Os líderes das distritais do PSD manifestaram esta quarta-feira o “total apoio” a Luís Montenegro. Em comunicado, estes dirigentes denunciam a existência de uma “convergência política que une socialistas às extremas esquerda e direita” e que tem como único propósito afastar o atual primeiro-ministro.

Este comunicado surge numa altura em que começam alguns sinais dentre e fora do PSD que sugerem que uma possível solução para ultrapassar esta crise política seria afastar Luís Montenegro do cargo e indicar outra figura primeiro-ministro.

Ao mesmo tempo, Hugo Soares, braço direito de Montenegro, líder parlamentar e secretário-geral do PSD, em entrevista à SIC, abordou abertamente o cenário de eleições antecipadas e deixou um aviso claro: se houver legislativas, será Luís Montenegro o candidato do PSD.

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O facto de Hugo Soares ter sentido necessidade de deixar este recado (para dentro e fora de portas) pode ser visto um indício de que há movimentações no sentido de afastar Luís Montenegro. O secretário-geral do PSD procurou, assim, cortar a eito qualquer tipo de tentação dessa natureza.

Leia aqui o comunicado das estruturas do PSD na íntegra:

É tanto consensual como factual que a chegada de Luís Montenegro ao Governo foi sinónimo de melhoria, não só nos indicadores, como na vida das pessoas. Pacificaram-se relações sociais, valorizaram-se carreiras e remunerações, os cidadãos ganharam melhores serviços públicos. Jovens e seniores viram as suas especificidades ser valorizadas. Há mais justiça social e compromisso intergeracional, enquanto a economia cresce, a dívida baixa, há menos desemprego, os portugueses pagam menos impostos e a imagem externa do país melhora.

É neste quadro que assistimos a um feroz ataque à idoneidade do Primeiro-Ministro de Portugal. À falta de razões para atacar as políticas, ataca-se o político. Duas moções de censura num espaço de cerca de 15 dias, apresentadas pela extrema-esquerda e pela extrema-direita, a que acresce a ameaça de uma comissão parlamentar de inquérito feita pelo Partido Socialista, são sinais de uma gravíssima irresponsabilidade da oposição perante o contexto geopolítico global que vivemos.

Nós, dirigentes regionais e distritais do PSD, estamos bem conscientes do quanto é decisivo para as populações, que este governo continue focado nos reais problemas dos portugueses.

Quando um líder partidário ainda antes de ser candidato e muito antes de ser Primeiro- Ministro se desvincula de vínculos societários e profissionais que, legitimamente, exercia antes de o ser e nenhum ato pratica depois de empossado na liderança do governo que possa colidir com aquelas anteriores atividades, não se consegue perceber o que de errado possa ter feito nem o que devesse fazer de diferente do feito. A política é um serviço e não uma profissão. É saudável para a democracia poder contar com políticos experientes, com passado e provas dadas nos setores público ou privado, mas também com futuro, sem dependerem da política.

Luís Montenegro sempre separou a sua vida profissional da política e não pode ser censurado tão só porque teve vida profissional antes do desempenho político! Não podemos aceitar que se crie um parâmetro de governante que afaste da vida política todos quantos não se limitam a uma carreira política.

Assistimos a uma convergência política que une socialistas às extremas esquerda e direita, unicamente concentrados em criar instabilidade política.

Temos um Primeiro-Ministro que, mais que idóneo, é exemplar na forma como se submete ao escrutínio público, na forma como presta contas ao país com total transparência, respeita as regras que regulam o conflito de interesses, pelo que expressamos o nosso total apoio ao Primeiro-Ministro Luís Montenegro e ao governo que lidera.”