“As Oito Montanhas”

Os belgas Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeersch filmaram, nas paisagens imponentes do Vale de Aosta, em Itália, esta fita que ganhou o Prémio do Júri no Festival de Cannes e põe em cena, ao longo de várias décadas, dois amigos de infância, Pietro, nascido em Turim, e que passa as férias com os pais numa aldeia da montanha, e Bruno, nascido na montanha, onde vive com os tios. “As Oito Montanhas” é uma belíssima e melancólica história de amizade perdida e reconstruída, mas também sobre o que significa pertencer a uma paisagem e ter a vida centrada nela e o seu lugar no mundo, e não saber onde se pertence e andar pelo mundo à procura desse lugar e de uma vida estável. Os realizadores fogem quer ao melodrama, quer à idealização e ao exibicionismo cinematográfico do mundo natural. Um filme que mexe com o coração e eleva a vista.

“Nayola”

É entre a Angola dividida e devastada dos tempos da guerra civil, e a Angola em tensão e em ponto de interrogação dos nossos dias, que se passa esta primeira longa-metragem de animação de José Miguel Ribeiro (“A Suspeita”, “Passeio de Domingo”), que é também a primeira a ter estreia nos cinemas em Portugal, indo buscar inspiração à peça “A Caixa Preta”, de Mia Couto e José Eduardo Agualusa. Três mulheres de três gerações, Lelena, a avó, Nayola, a mãe que perdeu o marido na guerra e desapareceu quando o procurava, e Yara, a filha e neta que aquela criou e que contesta o regime pelo “rap”, protagonizam a história. O realizador combina animação tradicional, digital e imagem real neste filme visualmente estilizado, por vezes a fugir para a abstração, pintado com as cores fortes e vivas de África e que integra um lado simbolicamente fantástico e de magia.

“Air”

O novo filme de e com Ben Affleck passa-se em meados dos anos 80. A Nike estava na cauda do mercado em termos de vendas de sapatilhas de basquete, quando comparada com as rivais Adidas e Converse, e o respetivo departamento em risco de ser fechado. Foi então que Sonny Vaccaro (Matt Damon), em vez de fechar contratos promocionais com jogadores de segundo plano, decidiu investir todo o orçamento na tentativa de assinar uma jovem e promissora estrela do basquetebol, Michael Jordan. E para o convencer, e aos pais (sobretudo a ultra-zelosa mãe), Vaccaro tutelou o fabrico de uma sapatilha especialmente concebida para o atleta e com o seu nome, a Air Jordan, que faria também parte integrante da identidade daquele enquanto marca. “Air” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.