O início do julgamento do processo EDP estava marcado para esta terça-feira, mas foi adiado por causa da greve dos funcionários judiciais. Manuel Pinho, antigo ministro da Economia e um dos três arguidos deste processo, foi o primeiro a chegar ao Campus da Justiça, em Lisboa, ainda antes das 9h. Já Ricardo Salgado não esteve presente. Para já, mantém-se a data da próxima sessão, que é já está sexta-feira, sendo que a greve dos funcionários judiciais continua.

À saída do tribunal, Manuel Pinho falou aos jornalistas, recusando todas as acusações feitas pelo Ministério Público — está acusado de dois crimes de corrupção passiva, um deles para ato ilícito, um crime de branqueamento de capitais e outro crime de fraude fiscal. E adiantou que vai negar “absolutamente”, “de A a Z” todos os pontos da acusação durante o julgamento. O antigo ministro do governo de José Sócrates referiu ainda que não tem contacto com Ricardo Salgado e que tem “interesse em esclarecer a mentira”.

Caso EDP. Manuel Pinho e Ricardo Salgado vão a julgamento e ex-ministro continua em prisão domiciliária

Manuel Pinho está acusado pelo Ministério Público de dois crimes de corrupção passiva, um deles para ato ilícito, um crime de branqueamento de capitais e outro crime de fraude fiscal e o tribunal decidiu manter todos os crimes, tal como constam na acusação. Sobre Alexandra Pinho recaem os crimes de branqueamento de capitais e de fraude fiscal — os dois em co-autoria com o ex-marido. Na altura da decisão instrutória, o tribunal decidiu manter a medida de prisão domiciliária.

Já Ricardo Salgado vai também a julgamento por dois crimes de corrupção ativa e um crime de branqueamento de capitais.

Segundo o Ministério Público, Manuel Pinho terá sido corrompido por Ricardo Salgado, na altura em que era o responsável pela pasta da Economia no Governo de José Sócrates, e terá recebido uma avença mensal de 14.963,94 euros através da sociedade offshore Espírito Santo Enterprises — o conhecido saco azul do Grupo Espírito Santo (GES). No total, o antigo ministro da Economia terá recebido um total de 3,9 milhões de euros do GES e Ricardo Salgado terá dado ordem para efetuar esses pagamentos. O objetivo do ex-líder do BES seria favorecer, alegadamente, o grupo da família, nomeadamente na aprovação das herdades da Comporta e do Pinheirinho como “Projeto de Interesse Nacional”.