Não devia ser assunto, foi depois tornando-se assunto, acabou a ser “o” assunto. A falta de reação de Benfica e Sporting à morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, antigo líder e presidente honorário do FC Porto, foi falada ao longo de várias horas de emissões especiais que acompanharam as cerimónias fúnebres, ganhou outro peso quando André Villas-Boas, atual número 1 dos azuis e brancos, tomou uma posição pública e acabou por ficar como marca do dia em que os adeptos dos dragões se despediram da referência do clube de 87 anos.
“Amanhã [Segunda-feira] há uma cerimónia solene e vamos aguardar alguma resposta. Não achamos normal o tipo de comportamento que faz esquecer uma pessoa que marcou o futebol nacional e internacional, uma referência para o FC Porto. Custa-nos constatar este tipo de comportamento, principalmente quando após a minha eleição tentámos pautar-nos pelo encontro a três grandes, quatro ou cinco, no sentido de melhorar o produto, estabelecer novas relações e elevar o bom nome do futebol português. É uma perda enorme para a nação portista e não podemos deixar de lamentar que, até este momento, nem a mim nem ao FC Porto tenham sido endereçadas as condolências”, referira André Villas-Boas este domingo na chegada ao Porto.
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“Amanhã é o dia da despedida ao maior presidente do FC Porto e aguardaremos para vermos se teremos alguma representação institucional por parte dos dois clubes de Lisboa. Se assim for, achamos que é o mínimo de todas as formas”, tinha acrescentado. Conforme esperado, não aconteceu, sem que existisse uma explicação para essa tomada de posição em forma de silêncio. Por isso, o dia da última despedida a Pinto da Costa, que acabou por ter uma emotiva passagem pelo Estádio do Dragão antes de seguir para o cemitério do Prado do Repouso, onde foi cremado, terminou à noite com um comunicado a visar os rivais lisboetas.
Pedaços de história que contam a mais bela história ???? pic.twitter.com/MJJdrtTCUn
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“O FC Porto agradece as inúmeras mensagens de solidariedade com a família portista pela dor provocada pela morte do seu Presidente Honorário Jorge Nuno Pinto da Costa que recebeu dos mais variados quadrantes, entre clubes nacionais e internacionais e as mais altas instâncias governamentais e desportivas. O FC Porto não esquecerá todos aqueles que, de forma natural e com urbanidade, optaram por deixar uma palavra de conforto e solidariedade institucional neste momento de consternação e dor”, começou por assinalar o texto publicado pelo conjunto azul e branco através dos meios oficiais do clube.
Da mesma forma, o FC Porto regista a ausência de um cuidado semelhante por parte da direção de alguns clubes, indigno das Instituições que representam, revelando-se incapazes de cultivar princípios elementares de relacionamento institucional, razoabilidade e bom senso – valores fundamentais para o desenvolvimento do desporto português e para a boa relação entre clubes.”
“Dessa ferida que agora se abre, perde o futebol português e perdem sobretudo os seus adeptos. O FC Porto continuará a ganhar dentro e fora do campo. Outros – por medo, insegurança ou sobranceria – continuarão a acumular derrotas. Jorge Nuno Pinto da Costa deixou-nos muitas lições e, num dos seus poemas preferidos, indicou-nos o caminho: ‘Sei que não vou por aí!'”, concluiu o comunicado do FC Porto.
Comunicado ????⚪️
“Sei que não vou por aí!”
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Segundo soube o Observador, a atitude caiu particularmente mal no FC Porto e sobretudo em André Villas-Boas, que entende ter feito um “esforço” para mudar o paradigma existente em relação aos dragões e estar no centro de todas as decisões que possam beneficiar o futebol português como um todo deixando de parte as rivalidades. Em termos internos, foi também recordada a posição do líder portista por altura do velório de Manuel Fernandes, antiga glória do Sporting, com o presidente portista a deslocar-se a Alvalade para dar as condolências no plano institucional ao clube e ao homólogo, Frederico Varandas.