Morreu na última segunda-feira, 24 de fevereiro, a mais velha sobrevivente do Holocausto de que há registo, de acordo com a Claims Conference, uma associação com sede em Nova Iorque composta por 23 organizações judaicas que reúne queixas para compensar vítimas da perseguição nazi. Rose Girone morreu num lar em Long Island, no estado de Nova Iorque, aos 113 anos. “Era um exemplo e uma fortaleza, mas agora temos de seguir com o seu legado”, disse o vice-presidente da associação, Greg Schneider, num comunicado divulgado na última quinta-feira, dia 27. “As lições do Holocausto não podem morrer com aqueles que suportaram o sofrimento”, diz ainda Schneider. Há ainda cerca de 245 mil sobreviventes do Holocausto ainda vivos, de acordo com a Claims Conferece.

Rose Girone nasceu a 13 de janeiro de 1912 em Janow na Polónia. Casou-se em 1937 com Julius Mannheim, que acabou por ser levado no ano seguinte para o campo de concentração de Buchenwald. Grávida de oito meses, Rose foi poupada. Um ano mais tarde, conseguiu a libertação do marido, e a família fugiu para Xangai, na altura um território ocupado pelo Japão. Em 1941 os três foram forçados a viver numa casa de banho num gueto para refugiados judeus, durante sete anos. “Faziam coisas horríveis às pessoas”, disse Girone, sobre as forças militares japonesas, citada pela ABC News. “Um dos nossos amigos foi morto porque não se movia rápido o suficiente”.

Quando a guerra terminou, a família recebeu cartas da mãe e da avó de Girone, que estavam a viver nos Estados Unidos da América. Os três embarcaram para São Francisco em 1947 e no mesmo ano foram viver para Nova Iorque. Nos EUA, ao fim de mais de 15 anos, Girone reuniu-se com outros membros da família que sobreviveram, como o irmão, que estudou na França e depois alistou-se no exército norte-americano. Rose Girone divorciou-se de Mannheim e, em 1968, conheceu Jack Girone, com quem se casou no ano seguinte. O marido de Rose morreu em 1990. A filha, Reha Bennicasa, tem 87 anos.