As pessoas com resultado reativo nos rastreios de VIH e hepatites B e C feitos nas farmácias da zona da ULS de Loures-Odivelas vão dispor de um circuito formal para o seu reencaminhamento para essa unidade de saúde.
A medida consta de um protocolo assinado esta quarta-feira entre a Unidade Local de Saúde Loures-Odivelas (ULSLOD) e a Associação Nacional das Farmácias (ANF), o primeiro do género e que permite estabelecer uma ligação entre a deteção precoce nas farmácias, a confirmação e o acompanhamento clínico no Serviço Nacional de Saúde.
“O objetivo é reduzir as barreiras que podem interromper o percurso entre a realização do teste, o diagnóstico e o tratamento, diminuindo o risco de perda de seguimento”, salientaram as duas instituições num comunicado conjunto.
Na prática, perante um resultado reativo obtido num teste rápido, o farmacêutico presta o aconselhamento adequado e, mediante o consentimento da pessoa, ativa o circuito de referenciação estabelecido com os serviços de saúde.
Os testes rápidos de VIH, hepatite B e C são gratuitos e acompanhados de aconselhamento antes e depois da sua realização, sendo a participação voluntária e confidencial, podendo o teste ser realizado de forma anónima.
“Um resultado reativo não corresponde, por si só, a um diagnóstico, tornando essencial a realização dos procedimentos de confirmação e o respetivo acompanhamento clínico”, adiantou o comunicado.
Segundo as duas entidades, a continuidade assistencial é “particularmente relevante no rastreio do VIH e das hepatites B e C”, tendo em conta que, apesar dos progressos registados, “estas infeções continuam a representar um importante desafio de saúde pública”.
“Portugal mantém valores acima da média europeia no VIH, com uma incidência significativa de diagnóstico tardio, existindo ainda pessoas que desconhecem o seu estado serológico”, referiu ainda o comunicado.
De acordo com a ANF, as farmácias comunitárias, pela sua proximidade e capilaridade territorial, permitem uma facilidade de acesso sem marcação prévia e uma “relação de confiança com a população”.
“Estas características permitem aproximar o rastreio das comunidades e chegar também a pessoas que, por diferentes razões, têm menor contacto com os serviços de saúde ou são habitualmente menos rastreadas”, realçou a associação.
A medida está integrada no programa FOCUS, que está a decorrer em farmácias comunitárias aderentes nos municípios da Amadora, Sintra, Odivelas e Loures e destina-se a pessoas com mais de 18 anos.
O protocolo estabelecido entre a ULSLOD e a ANF constitui um “modelo de referência para a articulação” entre as farmácias comunitárias e os serviços do SNS, concebido para ser “tendencialmente uniforme e replicável” e permitir uma implementação faseada noutros territórios do país, avançaram as duas instituições.