O ministro das Infraestruturas confirmou ter contactado a administração da CP para avaliar a possibilidade da operadora pública ceder alguns comboios para reforçar a oferta da Fertagus e assim responder ao congestionamento verificado desde que houve um aumento da oferta.
“Pedimos ajuda à CP e a CP disse que não tinha meios. Estamos a otimizar horários (com a Fertagus) para mitigar ao máximo o problema,” afirmou Miguel Pinto Luz esta quarta-feira no Parlamento. O governante afastou contudo o cenário de voltar aos horários antigos na Fertagus, realçando o aumento da procura em 34% dos passageiros que entram no troço entre Setúbal e Coina.
Segundo Pinto Luz, a situação está em constante monitorização, encontrando-se agora mais estabilizada e deixa críticas aos que querem provocar o “alarme social” sobre o excesso de passageiros nos comboios da ponte 25 de Abril.
“Ninguém fica em terra. Se não for no comboio A, vai no comboio daqui a 10 minutos ou a 20 minutos”.
Os contactos feitos com a CP, e concertados com a Fertagus, foram no sentido de poder reforçar a oferta no eixo norte sul com comboios que operam na linha da Azambuja e que são da mesma série que os fabricados para o serviço ferroviário na ponte. Esta possibilidade, sublinhou, também foi proposta pelos próprios sindicatos do setor ferroviário e Miguel Pinto Luz diz que vai contactar as pessoas que estão no terreno para avaliar outras hipóteses de reforço da oferta em hora de ponta no eixo Norte-Sul.
O ministro das Infraestruturas, que respondia a perguntas do PS na comissão de economia e obras públicas, reconhece que o aumento de material circulante é difícil por causa da demora e litigância dos concursos. “O Governo só tinha uma possibilidade que era procurar todas as soluções possíveis para contornar o problema, mas lembra que o reforço da oferta para Setúbal já estava previsto quando o Governo do PS iniciou a renegociação do contrato de concessão da Fertagus.
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Comboio cheios. “É uma dor de crescimento”, mas há ajustes na oferta e do lado dos passageiros
Isso mesmo foi reafirmado pela secretária de Estado dos Transportes. Cristina Pinto Dias admitiu que as coisas “não estão a correr da melhor forma”, mas considera também que esta situação é “uma dor de crescimento”. E sublinha os ajustes que foram já feitos, como a alteração da oferta de modo a ter comboios duplos e simples intercalados nas horas de ponta e o levantamento do limite à velocidade em Penalva.
E partilha mensagens da Fertagus que dão conta de uma redução do número de pessoas, ainda assim várias dezenas, que ficam na plataforma sem conseguir lugar no comboio à hora de ponta da manhã na direção de Lisboa. Na estação do Pragal, o número passou de 80 para 42 e de 55 para 30. “Tudo indica que há uma mudança na escolha de passageiros para um horário que mais lhes convém”.
A concessionária chegou a propor o aumento do número de comboios em operação para acompanhar o reforço da oferta até Setúbal, mas esse tema acabou por ficar de fora da extensão por 6,5 anos da concessão do contrato. O Estado é o proprietário dos 18 comboios da Fertagus que estão a operar na máxima capacidade apenas com um de reserva para manutenção. A CP opera na linha de Azambuja com uma maior margem de reserva.