Dentro de uma época que estruturalmente está a correr mal, o AC Milan atravessa uma conjuntura onde não há nada que seja visto de forma positiva. Do técnico aos jogadores, passando pelo rendimento em campo e pelos casos fora dos relvados, tudo parece fragilizar a tentativa de redenção que permita competir por um lugar na próxima Liga dos Campeões e as críticas dos adeptos rossoneri chegaram aos equipamentos, que frente à Lazio mostraram a sua quarta versão de 2024/25 – merecendo vários reparos entre as comparações da “nova pele” do conjunto de Milão e a… Seleção de Portugal. Ainda assim, isso é quase “secundário”.
Side by side. FORZA MILAN ????????#MilanLazio #SempreMilan @OffWht @pumafootball pic.twitter.com/YwsqqjPk32
— AC Milan (@acmilan) March 2, 2025
Depois de uma entrada a todo o gás no clube, com reviravoltas consecutivas diante de Juventus e Inter para a conquista da Supertaça em Riade, o AC Milan teve períodos de oscilação mas parecia reunir os argumentos mais do que suficientes para uma segunda metade de temporada melhor tendo em conta a chegada de nomes como Santiago Giménez, João Félix ou Kyle Walker à equipa no mercado de inverno. Foi isso que se viu nos jogos seguintes, com três vitórias em quatro encontros e uma derrota em Roterdão que deixava tudo em aberto na Liga dos Campeões. A partir daí, tudo começou a ruir e não mais voltou a erguer-se.
O empate com o Feyenoord numa partida que esteve sempre controlada até à expulsão de Theo Hernández ditou o afastamento da Champions, seguindo-se três derrotas consecutivas nos três jogos que seriam mais relevantes para projetar a equipa na luta por um dos quatro primeiros lugares: Torino, Bolonha e Lazio. E as manifestações de desagrado chegaram antes do desaire com a formação romana, depois de uma “mini greve” da principal claque do clube nos 15 minutos iniciais como protesto ao momento que a equipa atravessava. A lei de Murphy que se abateu em Milão voltou a funcionar, houve mais uma expulsão a condicionar a equipa (Pavlovic) e o empate com menos um foi desfeito com um penálti no oitavo minutos de descontos.
A cara de Sérgio Conceição no final dizia tudo. As mexidas que fez no plano inicial não tiveram o efeito mais desejado mas as alterações introduzidas durante a partida perante as incidências do jogo mereciam aquela “recompensa” que a grande penalidade de Pedro Rodríguez tirou aos 90+8′. Contudo, além dessa tristeza e resignação pelo sucedido, o técnico português não deixou de queixar-se de algo “único” na carreira.
Proprio nel miglior momento del Milan, i rossoneri restano in 10 per l'espulsione di Pavlovic ????
Non c'è pace per Sergio Conceição ????#Milan #MilanLazio #SerieA #Pavlovic pic.twitter.com/92AUje6w8T
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“Sabemos que não é um momento fácil. Os jogadores sentem o que se passa à volta do clube. Só há um caminho a seguir: trabalhar, ter orgulho nas cores que defendemos e dar o máximo todos os dias para mudar esta situação. Falámos do ambiente. Foi estranho. É a primeira vez que me acontece algo deste género na minha carreira. Obviamente, os jogadores sentem-no. Sabemos que, quando é assim, as chuteiras estão quentes, um drible ou um passe não saem. Vamos abaixo. Mas a equipa demonstrou um grande carácter. Chegámos ao empate a jogar com dez e podíamos ter ganho. Depois acontece aquele penálti… Também houve episódios. Não gosto de falar de azar mas eles acontecem e são decisivos para nós. Os jogadores dão-me respostas positivas e acreditam mas outra coisa é entrar em campo numa situação tão difícil, que dura desde o início da temporada. Não é fácil”, apontou Sérgio Conceição depois da derrota.
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“Tenho demasiadas coisas na cabeça, penso no Lecce. O mais importante é o AC Milan, não eu. Tenho pena dos adeptos porque estou habituado a ganhar e isso magoa-me. Tal como os adeptos, estou magoado. Estou habituado a querer ganhar desde muito novo. Neste momento, não me sinto bem e o que faço nestes momentos difíceis é trabalhar ainda mais”, completou o técnico português, que teve a primeira derrota em San Siro desde que assumiu o comando dos rossoneri no início do ano após quatro vitória e três empates.
????️ Sergio Conceicao conference press: "The most important thing is Milan, it’s not about whether Conceição stays or not. I feel sorry for the fans because I’m used to winning. It hurts me. I’m really hurt by these results. I don’t feel good at all right now. And what I do in… pic.twitter.com/MkfemPuW8z
— Milan Posts (@MilanPosts) March 2, 2025
Ainda antes da terceira derrota consecutiva na Serie A com a Lazio, que foi também o quarto jogo seguido sem vitórias do AC Milan, alguma imprensa transalpina, com a Gazzetta dello Sport, avançava com essa possibilidade de saída do treinador ainda no decorrer da temporada. No entanto, e para já, o cenário não está em causa. O Tuttosport defende que os responsáveis não consideram Sérgio Conceição como principal culpado do atual momento, ainda que atribuam ao português uma dose de responsabilidade, e que qualquer mudança técnica deverá acontecer no final da época caso não sejam conseguidos aqueles que são os únicos objetivos em aberto: um lugar na Champions e/ou a conquista da Taça. O Corriere della Sera aponta para esse cenário mas acrescenta que Mauro Tassotti pode ficar como interino caso o mau momento continue.
SOLI CON LA VOSTRA VERGOGNA@acmilan
CARDINALE VATTENE@Ibra_official pic.twitter.com/zLDRrpbKLk
— CARDINALE ESCHERICHIA COLI (@fra_90) March 2, 2025
Somos todos culpados e eu estou incluído, porque todas as decisões passam por mim. Nós também, no clube e na equipa, estamos desiludidos, assim como os adeptos. Estamos todos desiludidos mas também unidos. Não há problemas com Ibrahimovic. Não há caso sobre o treinador ou poder substituí-lo. Estamos focados em trabalhar e terminar a época. No início da época, as expectativas eram altas, mas não conseguimos o que queríamos. É insuficiente, apesar da conquista da Supertaça. Devemos acabar a época com honra, a partir desta noite”, comentou Giorgio Furlani, CEO do AC Milan, à DAZN após o encontro.
“Eu e a minha equipa damos o nosso melhor. Estou sempre a ouvir falar sobre a possibilidade de sair. Lamento porque não sou respeitado. Não venho do nada. Venci Sarri, Pioli e Di Francesco na Europa, só perdi com o Inter e ganhei 13 troféus em Portugal. Tenho quase 100 jogos na Liga dos Campeões. Quero respeito como pessoa porque tenho uma família. Todos os dias as pessoas falam de mim, da minha situação aqui. Quando não for necessário, pego nas minhas malas e saio sem pedir um euro”, tinha também defendido Sérgio Conceição na zona de entrevistas rápidas depois da derrota fora com o Bolonha.
A par da falta de resultados, há outras questões que continuam a adensar o momento conturbado que se vive no AC Milan. João Félix, que não foi titular mas entrou ainda na primeira parte do jogo contra a Lazio, tem estado na mira da imprensa italiana, que utilizou expressões como “desastre”, “indecoroso” e “até os seus companheiros o evitam” depois da exibição com o Bolonha. Já Kyle Walker, que voltou agora às opções após lesão, foi apanhado naquilo que os tablóides descreveram como uma “noite selvagem” com duas mulheres num espaço de diversão noturno onde esteve até perto das quatro da manhã. “Infelizmente, somos nós contra tudo e todos. Vamos a tempo de voltar aos resultados positivos e o grupo vai continuar a estar mais unido que nunca”, escreveu Rafael Leão nos stories do Instagram depois da derrota com a Lazio, numa mensagem que teria como destinatária a própria claque que fez boicote e que provocou vários comentários.