O ministro da Europa e Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, acusou este domingo o candidato do França Insubmissa de ser um porta-voz do Kremlin, por afirmar que a resolução da guerra passa por ceder territórios à Rússia.
“Tornou-se, pura e simplesmente, o porta-voz do Kremlin, em todo o mundo, o Kremlin tenta convencer os chefes de Estado e de Governo de que, no fundo, o Donbass é russo e que a guerra de agressão é uma guerra de libertação do Donbass”, declarou Jean-Noël Barrot na RTL/Public Sénat.
O candidato do movimento França Insubmissa às eleições presidenciais, Jean-Luc Mélenchon, afirmou no sábado que a resolução da guerra na Ucrânia poderia passar por concessões territoriais, em particular no Donbass, onde, segundo ele, a população deve ser consultada.
Frequentemente criticado por ter posto em causa a legitimidade do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ou por ter denunciado os ataques de longo alcance dos ucranianos, afirmou recusar “que se considere uma paz com concessões territoriais na Ucrânia, sem se perguntar às populações em causa se concordam em ficar deste lado da fronteira ou do outro”.
Os europeus e a França estarão “representados” nas negociações entre russos e ucranianos, que deverão decorrer nos dias 10 e 11 de novembro em Abu Dhabi, sob mediação norte-americana, anunciou este domingo o chefe da diplomacia francesa.
“Os europeus estarão bem representados e a França estará em Abu Dhabi para participar nestas discussões”, declarou Jean-Noël Barrot. “Ainda não posso dizer quem representará a França nesta ocasião, mas ela estará lá”, acrescentou.
“Houve discussões, por vezes sem os europeus, outras vezes com os europeus. Desta vez, eles participarão, a França estará presente e fará ouvir a voz da Europa”, indicou ainda.
Estas declarações surgem numa altura em que, esta semana, a chefe do Governo italiano, Giorgia Meloni, denunciou a abordagem “desorganizada” dos países europeus nas negociações sobre a Ucrânia, exigindo que a União Europeia indicasse quem fala em seu nome, numa carta a que a AFP teve acesso na quinta-feira.
Por seu lado, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, insistiu na sexta-feira que a Europa deverá ser associada a qualquer resolução do conflito.