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A beleza da vida está em nós sermos todos diferentes. E hoje em dia parece que todos querem ser iguais. Não me vais ouvir dizer que gosto de uma coisa se eu não gostar. No limite, fico calada, não digo nada. Nós não nascemos perfeitos, nós nunca seremos perfeitos. É este processo de construção que torna o processo de vida também tão bom. Um dos meus lemas é: desistir não é opção. Pode demorar mais tempo, pode dar mais trabalho, mas se tu queres mesmo, tu vais fazer. Ser nutricionista e passar um plano alimentar, todas fazem, porque muitas vezes as tuas clientes e as pessoas que vão pedir ajuda são pessoas com pouca confiança, que não acreditam que vão conseguir. Não é só cumprir um plano, é tu saberes lidar com os teus hábitos antigos, porque eles estão lá. Sabes que hábitos não se mudam? Hábitos criam-se. E só trabalhando a tua mente é que tu consegues lidar com os hábitos antigos, porque eles vão aparecer. E a diferença entre quem consegue e quem não consegue, é quem sabe lidar com os obstáculos. Eu lembro-me que tive fases em que estava constantemente a pesar-me todos os dias e depois há flutuações todos os dias normais, que causam uma pressão e uma ansiedade desnecessária. Se o meu avô me dizia: "Ai, estás tão magra, pareces um bacalhau no rabo". Eu ficava superfeliz, sabes por quê? Porque eu estava bem. Se eu dizia: "Oh, filha, estás mesmo bem agora." É porque eu estava mais gordinha. A presença de comentários tem a ver com a ausência de limites da nossa parte. Dietas iô-iô, cetogênicas, em que se comem muito poucas calorias, produtos processados. Qual é a tua opinião sobre o impacto que as redes sociais têm, promovendo estas dietas? E que danos é que estas dietas podem fazer numa paciente? Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. Para a convidada de hoje temos uma nutricionista, mas não é uma nutricionista qualquer. Temos a Diana Dinis, que é uma inspiração não só no mundo da nutrição, mas também no mundo dos negócios. Ela é uma mulher cheia de garra, já construiu muitos projetos, é uma inspiração gigante para mim, principalmente em termos de mentalidade e na confiança que ela passa para fora. E eu quero muito explorar aqui hoje este lado dela, este mindset de como é que ela chegou aqui, o crescimento pessoal que ela teve e também o que é que podemos aprender do lado da nutrição, de aliarmos a nossa mente a construir melhores hábitos alimentares. Acho que vamos poder tirar muito sumo deste episódio. Estou mesmo ansiosa por ter esta conversa com a Diana e espero muito que vocês gostem.
Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?
Correr, treinar, conduzir, tomar banho, tudo que são tarefas que não requerem— olha, tarefas de piloto automático, estás a ver? Aí estou sempre a pensar em coisas. Mas tarefas que requerem concentração, estou a 100%. Eu não nasci assim e foi algo que eu fui percebendo que tinha. Então o que é que acontece? Às vezes as pessoas têm poderes e dons e coisas que sabem fazer muito bem, que não exploram. E eu não explorava. Quando eu começo a falar disto, uma das imagens que me vem muito à cabeça é eu sentada no meu sofá em casa da minha mãe, achar que eu não tinha capacidade para nada, que a única coisa que eu sabia fazer era realmente estudar e ter boas notas e ser aplicada, porque isso eu sempre fui. Mas eu não me sentia com capacidade para trabalhar no mundo, ser independente, ter a minha empresa. Hoje em dia nós vemos miúdas muito novas a partir cedo a ser empreendedoras, a ter o seu negócio. Eu não me sentia isso. Tanto que eu começo o meu negócio aos 30 anos. Portanto, eu não sabia que tinha esse poder, mas com o desenvolvimento pessoal que fiz e autoconhecimento que fui ganhando, eu percebi que esse era um dos meus superpoderes e então exploro.
Isto é mesmo engraçado, porque a primeira pergunta que eu escrevi aqui foi: quando eu não te conhecia, conhecia-te tu também, acho que chegaste a estar num episódio da Distúrbio Alimentar. E eu comecei a consumir conteúdo sobre ti e foste das pessoas que mais me surpreendeu quando te ouvi falar, porque em termos de Instagram acaba por ser muito direcionado para o teu negócio.
Exatamente.
E a tua personalidade, ouvindo-te falar em outros podcasts, a tua confiança, senti: "Fogo, esta é uma mulher cheia de confiança, poderosa". E a minha primeira pergunta aqui para ti era: tu sempre foste assim? E acho mesmo curioso, estás-me a dizer que não.
Porque eu gosto de passar, porque imagina, eu sou uma pessoa extremamente positiva, também já sei que és, porque eu vi num dos teus podcasts que eras muito positiva. Eu consigo ver sempre o positivo em todas as situações. E isso ajuda muito, e isso eu sempre fui. Mas esta pessoa com esta confiança para, para teres uma ideia, o meu primeiro trabalho foi na Zara, part-time, e a minha mãe foi comigo entregar currículo. Olha a vergonha. Quer dizer, eu se fosse gerente naquela altura, "Mas a mãe é que tem que vir com ela, ela não tem confiança nem independência suficiente para vir entregar o seu currículo". Então eu era mesmo uma pessoa com pouca, muito pouca confiança. E isto foi algo que eu fui construindo. E eu também gosto de passar isso, porque nós não nascemos perfeitos, nós nunca seremos perfeitos, e é este processo de construção que torna o processo de vida também tão bom, que nos permite apreciar e desfrutar das conquistas.
E tu falas no desenvolvimento pessoal e no teu crescimento e de onde é que partiu isso? Como é que foi o processo?
Esse primeiro trabalho foi muito importante, porque lá está, como eu te estava a dizer, e até é giro porque dá para fazer aqui o fio de ligação, eu não me sentia capaz de trabalhar, nem que tinha capacidade, nem confiança para ir para o mundo do trabalho. E esse primeiro trabalho, eu tive que me desenrascar. Ou seja, eu tinha uma chefe, eu tinha contas a dar, tinha coisas para fazer, tinha responsabilidades e elas eram pedidas. Se eu não as fizesse, tinha que justificar. Se eu fizesse, também ninguém me dava os parabéns, estava feito, era para estar feito.
É a tua obrigação.
Era a minha obrigação. Se bem que eu não sou esse tipo de líder, eu gosto de dar os parabéns. Mas está tudo certo. E eu consegui perceber que não, Diana, afinal tu és capaz. Tu conseguiste ter o teu trabalho. Eu nessa altura também saí de casa da minha mãe e aluguei um quarto e fui viver sozinha, o que fez com que eu também ganhasse mais responsabilidades de pagamento de contas. E isso tudo começou a me tornar mulher independente e mais confiante. E aos poucos, quando eu ganhei essa confiança nesse trabalho, ainda estava em Coimbra, o meu sonho sempre foi tirar nutrição e na altura eu não tirei, tirei análises clínicas lá em Coimbra. E quando eu ganho essa confiança nesse trabalho, eu penso: "Ok, se eu aqui consigo fazer isto, então eu posso ir tirar o curso dos meus sonhos e continuar a trabalhar". E foi aí que eu aos poucos e poucos comecei a perceber todo o poder que eu tinha, porque eu metia-me nas coisas e as coisas eram feitas. Então eu percebi que tu consegues, e eu acho que eu sou capaz de tudo e que eu consigo tudo, sempre. Pode demorar mais tempo, mas eu vou sempre conseguir, porque eu não desisto. Um dos meus lemas é: desistir não é opção. Esse é também um dos lemas que nós passamos muito às nossas clientes, porque pode demorar mais tempo, pode dar mais trabalho, mas se tu queres mesmo, tu vais fazer. Então eu fui construindo isso dentro de mim. Fui aos poucos e poucos, o fato de ter vindo pra Lisboa, ter tirado nutrição, que era o curso dos meus sonhos, a trabalhar ao mesmo tempo, porque entretanto, como eu tinha trabalhado numa loja de roupa, eu pensei: "Posso ir, trabalho numa loja de roupa, porque já sei que consigo". Então é sempre aquela tua zona de conforto. Estás no desconforto, mas na zona de conforto.
Sim.
E aí, quando vou pra loja aqui em Lisboa, foi a Tifosi, eu comecei a ter um crescimento muito grande. Eu comecei a part-time, mas depois fui pra full-time, depois pra subgerente e depois pra gerente. Eu amo viver, ok? E a vida é muito engraçada, porque se nós estivermos atentas aos sinais que ela nos vai dando, está tudo lá. E eu geri uma loja e eu amei gerir a loja, tudo o que era construção em termos de layout, de design, que é uma loja de roupa, o processo de venda, o recrutamento, os recursos humanos. Fui uma líder perfeita? Zero. Eu era extremamente inflexível, extremamente intransigente. Eu desde sempre fui muito focada e ambiciosa, isso é uma coisa que vem desde sempre, mas que sem o crescimento pessoal, eu não conseguia usar. E à medida que fui crescendo, fui conseguindo também usá-lo. Só que às vezes tu usas isso de uma forma descontrolada. Está lá, mas tu ainda não sabes qual é a zona do equilíbrio.
Sim, foste autoconhecendo e também serviu pra agora, hoje em dia seres a líder que és.
Exatamente. E nessa parte eu comecei, efetivamente, muito intransigente, muito inflexível. Não era bom, mas também eu tenho uma coisa que acho que abona a meu favor, que é: eu não tenho medo de falhar. Outro dos lemas, que é: quem não aceita falhar, não está pronto pra vencer. E eu não tenho medo. Eu não tenho medo de errar e voltar atrás e dizer: "Eu errei aqui, vou fazer diferente". Então o fato de eu permitir-me falhar, faz com que eu esteja em constante evolução para melhor. E eu percebi que falhei nessa altura, reconstruí-me, reformulei-me de acordo com a minha essência e com os meus valores. Caí e depois foi, pra mim, o topo do meu desenvolvimento pessoal. Foi efetivamente aos 30 anos, quando eu me inscrevi numa certificação internacional em coaching para ajudar mais os meus clientes, já em nutrição, já não estava na loja, mas que efetivamente foi uma dupla ajuda, não só para os meus clientes, mas para mim também me permitiu afinar muito mais-
A mentalidade.
A mentalidade, o meu autoconhecimento. Repara, a beleza da vida está em nós sermos todos diferentes. E hoje em dia parece que todos querem ser iguais. Compreendes? Uma das coisas que mais me caracteriza é a minha essência e a genuinidade. Não me vais ouvir dizer que gosto uma coisa se eu não gostar. Limite fico calada, não digo nada. Então se eu te digo que gosto é porque eu gosto mesmo. Eu não estou à espera que os outros me validem. Eu tenho a minha própria validação. Há opiniões pra tudo, tu podes ter a tua, eu posso ter a minha e está tudo certo. A tua não tem que ser igual à minha. E eu gosto muito de me manter fiel à minha essência. Então o facto de eu me definir e ser diferente, eu não me importo. E isso marca a diferença e faz diferença neste mundo de hoje em dia onde todos querem ser iguais.
E tu achas que o teu sucesso parte um bocadinho por aí? Porque eu acho-
Totalmente.
Ou seja, ser nutricionista e passar um plano alimentar, tal como estavas a falar hoje em dia. Nos stories, eu estava a ver os teus stories sobre valor.
Certo.
Ou seja, todas fazem e é um mercado supersaturado. Achas que o teu sucesso vem da tua essência e de passares essa confiança?
Totalmente.
Porque muitas vezes as pessoas que vão, as tuas clientes e as pessoas que vão pedir ajuda, são pessoas com pouca confiança, que não acreditam que vão conseguir.
Nós acreditamos mais do que elas.
E achas que o sucesso passa por aí?
Totalmente. Imagina, Mariana, aquilo que eu fiz, ninguém fazia. E por que eu estou a dizer isso? Já existiam nutricionistas no social, nas redes sociais, já existiam quando eu comecei. Só que eu nunca me quis colar à imagem de ninguém. Eu nunca quis fazer o que já estava a ser feito. Eu fiz o meu processo de desenvolvimento pessoal e pensei: nutrição está intimamente ligada com isto. Eu trabalhava num ginásio e as pessoas vinham às consultas porque tinham as consultas de oferta. E eu não tinha resultados. Ou quando tinha era porque a pessoa realmente era mesmo extremamente focada e alinhava naquilo que eu estava a dizer. E eu pensei: como é que eu consigo? Eu sou extremamente orientada pro resultado. Por isso eu falo muito da taxa de sucesso dos nossos clientes, 96%, porque pra mim isso é importante. Primeiro, é importante a qualidade e depois o resultado. Se o cliente não tiver resultado, ele pode estar a falhar em algo, mas eu também posso estar a falhar em algo. E isso pra mim, eu não quero que isso aconteça. Então eu pensei: como é que eu posso maximizar aqui os resultados? E o desenvolvimento pessoal, o autoconhecimento e a mentalidade vencedora são fundamentais para tu conseguires não só cumprir um plano, porque não é só cumprir um plano, é tu saberes lidar com os teus hábitos antigos, porque eles estão lá. Sabes que hábitos não se mudam? Hábitos criam-se. Então se tu crias novos hábitos, perfeito. Então e os antigos, o que tu fazes com eles? Tu tens que saber lidar com eles. E só trabalhando a tua mente é que tu consegues lidar com os hábitos antigos, porque eles vão aparecer. E a diferença entre quem consegue e quem não consegue, é quem sabe lidar com os obstáculos, quem sabe ultrapassá-los, porque eles vão existir sempre, como em toda a vida, e ainda bem, porque senão era uma seca.
E conseguir também ter confiança no processo. Lá está, essa positividade que tu passas.
Certo.
Eu acho que é muito difícil lidar quando tu tens um momento mais baixo e tu deixas-
Existem.
É isso, deixas-te ir abaixo e depois sentes que não és capaz.
Claro. O que eu fiz diferente foi o quê? Foi aliar o desenvolvimento pessoal à nutrição, que não existia. Saúde é algo que é visto como muito o doutor, a bata e depois o paciente, o cliente. E eu sou zero a profissional que vê as coisas dessa forma. Eu vejo a pessoa, está aqui a Mariana e eu sou a Diana. "Olá, Mariana". Dou um abracinho, quando era o presencial, agora o nosso método é 100% online, mas nós conseguimos ainda assim chegar à pessoa Por quê? Porque estamos diariamente com ela. Quando eu fui para as redes sociais em 2020, eu tinha muito medo, Mariana. E já te disse aqui que eu não me importo com o que dizem da minha essência, mas quando toca na parte profissional, tu tens pares, tens outros nutricionistas. E o meu maior medo era o que iam dizer, o que iam pensar. E se eu estivesse a fazer algo de errado? Mas eu percebi que eu não estava a fazer nada de errado. Eu simplesmente estava a usar a nutrição da forma em que eu acredito nela, que é com o desenvolvimento pessoal associado e olhando para a pessoa como uma pessoa e não como um número.
Como um serviço personalizado.
Exatamente.
E como é que tu chegaste a essa conclusão? Também porque foste para o ginásio.
E no ginásio percebi o que queria e o que não queria fazer.
Qual foi a tua relação com a comida ao longo da vida? Sempre foi estável e tu sentiste que havia, ou seja, como é que tiveste essa calling de querer ajudar as pessoas com a comida?
Imagina, eu lembro-me de ter 12 anos e estar a analisar rótulos alimentares, que é uma coisa zero normal. E era Chocapic, que é uns cereais nada saudáveis, agora estão mais porque tem metade do valor de açúcar do que tinha na altura, mas ainda assim não é uma coisa para recorrentemente. Depende, podemos sempre introduzir de alguma forma. Mas eu lembro-me de estar a comer e a ver: "Vitamina A, vitamina B". Não percebia nada daquilo, mas adorava ler e gostava de saber. E quanto às calorias, sempre gostei muito e fui uma pessoa muito preocupada com a minha imagem, com a minha saúde, sempre gostei de treinar. E ao longo da minha vida, eu não sou a típica magra que é sempre magra e sempre foi magra. Vou tendo aqui algumas flutuações de peso, também de acordo com a altura, com a fase, gravidez. Tenho síndrome dos ovários poliquísticos, portanto, é uma patologia onde quando tu não estás a fazer a toma da pílula, se não tens muito cuidado com determinadas quantidades de determinados alimentos, podes aumentar de peso sem perceber bem na altura o porquê, porque eu também não sabia que tinha síndrome dos ovários poliquísticos. Houve fases da minha vida onde tive mais 15, mais 20 quilos. E tudo o que eu fui construindo, a metodologia emagreça sem dietas, foi toda testada por mim. E continua a ser, porque eu a aplico diariamente em mim. O autodiálogo que eu tanto falo, de tu falares contigo própria para saberes fazer as melhores escolhas e decidires, eu faço diariamente. Então é muita mentalidade aliada ao processo de emagrecimento. Mentalidade vem antes do emagrecimento, ponto. Testei, fui aprendendo, fui percebendo o que é que as pessoas também me davam de feedbacks, como elas se sentiam mais confortáveis, como é que resultava melhor, como é que não resultava. Por exemplo, o mais espelho, menos balança, e aqui as calças que nós usamos hoje em dia. Eu sempre fui apologista. No ginásio eu percebi perfeitamente que eu não queria trabalhar com balança, mas todas as nutricionistas trabalhavam com balança. Como é que eu ia dizer aos meus clientes que eu não ia trabalhar com balança? Mas disse, a partir do COVID. Quando o COVID entrou e eu comecei a fazer a metodologia 100% online, o meu primeiro pensamento, e quem me dera que não tivesse acontecido o COVID, como é óbvio, mas nós tivemos que nos reinventar enquanto sociedade. O meu primeiro pensamento foi: "Agora é que eu vou deixar de usar a balança". E a partir daí-
Se agora não há solução.
Não há obrigatoriedade. "Ah, mas como é que vai fazer? Como é que me pesa?" Eu não a peso. Vamos usar medidas, vamos usar calças, vamos usar outras coisas. E hoje em dia, a questão das calças é fundamental, porque tu vestes umas calças. Estavas a falar há pouco do processo de confiança. Tu vestes umas calças que não te servem, que não te passam da anca e que passado três, quatro semanas já não fecham, mas já sobem, é impagável.
Valor na balança que...
O valor na balança é mais um estereótipo e algo que foi criado com o avançar dos anos.
Sim, e cria aquela pressão. Eu lembro-me que tive fases um pouco mais complicadas, em que estava constantemente a pesar-me todos os dias, e depois há flutuações todos os dias normais.
Diariamente.
Diariamente, que causam uma pressão e uma ansiedade desnecessária.
Totalmente. Imagina, tu podes acordar com menos 3 quilos e ao final do dia tens mais 3 quilos. E são flutuações ou hormonais, ou intestinais, ou, por exemplo, se beberes álcool, também pode impactar. Repara, a balança é só um número, compreendes? E desde que tu estejas no intervalo, óbvio, quando tu queres um processo de emagrecimento, à partida tu não estarás dentro do peso saudável. E nós pesamos no início e no fim do processo. Mas durante o processo não há necessidade de estares a pesar constantemente, porque isso não diz nada sobre a tua criação de novos hábitos, sobre aprenderes a lidar com os hábitos antigos, sobre todo o processo que depois te vai garantir uma manutenção, uma aprendizagem. E real, lidar bem com a alimentação e com o teu corpo, com a tua autoimagem, isso não te ensina rigorosamente nada. Por isso é que é tão importante o espelho, e a balança fica de lado. Ela é importante, sim, no início e no fim do processo. Durante o processo, as calças são poderosas. Repara numa coisa: para ti é poderoso quando tu sobes na balança e vês que o número baixou, mas são muito mais as vezes que tu sobes e aquilo ou não baixou, ou não baixou tanto como tu querias, ou até aumentou, e as calças, isso nunca vai acontecer, porque elas vão sempre subir mais um bocadinho, e as fotos são muito poderosas. Repara, quando tu vestes umas calças que não te passam da anca e passado X tempo, que varia de pessoa para pessoa, já estão a subir e a fechar, o futuro está a criar o teu presente. E por quê? Porque o objetivo que tu queres, que é vestires aquelas calças, está a fazer com que tu cries novos hábitos, aprendas a lidar com os antigos, faças desporto ou não, há pessoas que emagrecem com e outras que emagrecem sem. É importante o desporto, sim, mas tu não precisas dele para emagreceres, mas ele está a criar o teu presente, porque tu estás a fazer pequenas ações e pequenos passinhos que te vão levar a concluir aquele objetivo do futuro. E o objetivo do futuro, que é vestir aquelas calças, depois pode passar por vestir outro macacão ou outras calças que tu tens, é outro objetivo. Então construção de objetivo presente, baseado em fatos que queremos no futuro, é muito poderoso.
E falando também de outras dietas que existem muito na internet e também são muito partilhadas. Dietas iô-iô, cetogênicas, em que se come muito poucas calorias, produtos processados. Qual é a tua opinião sobre o impacto que as redes sociais têm promovendo estas dietas e que danos é que estas dietas podem fazer numa paciente? Tens muita gente a chegar a ti que fez esse tipo de dietas?
Sim, não te sei dizer em porcentagem, mas muitas. Agora, o que eu te posso dizer sobre isto é, Mariana, as pessoas procuram resultados rápidos. E ao procurar os resultados rápidos, é normal que tu, que já fizeste tanta coisa, tantas dietas, que tu deixes de acreditar e que, ainda assim, quando te apresentam uma solução milagrosa ou imediata, tu cedas e vás tentar fazer. Então eu não sou contra nem a favor. Óbvio que essa não é a minha linha nem a minha abordagem. O que eu costumo e gosto de passar para o outro lado da mensagem é: a escolha é tua. Então tu tens que ser informada e perceber: é isto que eu quero fazer? É isto que vai a longo prazo trazer aqui uma confiança, um amor-próprio, uma autoestima, um saber lidar com a alimentação, que me vai manter com o corpo que eu gosto e com o que eu gosto de estar e me sinto confortável? Sim ou não? Eu acho que não, mas aí a decisão é da pessoa. Então daí eu dizer que essas dietas vão sempre existir, vão sempre surgir cada vez mais. E surgem sempre porque há uma necessidade.
De querer um peso rápido.
Rápido, e uma perda de peso. Por isso é que nós não trabalhamos com balança, por isso é que nós trabalhamos com o espelho, com autoestima, com amor-próprio, com criação de novos hábitos e aprender a lidar com os hábitos antigos. E isso faz toda a diferença. Agora, dá trabalho? Dá, minha gente, e vai dar sempre. Quando nós queremos uma coisa sustentável e com resultados, vai sempre dar trabalho. Claro que dá mais trabalho eu ter que me focar em mim, nas minhas crenças, nos meus valores, no meu propósito. Muita gente nem sabe qual é o propósito delas e está tudo certo, não tem que se sentir mal por isso. Agora, tem que fazer um trabalho de busca, porque muitas vezes não é aquilo que nós sabemos que queremos fazer. O que não queremos fazer também nos ajuda a orientar para aquilo que queremos fazer. Então nós temos que testar. "Olha, vou experimentar fazer isto". Resultou? Boa. Não resultou? Então vou experimentar fazer outra coisa. E isto vai construindo o nosso caminho. Então mais importante do que a pessoa querer efetivamente uma perda de peso rápida, é como é que vai fazer e vai ter que trabalhar em si e vai ter que perceber que há coisas que vai deixar de lado. Há outras que vai aprender e que até vai gostar mais, mas esta mudança vai ter que existir. Não há emagrecimento sem mudança de mentalidade, não há emagrecimento sem uma mudança interior, porque se houver, é uma coisa rápida e insustentável.
Imagina que alguém está a passar por uma fase mesmo má, não vê a luz ao fundo do túnel, não sabe por onde sair e não tem possibilidade agora de investir numa nutricionista, por exemplo. Por onde é que passa o processo? O primeiro passo, rodear de pessoas que influenciem de outra forma, porque também tem um impacto.
Totalmente. Tu quando agora perguntaste relativamente ao impacto das redes sociais neste processo. Todos nós somos influenciáveis, até os influencers são influenciáveis.
Claro.
Mas tu só te deixas influenciar por aquilo que tu queres. Repara, se eu sigo uma pessoa que de repente eu deixei de me identificar com ela e deixei de gostar do conteúdo que ela dá e que não vai de acordo com a minha essência, para que eu a continuo a seguir? Então eu tenho a opção de deixar de seguir e de seguir pessoas que efetivamente me influenciam mais e positivamente noutras áreas, compreendes? Então repara, a frase é sempre a mesma, mas é que é verdade, a escolha é sempre nossa. Não tens dinheiro para investir agora, tudo certo, mas por onde é que tu podes começar pequenas mudanças que tu fazes agora, que tu sabes que não estão corretas, que te vão começar a moldar o caminho e traçar o caminho de outra forma? Há um exercício que eu costumo dar às clientes muito simples, que é: uma folha e uma lista daquilo que tu fazes, as coisas boas e as coisas menos boas. E o que tu podes mudar dessas coisas. Então imagina, quando uma pessoa diz: "Eu não tenho tempo para treinar", é mentira, Mariana.
Ou olhar para aquilo também como: "Tenho que treinar duas horas por dia".
E não só, porque aquilo não é prioridade da pessoa. Quando eu comecei a fazer o meu desenvolvimento e a perceber, eu dizia: "Eu não tenho tempo para isto". Tu não me vais ouvir nunca a dizer "eu não tenho tempo para isto". Não é a minha prioridade.
Eu dizia muito: "Eu não tenho tempo para cozinhar, eu só tenho tempo para pausar uma torrada", até as coisas correrem mal.
Porque não é tua prioridade. Quando é a nossa prioridade, nós damos um jeito. Então aqui a questão é: o que tu podes fazer que neste momento não estás a fazer? Por exemplo, o cozinhar. Tu começaste a cozinhar como? Estás a cozinhar agora, não estás?
Sim.
Estás a cozinhar. E o que te fez mudar?
Foi principalmente focar na saúde, porque fiz umas análises na altura, estava tudo errado.
Ficaste assustada?
Fiquei assustada.
Afinal tens tempo para cozinhar, não é?
Mudei as minhas prioridades completamente.
Organizaste-te de outra forma para conseguires começar a cozinhar. Então é olhar para a lista do que está a ser feito e está a ser bem feito, check, continua, mas não está a ser bem feito. Então o que eu posso fazer para mudar isto? Como é que eu posso fazer de forma diferente? Porque há uma coisa que é básica, mas às vezes o básico nós estamos tão iludidos com outras coisas que nem percebemos que é por aí que tem que ir. Tu se queres resultados diferentes, Mariana, tu tens que fazer diferente. Eu não posso querer ser magra com hábitos de quem tem mais 20 ou 30 quilos. Não dá. Então é perceber o que está a ser feito de forma menos correta e o que eu tenho que mudar. A ajuda de profissionais é fundamental A meu favor eu falo, senão não tinha trabalho. Mas a vontade, a mudança, a resiliência, a consistência, a disciplina, nós ajudamos, porque nós acreditamos mais do que a pessoa e damos-lhe orientação para. Mas se a pessoa não fizer a parte dela, não há nada que nós possamos fazer ou dizer que ela mude. Então a mudança vem da pessoa. Não tem dinheiro. Eu também não tinha dinheiro quando comecei em 2020. Sabes porque se chama "Nutrição com Diana Dinis"? Não tinha dinheiro para registrar a marca. Então Diana Dinis é a única nutricionista que existe, porque eles só deixam registrar na ordem um nome por-
Primeiro e último.
Exatamente. Portanto, não há o duplicado. Então por isso se chama "Nutrição com Diana Dinis". E eu fiz na mesma. Então é a mesma coisa com o negócio, é a mesma coisa com os hábitos alimentares e o processo de emagrecimento. "Não tenho dinheiro, mas eu quero muito". Tá, faz a lista. O que podes mudar? O que pode ser diferente?
E também não precisa ser tudo de uma vez.
Não precisa, nem deve. Porque imagina, é muito impactante tu quereres mudar. Por isso é que eu há pouco disse que podes não treinar logo. A maioria das nossas clientes não começa a treinar. Começa pela reeducação dos hábitos alimentares, perceber quais são os hábitos antigos, perceber quais são os novos que temos que criar e vamos fazendo aqui uma gestão de lidar com os novos e com os antigos. Mas depois: "Olha, eu gostava de treinar". Introduz. Mas é uma coisa de cada vez. Por isso é que as pessoas acham, era o que dizias há pouco, as pessoas acham que é difícil, porque acham que têm que mudar. Fazem esta lista.
É segunda-feira, vou começar com isso tudo.
E fazem esta lista. E esta lista dá, imagina, 10 coisas que a pessoa tem que mudar. Tem que mudar isso tudo. "Oh, meu Deus, segunda começo" e depois nunca começa.
Porque é logo muita pressão de muita coisa diferente.
Olha pra aquela que queres começar a mudar agora. "Olha, vou começar por esta". Perfeito. Já é melhor do que era ontem, porque já há uma coisa que fazias menos bem, que já estás a fazer melhor. Então bora lá, depois aos poucos vai se fazendo.
Já leste os "Hábitos Atômicos"?
Já li os "Hábitos Atômicos". Eu amo ler tudo que é-
Desenvolvimento pessoal
...segredos de tudo.
Mas passa muito por aí.
Milionária, as 13 coisas que os milionários fazem, tudo, porque apesar disso falar tudo em dinheiro, milionários.
É mentalidade.
Nunca é sobre dinheiro. Não é sobre dinheiro. É muito mais do que dinheiro. É sobre pessoas, é sobre hábitos, é sobre mentalidade que faz efetivamente tu chegues onde tu queres chegar. A mente limita-te completamente. Ou potencia-te.
Aquele curso que tu fizeste de coaching acrescentou-te muito para lidar também com pacientes no dia a dia?
Eu quando me inscrevi no curso, era esse o objetivo, mas ele mais do que isso, porque eu já tinha skills, eu de uma forma quase que intuitiva e inata, eu já o fazia. Mas ajudou-me muito mais a mim, porque eu com aquelas ferramentas, eu comecei a criar a minha metodologia, porque eu juntei a nutrição ao desenvolvimento pessoal. Então a minha metodologia é um mix de tudo isto que faz com que efetivamente a pessoa se sinta. O maior feedback que nós temos é: "A minha vida mudou completamente, agora com o virar do ano, foi o melhor investimento de 2024 que fiz", porque efetivamente a pessoa muda de dentro pra fora e a percepção com que as outras pessoas, eu falava disso hoje, a percepção com que as pessoas te veem é totalmente diferente, sabes por quê? Porque a percepção como tu te vês é totalmente diferente.
A energia passa.
As pessoas veem-te como tu te vês, compreendes? Por isso, quando alguém diz um comentário menos positivo ou algo, aquilo é sobre a pessoa, não é sobre ti, porque tu até podes estar super bem com aquilo e a pessoa está a comentar de uma forma mais negativa. Aquilo é o que a pessoa vê, a pessoa vê a sua imagem, nós vemos a nossa imagem. Quanto mais feliz tu fores, mais feliz tu vês o mundo e mais feliz o mundo te vê. Compreendes?
E para além de ser rodeada por uma equipa que te ajude no processo, tu achas que rodear-se de pessoas à tua volta, de amigos, etc, família que te apoie também é importante?
Totalmente. Imagina, Mariana, a pirâmide do desenvolvimento pessoal que nós temos no nosso Emagrecer sem Dietas, ela começa pelo teu propósito, depois vai para os valores, depois vai para os teus objetivos, que tu queres efetivamente, crenças. Grupo de influência, e aí chegamos onde tu estás a dizer. Nós trabalhamos também o grupo de influência. Às vezes, por exemplo, família, tu não podes, simplesmente podes, mas à partida não queres, desligar da tua família. Olha, imagina a tua mãe, tens uma relação, não sei, estou a falar de cor, mas imagina, vou pôr aqui uma situação, um caso. Tens uma relação super boa com a tua mãe, adoras, a tua mãe dão super bem, mas quando toca no assunto da alimentação, a tua mãe diz-te coisas como: "Ai, estás tão bem, por que estás a fazer isso outra vez?" Ou algo como: "Vai ser mais uma, Mariana".
"Está cheia de dietas".
"Vai ser mais uma, Mariana, para que vais fazer isso outra vez? Por amor de Deus, estás bem assim". A pessoa está a ver a sua imagem. Eu tenho sempre um caso que eu digo, que é: os meus avós, eu sou de uma terrinha chamada Tábua, perto ali da Serra da Estrela, e há muitos enchidos, a comida zero saudável. E os meus avós, sempre que eu ia lá, se o meu avô me dizia: "Ai, estás tão magra, pareces um bacalhau no rabo". Dizia-me sempre estas coisas que são, eu ficava super feliz, sabes por quê? Porque eu estava bem, tinha a certeza. Se ele me dizia: "Oh, filha, estás mesmo bem agora". É porque eu estava mais gordinha. Ele estava a ver a sua imagem, compreendes? E pra mim até era o oposto, porque quando ele me dizia que eu estava magrinha, é que eu me sentia bem comigo própria. Se ele me dizia que eu estava bem, então era porque eu já estava mais gordinha, já estava ali a aumentar um bocadinho o peso. Isto pra te dizer o quê? Ele fazia com maldade? Como é óbvio que não. Os meus avós são as pessoas mais bondosas que eu conheço, mas ele estava a ver a imagem dele. Ele não tinha aquele comentário de forma depreciativa ou a magoar. Atenção, também há pessoas que o fazem de forma maldosa, compreendes? Mas este não era o caso. Então eu sei onde é que tinha que encaixar este comentário. Aprender a lidar com o nosso grupo de influência é muito importante. Família, tu não podes, ou se vais fazê-lo, está tudo certo, mas à partida tu não vais querer cortar. Então tu tens que saber que aquele comentário está a ser feito De forma maldosa ou não. Se é maldosa, tu podes te posicionar e podes dizer: "Olha, eu não gosto que tu me digas isso."
Educar, também.
Educar a pessoa, porque muitas vezes a presença de comentários tem a ver com a ausência de limites da nossa parte. Que se tu disseres: "Olha, eu não gosto que tu me digas isso. Olha, eu não quero, tu estás me a magoar a dizer isso." A pessoa não te vai voltar a dizer, e se voltar a dizer, tu tens que cortar com a pessoa, porque é uma pessoa que não te está a ouvir, não te está a ter empatia suficiente, nem a ser compreensiva contigo. Tu colocares limites também é importante e saberes colocá-los também, porque a maioria das pessoas não sabe dizer não.
Não. Temos medo, vai magoar a outra pessoa.
O que a pessoa vai pensar ou o que vai dizer.
Vai achar que eu não gosto dela.
Mas tu a dizeres isso, tu estás a impactar diretamente e negativamente em ti ou não dizeres que não àquela pessoa.
Estás a pôr em primeiro lugar o outro do que a ti.
Preferes agradar a outra pessoa do que efetivamente estares fiel à tua essência. Isso aí é um equilíbrio, é um jogo de cintura que tem que se ter, mas que é importante ter limites. Então grupo de influência é fundamental, rodearmo-nos de pessoas positivas, sim, que compreendam, que nos apoiem, que nos incentivem, mas as outras também podem existir e nós temos que saber lidar com elas.
E por que tu só escolheste mulheres pra tua equipe?
Olha, trabalho com dois homens, mas eles estão mais em back office.
É? Achei que era só mulheres, por acaso.
Não, é mais em parte de-
Na parte da nutrição é mais-
Não, nutrição é só mulheres. Repara, é algo que foi evoluindo e que foi evoluindo nesse sentido, mas eu sempre quis ajudar muito mulheres. E esse querer ajudar muito mulheres, depois fez com que na minha equipe eu também quisesse só ter mulheres. Repara, a minha equipe são os meus primeiros clientes. Então, se eu quero muito ajudar mulheres, as mulheres da minha equipe eu também as ajudo com trabalho, com felicidade, a serem remuneradas, a terem reconhecimento profissional. Então eu acho que parte daí, de eu querer tanto ajudar mulheres, que é transversal tanto para o cliente como em termos profissionais. E isto parte de um ponto em que acho que a opinião acaba por ser geral, que mulheres sempre se atacam mais, sempre se criticam mais. E eu quero muito desmistificar isso, porque mulheres também se podem apoiar muito. Quem nunca ouviu: "Ah, equipe de mulheres, meu Deus do céu, que horror."
Rivalidade feminina, sim.
Que horror trabalhar numa equipe só de mulheres muito complicadas. Sim, somos mais complicadas. Sim, hormonalmente também somos totalmente diferentes dos homens. Sim, temos que gerir as coisas de forma diferente, mas é possível. E quanto melhor nós estivermos conosco próprias, o tal autoconhecimento, o tal desenvolvimento pessoal, melhor nós vamos estar com os outros. Então não tem a ver com ser mulher ou com ser homem, tem a ver com o trabalho pessoal que nós temos que fazer interiormente e que dá mais trabalho nas mulheres, provavelmente, sim, mas que é possível.
Boa, também concordo. Mas acreditas que muito desta rivalidade cria esta imagem tóxica também nas redes sociais de que eu tenho que ter um certo corpo porque me vou comparar com as outras pessoas à minha volta. Existe também muito esta pressão.
Certo. Uma das coisas que nós fazemos também no método é a não comparação entre clientes. Eu recebo diariamente, Mariana, mensagens a perguntar: "Ah, que grande resultado, foi em quanto tempo?" "Ah, também queria, mas nunca vou conseguir." Isto é inconscientemente tu já fazeres comparação.
Deixa eu ver se o corpo dela é parecido com o meu pra ver se-
Se consigo no mesmo tempo fazer a mesma coisa. E não tem nada a ver com isso. Repara, comparar-nos é quase uma coisa inata, vai acontecer sempre. Mas daí tu teres a pirâmide da base.
É ser como uma inspiração ou como algo negativo que vai afetar o teu processo.
Totalmente. E imagina, nós temos uma comunidade de mais de 900 mulheres, que é as Boss Ladies, as que entram no Emagreça sem Dietas, depois acabam por ficar numa comunidade. Essa comunidade é muito poderosa, porque não há julgamento, não há crítica e há sim motivação e inspiração. Todas puxam umas pelas outras. Mas um dos comentários que nós mais ouvimos e lemos lá na comunidade é: "É a primeira vez que eu estou a sentir que alguém puxa por mim positivamente. É a primeira vez que eu sinto que não há julgamento, que ninguém me está a criticar, que eu posso falar o bom e o menos bom de forma tranquila."
Um espaço seguro.
Exatamente. E onde só há mulheres, compreendes, Mariana? E daí eu achar que a comparação vai existir sempre. A questão é: como é que tu lidas com a comparação? Eu comparo-me. Eu acredito que tu também te compares. Eu acredito, e acredito toda a gente que está nesta sala, que se compare. Mas a questão é: o que tu fazes com essa comparação? Olha, ela tem aquilo, gosto imenso. Podes criticar? "Ah, de certeza que foi fruto do acaso, foi sorte."
Foram os pais que ofereceram.
Ou o marido é rico, dizem. Mas pronto, o que seja. Ou podes dizer: "Boa, vou ver como ela está a fazer e o que eu posso fazer pra me inspirar, pra fazer também igual e pra crescer de acordo com a minha essência e ao meu ritmo." Então comparação existirá sempre. É o que tu fazes com essa comparação. Podes te inspirar ou podes limitar-te. Eu prefiro sempre inspirar e ensinar isso também às nossas clientes.
Por acaso eu sempre que fiz também organizei alguns eventos através das redes sociais e tudo. E mesmo quando penso na minha estratégia, às vezes penso: "Ah, se calhar, o conteúdo que eu faço até daria pra homens" e até tenho alguns homens a acompanhar-me, mas eu prefiro mil vezes serem mulheres.
Claro.
Organizar eventos só pra mulheres, corrida só pra mulheres, porque toda a gente sente um espaço muito mais seguro. Parece que consegues abrir mais.
E não tem a ver com feminismo, nem com machismo, não é nada disso. É simplesmente a forma como tu mais gostas de trabalhar.
E sentes-te compreendida.
Exato, totalmente. Imagina. Perguntam-me muito: "Então, mas não acompanha homens?" Recebemos também diariamente mensagem. "Então, mas eu sou homem, pode?" Nós acompanhamos. Só simplesmente não é algo que divulguemos e não entra na comunidade, compreendes? Eu enquanto profissional, o que eu mais quero é ajudar mulheres, esse é o meu primeiro objetivo, por isso estar só aqui cingido às mulheres, mas eu quero ajudar toda a gente. Se a pessoa acha que pode ser ajudada por mim, eu tenho todo o gosto em ajudar. A equipa tem todo o gosto em ajudar, mas não é algo que eu vá divulgar, porque não é algo que me interesse alcançar mais para ter enquanto cliente. E principalmente os maridos, normalmente também acabam por-
Vem os resultados da tua cliente.
É, fazem por arrasto. Acaba por acontecer, mas eu quero mesmo e gosto mesmo é de trabalhar com mulheres. Eu gosto sempre de desafios e de coisas difíceis, como eu costumo dizer. Então nada melhor que trabalhar com as mulheres, porque eu sei que nós conseguimos e que somos capazes e que se efetivamente estivermos de bem conosco próprias, nós vamos deixar de nos criticar umas às outras.
Qual foi aquele feedback que mais te marcou, que tu recebeste até hoje? Deves receber aos montes.
Agora fiquei assim, deixa-me ver.
Se te lembras assim algo que foi mesmo alguém que já tinha passado por muito e que fez mesmo a diferença.
Imagina, com aquilo que nós fazemos, é diariamente. Quando tu dizes que o Instagram é muito profissional, nós todos os dias colocamos uma transformação.
É muito à base de resultados.
Exatamente, os resultados, nós todos os dias recebemos e eu não posso dizer que há um mais impactante que o outro, porque eu com todos me emociono. As pessoas podem pensar: "Ah, tretas". Não é, é sério, eu agora já me estou a emocionar, porque imagina, tu perceberes o impacto que tu tens na vida daquela pessoa é surreal, eu sei aquilo que a equipa dá e a equipa faz uma transformação completa. E a transformação não é o corpo. O corpo é a ponta do iceberg. Tudo o que está lá por dentro que mudou, nunca mais vai ser igual. E daí as pessoas dizerem: "Foi o melhor investimento que eu fiz". E às vezes vão a medo, porque não é um programa com valor baixo, não é, mas também não é, porque o valor que é entregue é muito grande. O investimento da equipa é muito grande. E eu não me importo, porque era aquilo que eu falava hoje, não tem a ver com o preço, tem a ver com o retorno que tu vais ter. E eu quando invisto em algo, pode ser muito ou pode ser pouco, podem ser €10, podem ser €1.000, mas eu tenho que perceber que retorno eu vou ter dali. E se o retorno é muito, então até pode valer mais de €1.000. E o comentário assim mais impactante é: com cada transformação eu me emociono, com cada mudança de vida eu me emociono. Eu lembro-me agora de uma mais impactante, até duas. Uma, uma senhora que perdeu mais de 50 quilos e está conosco na comunidade até hoje. Nós chamamos que é a Boss Mor, porque é ela que comanda e que puxa. Ela está conosco há mais de três anos. Já tem os seus resultados atingidos, mas ela faz questão de estar lá na comunidade a puxar pelas outras e todos os dias fala com todas, é surreal. E depois outra menina, que ela agora até acabou por fazer também uma cirurgia, porque perdeu muito peso e aqui as peles não acompanham muitas vezes esta perda extrema. Depende geneticamente, mas da primeira não foi necessário, desta menina foi. E quando ela chegou ao pé de mim, ela disse-me assim: "Este corpo não sou eu". E isto é triste de tu perceberes que como é que uma pessoa há de gostar de estar em convívios, há de gostar de ir a festas.
Está constantemente a pensar no corpo.
Há de gostar de estar com o seu marido.
Afeta tudo na vida.
Tudo. E quando dizem isso, eu fico mesmo extremamente impressionada e hoje em dia ela já está incrível e isso toca-me sempre bastante. Portanto, não posso dizer que há uma melhor que a outra, todas são importantes, todas. E com todas me emociono e gosto de ler todas.
Acredito, deve ser mesmo fogo, deve ser surreal todos os dias ver o feedback.
E lá está, é o meu propósito, compreendes? Quando tu trabalhas, repara, eu trabalho muito, eu trabalho todos os dias, mas eu nunca sinto que trabalho. E isto diz tudo.
Para quem está a começar agora o ano com todas as metas de saúde, de hábitos, etc, qual é que achas que podes partilhar como se fosse o primeiro passo para agora este ano, 2025, fazer uma mudança? Por onde passa esse primeiro passo?
Por deixarem de estipular estas mudanças de "ah, agora"-
Deixar para dia um de janeiro.
De janeiro ou para segunda-feira. Esse é o primeiro passo. Por quê, Mariana? Porque não é isso que vai fazer com que tu mudes. Aquilo que eu disse há pouco de tu pegares no teu futuro e fazeres com que cries o teu presente, ou seja, que o teu futuro te ajude a criar o teu presente, é o mais importante. Então tu criares um vision board, tu vestires aquelas calças. Agora eu estou a falar direcionado para o emagrecimento e aqui para a imagem. Mas tu pegares naquelas calças que tu queres. Olha, hoje, antes de vir aqui para o podcast, nós fomos ali a uma loja. Encontrei uma menina e estava a falar com ela, e ela mostrou-me uma foto e disse assim: "Eu gostava de estar como estava aqui". Eu disse assim: "Ok, então tens calças em casa que vestias nessa altura?" "Tenho muitas." "Ok, vais pegar numas, vais vestir." Tu sabes que as pessoas não gostam de tirar foto quando chegam à primeira consulta, depois durante o processo e no final do processo aquilo é uma enxurrada de fotos, mas no início não gostam. E eu percebo por quê. Tu não estás confortável com o teu corpo, tu não gostas do teu corpo, tu não te sentes bem, mas essa foto é importantíssima. Esse vestir dessas calças é fundamental, sabes por quê? Porque parte daqui, vais te consciencializar. "Eu estou assim e eu não quero estar assim."
Sim, muitas vezes deixa-se andar o problema, fica para depois e nem sequer estamos a ver a dimensão do problema que está a ser-
Tu não materializas, não há algo físico. Porque repara, emagrecimento, perda de peso, é algo muito volátil, muito no ar, não é palpável. Tu vês-te ao espelho e tu não gostas, mas não é como, por exemplo, investires numa máquina de cabelo e fazes umas ondas espetaculares e é imediato. Percebes o que eu estou a dizer? O processo é mais lento e está tudo certo, porque a pessoa tem que aprender a desfrutar do processo. Então aqui o grande conselho é: faz um vision board do que é que tu queres mudar, aquela lista de tarefas, o que é que estás a fazer bem, check, porque também há coisas que fazes bem e também devemos saber valorizar. E o que não estás a fazer tão bem, então começa por uma, o que é que tens que mudar. E quando fores pegar nessa primeira etapa de mudança, veste essas calças que tu queres um dia vestir e todas as semanas tu vais pegar nessas calças e vais voltar a vesti-las. E aos poucos tens que ir fazendo pequenas mudanças, porque elas não vão servir só porque tu queres que elas sirvam. As mudanças têm que ir sendo feitas. Só que isso faz com que tu materializes o processo. Não é o número na balança que: "Oh, meu Deus, vou subir à balança, não sei se ele subiu, se ele desceu." Não! Nunca nos aconteceu, Mariana, as calças continuarem sempre iguais, no mesmo sítio. Nunca nos aconteceu as calças não subirem. E acontece muitas vezes o peso oscilar. Percebes a diferença? Do ponto de vista motivacional, é totalmente diferente. Então não digam coisas como: "Este mês é que é, agora é que eu começo", ou coisas rápidas. Desfrutem do processo, vai ser um processo e tem que ser um processo onde vocês aprendam. Eu sei que ninguém quer ouvir que tem que aprender, que é uma seca que dá trabalho, mas é a verdade.
Olha, Diana, sabes que uma vez eu ia fazer uma daquelas dietas malucas e estava eu numa consulta e, isto é chocante agora pensar sobre isto e como é que eu fiz uma coisa destas, mas a mentalidade da pessoa que me ia acompanhar neste processo era: "Amanhã começa a dieta. Portanto, tu hoje come tudo o que tu quiseres." E o corpo não é: "Não sou eu na mesma? Não estou a intoxicar o meu corpo na mesma?" Era: "Tu hoje come tudo, comes todas as porcarias que tu quiseres, a tua comida favorita, come isto e aquilo, e amanhã começas."
Mas aí, estás a ver? Por isso é que a mentalidade é tão importante e por isso é que eu gosto tanto de trabalhar isto em consonância. Porque repara, tu aí estás a partir de um pressuposto totalmente errado, que é: come tudo hoje, porque amanhã vais privar. Percebes o que eu estou a dizer? Imagina, e um processo de emagrecimento, tu tens que ter déficit calórico, ponto, mas tu não tens que ter privação. E esta menina que eu encontrei agora, antes de vir para aqui, ela disse-me assim: "Eu quero ter massas e quero ter pão." E eu: "Sim, e vais ter." E até o chocapique, como eu falei há pouco, tu podes ter. As pessoas acham que tem que ser coisas extremistas. "Olha, tens que fechar a boca. Queres emagrecer, tens que fechar a boca." Não é! Olha, outro dos feedbacks que nos dão muito é: "Eu acho incrível, eu consegui e eu não passei fome. E eu sinto-me super bem a fazer isto." Porque as pessoas até ficam incrédulas: "Como é que é possível? Eu estou a emagrecer e não estou a passar fome? Desculpa lá, este Emagrece Sem Dietas tem aqui alguma coisa errada, porque isto não pode estar a acontecer." Entendes? É quase como se fosse o estranho, mas não. Com equilíbrio, tudo se consegue. E aquilo que tu falavas há pouco do personalizar, eu saber o que tu gostas, repara, vamos supor, tu não gostas de queijo fresco e eu vou te dizer: "Não, tens que comer queijo fresco, porque o queijo fresco é saudável e vai te ajudar no processo de emagrecimento." Tu vais tolerar aquilo nas tuas primeiras semanas, a seguir esquece. E foi eu, com a minha aprendizagem também, enquanto ia conhecendo pessoas, ouvindo pessoas, que fui percebendo e aliando também aqui a parte da mentalidade e da personalização. Não, tu tens tantos alimentos que te podem ajudar e podem fazer a função do queijo fresco. Tu não tens que comer queijo fresco. Podes comer outra coisa qualquer.
Porque depois associas sempre este processo a ser-
Sacrifício
...infelicidade.
Exatamente. E não tem que ser.
E depois não é uma coisa que consigas fazer a longo prazo, nunca vai ser sustentável.
Nunca. E daí o nome da metodologia ser Emagrece Sem Dietas. Quando eu lancei o livro, eu tenho um livro que se chama "Emagrece Sem Dietas", e quando eu lancei perguntavam: "Mas o que é que é isso de sem dietas, emagrece sem dietas?" É porque não é a típica dieta. Tens uma restrição calórica? Sim, tens que ter, só assim o déficit calórico é que te vai permitir emagrecer. Só que tu não associas à típica dieta. É mentalidade, é autoconhecimento e sim, conhecimento nutricional. De nada te vale o conhecimento nutricional, nem a restrição calórica, se tu não tens as outras duas. Não vai ser exequível a longo prazo, não vai.
Olha, vamos só fazer as últimas perguntas finais, já estamos a chegar aqui mesmo ao fim. Eu sei que lês imenso, mas queria que me recomendasses um livro que aches que toda a gente devia ler.
Espera, deixa-me ver, porque eu leio muito associado à parte de negócio. Isto é giro, mas percebe também.
É mentalidade também.
Mentalidade. No negócio, como tu me perguntavas há pouco, eu não gosto de me inspirar noutras nutricionistas, nem em pares que fazem coisas semelhantes, porque a probabilidade de tu ires fazer semelhante, mesmo que não queiras, o teu inconsciente está lá. Então eu gosto de me inspirar noutras coisas. E, por exemplo, o mundo dos negócios é algo que me faz evoluir muito a minha metodologia, que nada tem a ver com o negócio, mas que tudo tem a ver, porque a mentalidade é a base e acaba por ser transversal. Então aquilo que tu falaste dos hábitos atômicos, mindset "Segredos da Mente Milionária". O último que eu li é "Cliente Feliz Dá Lucro". Este comprei no Brasil. Sempre que viajo também gosto de comprar livros locais, porque acabo também por enriquecer. Olha o título: "Cliente Feliz Dá Lucro". Não é interessante? Porque a verdade é: o meu cliente, se ele estiver feliz, ele vai me trazer mais clientes, ele vai me recomendar. E para mim, o principal que eu queria, que é o cliente feliz, ele já está. Então depois o teu negócio também evolui por acréscimo. E eles ensinam sempre algo. Ler, independentemente de qual seja o livro, vai te sempre enriquecer. Até pode ser um romance. Tu consegues sempre tirar ideias.
Tirar alguma coisa, criatividade.
Criatividade, algo que te faça evoluir o negócio. E o último que eu li foi este, o "Cliente Feliz Dá Lucro".
Esse não conheço, mas os outros três já li e gosto muito.
Gostas? Qual é que leste mais relativamente à mentalidade?
"Thinking Clearly" é bom.
Olha, "Diário do CEO" também.
"How to Win Friends & Influence People" também é bom, mais para comunicação.
Eu também li esse.
Leste?
Sim, li também.
"Diário do CEO" também li. Eu já li muita coisa.
É isso, imagina. Tu às vezes pensas, tu estás a indicar à pessoa para ler e ela vai ler, mas depois a pessoa não faz nada com aquela informação.
Isso eu também acho que é um ponto muito importante, que eu acho que há muita gente que lê e depois não aplica nada.
Não passa a ação. Então aprender ou ler e não passar à ação é a mesma coisa que não aprender. Mais vale não leres, porque imagina, ficaste com o conhecimento, mas de que aquele conhecimento te serve se tu efetivamente não passas à ação? E há pessoas que têm dificuldade e que procrastinam. Imagina, para mim, terapia é vida e toda a gente devia fazer terapia. Porque eu falo aqui muito de mentalidade ligada à nutrição, mas a nossa linha de atuação também tem limites e há coisas que nós não conseguimos trabalhar. Traumas, coisas que são do âmbito da psicologia, hipnoterapia, que podem e devem ser feitas para atuar aqui em conjunto também com a parte da nutrição. Então imagina, ler é fundamental. Fazer terapia eu acho que toda a gente devia fazer. Repara, eu comecei a fazer terapia o ano passado, porque achei importante fazer, e tem a ver com um trauma que eu desenvolvi aqui sem saber bem de onde, mas que tem a ver com o meu passado, tem a ver com a condução em autoestrada. Imagina, eu conduzo tranquilamente em todo sítio, na autoestrada fico extremamente ansiosa, pânico mesmo, então eu quis perceber de onde isto vinha. Mas repara, eu tive a capacidade de fazer o meu desenvolvimento pessoal.
Uma autoanálise.
Exatamente. E de inscrever-me em cursos e fazer e tudo mais. Mas há pessoas que podem não conseguir e está tudo ok. Então se tu tens essa percepção que não estás a conseguir sozinha, tu tens que investir. E deixa-me dizer-te uma coisa relativamente ao que tu há pouco disseste: "E se a pessoa não tiver dinheiro para investir nesta altura?" Mariana, eu só quero que as pessoas pensem nisto, que é: as pessoas não têm dinheiro para investir, mas depois compram viagens, continuam a comprar roupa, continuam a comprar coisas supérfluas.
Isso eu concordo muito.
Que nada ajudam a trabalhar o interior e a desenvolver. Quem sou eu para julgar ou acusar? Não é isso.
Cada um faz as suas escolhas.
Totalmente. Agora, são escolhas e são prioridades e a pessoa tem que refletir sobre aquilo que está a escolher. Uma pessoa que gaste muito dinheiro em roupa, que vá muito às compras e que não se sente feliz consigo, se calhar está aqui a tentar camuflar alguma coisa e tem que trabalhar essa coisa. Então a terapia é importante nesses casos. Se não conseguem sozinhas, têm que procurar ajuda.
Olha, houve uma altura em que eu me inscrevi no ginásio, que eu procurei um ginásio melhor, queria me sentir bem, já que passo muito tempo no ginásio, pensei: "Vou investir mais para estar confortável". E recebi comentários na altura do valor que eu pagava pelo ginásio. E eu pensar: o valor que eu pago, pagas se calhar numa noite fora.
Claro.
Com os copos.
Olha, Mariana, vou partilhar contigo aqui uma coisa, se calhar também estamos aqui a acabar. Mas que isto vai tudo bater ao mesmo, que é o desenvolvimento pessoal e o autoconhecimento e como nós nos sentimos conosco. Como eu disse, eu em 2020, não tinha sequer dinheiro para registrar a marca. E hoje em dia, felizmente, fruto do meu trabalho, e que muito trabalho e que muito me orgulha, porque o dinheiro que eu ganho é uma consequência daquilo que eu faço e o que eu faço preenche-me muito, como acho que percebeste aqui durante esta conversa, eu consigo comprar alguns artigos de luxo para mim. E eu sou aquela pessoa que está numa Primark e diz: "Estou aqui na Primark e está tudo ok". Como sou aquela pessoa que se tem uma mala de marca, que comprei, por exemplo, uma Louis Vuitton, que fotografo com a mala sem qualquer tipo de problema. Porque imagina, eu não estou a mostrar para os outros. Eu gostava de ter aquele artigo, eu quis comprar aquele artigo, felizmente trabalhei e fruto do meu trabalho, consegui comprar aquele artigo e está tudo bem. E recentemente recebi um comentário como: "Lá está ela a mostrar a mala". Mas imagina, quando eu mostro uma mala da Primark ou que comprei coisas na Temo, por exemplo, ontem comprei uns separadores na Temo, não recebo esse tipo de comentários. E isto diz muito sobre o quê?
Mas é a mentalidade portuguesa também.
Mas imagina.
Quem tem dinheiro é mau.
Mas percebe, a pessoa tem que mudar isso dentro dela. Repara, eu estou supertranquila com isso e por isso estar também a falar aqui. Eu não estou a mostrar para ninguém. Eu comprei porque era algo que me iria satisfazer a mim e fiquei muito feliz de comprar e de poder ter aquele artigo, porque eu gosto. Eu não estou a ter para mostrar aos outros, mas na percepção daquela pessoa, eu estou a ter para mostrar. Mas quando eu compro algo na Primark, já não há esse tipo de comentário. Percebes o que eu digo? Ou quando eu digo que estou na Primark, ou que estou numa Pull&Bear, ou estou numa Bershka, ou o que seja, já não há esse problema. Então esse problema não é meu, é da pessoa. Essas pessoas eu não quero que me sigam. São pessoas que para mim não me acrescentam, antes pelo contrário.
Não estão em linha com os teus valores também.
Zero. Isso é fundamental em tudo. Por isso é que na escada do desenvolvimento pessoal, propósito e a seguir valores. Porque tu tens que estar muito ciente e daí eu estar a falar disto Para terminar também esta questão do desenvolvimento pessoal. Tu tens que estar muito ciente de quais são os teus valores, de qual é a tua essência, o que te define para tu poderes te posicionar perante os outros, os tais limites que nós falávamos, e também saberes que às vezes tem que haver algum equilíbrio e pode não ser uma pessoa, até pode ser da tua família, mas limitar, dizer, verbalizar: "Olha, não gostava que dissesses isso. Olha, sabes que quando dizes isso magoa, eu gosto muito de ti." A pessoa se calhar até te vai dizer: "Desculpa, eu não fiz por mal." Então tu para te posicionares, tu tens que estar muito ciente dos teus valores. E quando tu constróis uma marca, essa marca pode não ter todos os teus valores. Por acaso a minha tem, porque eu gosto de ser empática, gosto de ser alegre, dinâmica e tudo isso são valores de Ana, que depois eu transpus para a marca Emagreça Sem Dietas e para a equipa. Mas podias não ter. Agora, os valores que estão na tua marca, eles têm que ser teus, porque senão vai soar a falso. Imagina o que era eu dizer que era superempática e superquerida no "Nutrição com Diana Diniz" e no Emagreça Sem Dietas. Depois a pessoa via-me na rua e eu era zero essa pessoa. Vai soar estranho, vai soar falso.
Sim, vai ser sempre uma personagem na internet.
E mais cedo ou mais tarde, a máscara cai. E não tem mal tu fazeres essa personagem, se estiveres de bem com ela. Compreendes o que eu estou a dizer? Agora, na maioria das vezes isso não acontece. E eu prefiro não fazer personagens.
Olha, ao longo do episódio já tivemos aqui muitos conselhos, mas a última pergunta para ti é: qual é que é o melhor conselho que tu recebeste recentemente e que te marcou?
Tenho tempo aqui para pensar, depois cortas.
Sim.
Melhor conselho.
Imagina, pode ser algo que ouviste num podcast ou num livro, alguém que te deu um conselho, uma mensagem-chave que ficou na tua cabeça.
Eu adoro ouvir podcasts, ler e agora quando tu me perguntaste isto, foi a primeira coisa que veio, provavelmente há aqui e tenho muitas outras, mas esta fica muito presente e tem a ver efetivamente também com o pouquinho que falámos aqui ao longo da conversa, que tem a ver com o teu futuro criar o teu presente. Imagina, o teu passado, tu não podes mexer nele, tu não podes fazer nada. Está feito, é passado. Já não há nada que tu possas fazer que o vá mudar. Agora, o teu presente e o teu futuro, tu podes mudar. E o teu futuro ajudar-te a construir o teu presente é importantíssimo. Óbvio que tens que ter aqui um equilíbrio. Não podes viver no presente, isso traz-te ansiedade.
No futuro.
Desculpa. Não podes viver no futuro, isso traz-te ansiedade, mas o futuro ajudar-te a criar o presente é fundamental, porque se tu não tiveres objetivos, tu moves-te a quê?
Não sabes qual é a direção.
Tu não estás orientada. É como o célebre exemplo do GPS. Tu metes um destino final e ele dá-te o caminho até lá. Se tu não tiveres o destino final, tu andas só a divagar. E isso eu acho que é importante em todas as áreas da vida, quer no negócio, quer na parte do emagrecimento, daí as calças serem tão importantes. Então usa o futuro para te ajudar a construir o teu presente.
Boa! Uma boa mensagem para terminar. Obrigada por teres estado aqui, gostei muito.
Obrigada. Também eu, Mariana