC), Xana Silva, corista da artista, contou que a Claudisabel se preparava para lançar uma nova canção que “está escrita, está feita”. “Gostava muito que fosse lançada, era mais uma homenagem para ela porque foi pena não ter lançado a nova música dela. Era mais um sonho, mais um bebé dela”, disse.

▲ Além dos discos e dos concertos, foi também na televisão que Claudisabel construiu parte da sua carreira, enquanto convidada habitual de programas de entretenimento ou como participante em "reality shows"

João Manuel Ribeiro/Global Imagens

O artista e agente da cantora, Axel, explicou à TVI que Claudisabel foi sempre “uma pessoa solidária e disponível” e que se deslocava para qualquer ponto do país porque “tinha de mostrar e promover o seu trabalho”. “É um exemplo entre muitos outros artistas que partem cedo de mais quando estão a fazer aquilo que mais gostam”, completou.

Perante a morte da cantora, que deixa oito álbuns gravados, multiplicaram-se também as reações nas redes sociais. Katia Aveiro, a irmã de Cristiano Ronaldo, começou por escrever na sua página de Instagram: “O falecimento da cantora Claudisabel após um acidente de automóvel nesta madrugada em Portugal… A sua morte precoce, aos 40 anos, deixa mais pobre a música portuguesa e todos os que tiveram a oportunidade de conhecer e privar com ela “. “Cruzei-me muitas vezes com ela. Não éramos amigas, mas conversámos inúmeras vezes, inclusive já trocamos mensagens de respeito mútuo e profissional. Paz à sua alma. Força à família e aos seus”, completou.

Já o cantor Tony Carreira escreveu: “Não há palavras para este dia triste com a partida da Claudisabel que ainda ontem a vi na televisão e hoje já não está entre nós. Mais uma jovem cuja vida a estrada nos roubou”. Por seu lado, o apresentador José Carlos Malato descreveu Claudisabel como “uma miúda incrível”, com “um sorriso aberto”. “Adorava o que fazia, agradecida, talentosa, boa colega, sempre com uma palavra, uma mensagem amiga e cúmplice.”

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