Sofás, vasos, candeeiros, malas, sem faltar, é claro, os tradicionais cestos. As peças que estão expostas a partir desta quinta-feira, 27 de fevereiro, no Arquivo Aires Mateus, em Lisboa, são o resultado de um trabalho de muitos meses que juntou designers contemporâneos, artesãos de cestaria tradicional e estudantes, parte da iniciativa Passa Ao Futuro e do projeto MADE IN – Plataforma para as Artes e Ofícios Contemporâneos e Design, e pode ser visitada até 15 de março.
Em 2024 a associação Passa ao Futuro, que tem por base um trabalho de pesquisa para documentar o património cultural imaterial dos artesãos e artesãs portugueses, investigou as técnicas de cestaria e desenvolveu dois projetos. O primeiro foi um programa de Residências Colaborativas, em que cinco designers e cinco artesãos trabalharam em conjunto na criação de novas peças. Participaram deste projeto, entre novembro de 2023 e setembro de 2024, o designer alemão baseado no Porto Christian Haas, o diretor do Loulé Design Lab, Henrique Ralheta, a arquiteta e designer Joana Astolfi, os designers e diretores criativos franceses Toni Grilo e Sam Baron. Do lado dos artesãos, Nuno Henriques, criador da marca Toino Abel, Domingos Vaz, cesteiro de cana, Isidoro Ramos, especialista em cestaria em esparto, Abílio Pereira, cesteiro de vime e Sónia Mendez, especialista em cestaria de palma. Deste trabalho conjunto resultaram 13 peças distribuídas por cinco coleções.
▲ À esquerda a arquiteta Joana Astolfi e a artesã Sónia Mendez. À direita, o designer Christian Haas e o designer Domingos Vaz
© Inês Silva Sá
Já a Escola de Verão, segundo projeto desenvolvido pela iniciativa, decorreu entre 22 de julho e 2 de agosto em Loulé e reuniu dez estudantes portugueses e estrangeiros que aprenderam e colaboraram com artesãos especializados em diferentes técnicas e matérias-primas. O desafio passou por repensar as técnicas tradicionais da cestaria e aplicá-las em peças utilitárias com designs sustentáveis. Para isso, os itens foram desenvolvidos em materiais não-tóxicos, biodegradáveis e pensados para que possam ser facilmente separados, reciclados, reutilizados ou reparados.
O resultado são peças de mobiliário, decoração e acessórios, como cadeiras, bancos, candeeiros, vasos ou malas multi-funções. A exposição “Made In – Residências e Escola de Verão – Design com Fibras Vegetais” permanece aberta ao público até 15 de março no Arquivo Aires Mateus, Rua Silva Carvalho, 175, em Campo de Ourique, Lisboa. De terça-feira a sábado, das 15h às 20h.
[No podcast “Somos Todos Malucos“, António Raminhos fala sobre os nossos medos, ansiedades e superações em conversas descomplicadas e divertidas em torno da saúde mental. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts e no Spotify]