No início da temporada, dificilmente se poderia olhar para Liverpool ou PSG como potenciais finalistas da Liga dos Campeões. Com o bom arranque dos ingleses, na liderança da Premier League e da Champions, essa ideia sobre o conjunto orientado por Arne Slot começou a mudar. Nos últimos dois/três meses, com a base consolidada e a ideia de jogo apreendida, o PSG não só começou a passear na Ligue 1 como se juntou também a esse lote. No mínimo, chegariam ambos aos quartos. Problema? À semelhança do que aconteceu em duelos como o Real-Atl. Madrid ou o Bayer Leverkusen-Bayern, apenas um poderia lá chegar com esse aliciante de a primeira mão em Paris, que terminou com a vitória pela margem mínima dos ingleses apesar de terem feito somente dois remates entre 29% de posse, mostrar que estaria tudo em aberto para a decisão.
“Tentamos jogar cada partida para ganhar, não era a nossa intenção jogarmos tão baixos o tempo todo na primeira mão. Queremos fazer um jogo diferente. Ganhámos confiança com o nosso jogo em casa frente ao City, em que tivemos muito mais a bola e foi muito mais equilibrado. Mas esta é a equipa mais completa que defrontámos até agora. Parece que disseram que o Arsenal e o Bayern eram melhores do que nós. Foi isso que ouvi mas o que importa é a forma como o PSG melhorou imenso em dois ou três meses, desde que jogaram com eles. Agora pressionam por todo o campo e correm constantemente riscos em situações de 1×1. Não posso influenciar o que eles sentem, e nem sei se é verdade ou não, mas espero que tenham uma opinião diferente depois deste encontro”, comentara Arne Slot, com o tal condimento extra para algo que nem precisava perante a qualidade individual e coletiva das duas equipas que lideram as respetivas ligas.
“Não existe mudança na nossa abordagem do jogo. Só há uma opção: entrar em campo para vencer, porque neste momento estamos eliminados. Não há outra maneira de pensar. Veremos duas equipas com estilos diferentes mas são duas das melhores equipas da Europa. Há sempre coisas para melhorar. Sabemos que as circunstâncias serão diferentes. A partida será mais equilibrada mas estou confiante. É importante controlar as fases importantes do jogo: defender todos juntos e atacar todos juntos. Se tivermos a posse, que é a nossa base, administramos melhor as coisas. Estou convencido que os meus jogadores querem jogar, sabemos o que significa jogar aqui, é uma grande motivação. Ao longo da carreira percebi que, por vezes, as piores situações são também as mais interessantes de gerir”, apontara Luis Enrique, treinador da formação gaulesa que liderava o Barcelona na reviravolta com o PSG por 6-1 após a derrota por 4-0 em Paris.
O encontro começou com o Liverpool a todo o gás à procura do golo que consolidasse mais a vantagem na eliminatória, com Nuno Mendes a ser providencial a tirar um remate a caminho da baliza de Salah logo no arranque (4′) antes de mais uma ameaça do egípcio que passou perto do poste (7′). O PSG não existia do meio-campo para a frente, com muitas dificuldades em sair em construção a partir de trás ou em colocar no farol Vitinha para gizar diretrizes ofensivas. No entanto, e se em Paris os franceses falharam sobretudo no capítulo da finalização, em Anfield passou-se o contrário: um corte mal medido de Konaté a tirar Alisson do lance, um momento de felicidade para Dembélé no posicionamento e 1-0 na pequena área (12′).
[“Amiga, faz parte” é o podcast onde Mariana Ribeiro conversa sobre rotinas, hábitos, viagens, finanças pessoais, amizades, relacionamentos ou selfcare. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
Num filme completamente oposto ao que se passara na primeira mão, o Liverpool jogava e o PSG marcava. Ainda assim, era sobretudo um grande jogo de futebol, provavelmente o melhor de todos os oitavos e com as duas equipas ligadas à corrente com uma intensidade que nada tinha a ver com um qualquer jogo de liga. Na tentativa de corrigir o erro involuntário do golo inaugural, Konaté quis vestir a capa de herói após ser vilão num remate de fora da área mas Donnarumma desviou para canto (16′). Logo a seguir, Barcola surgiu isolado na área após passe de Khvicha Kvaratskhelia mas adiantou em demasia e já não conseguiu depois evitar a mancha de Alisson (18′). A imprevisibilidade mantinha-se, sendo que o intervalo chegou com mais posse do Liverpool mas melhores oportunidades do PSG, entre uma jogada em que Dembélé adiantou em demasia na área, um remate de longe de Diogo Jota por cima e mais uma tentativa de Kvaratskhelia a rasar o poste.
O descanso era literalmente um tempo de pausa para todos, de jogadores a técnicos passando pelos próprios adeptos em Anfield ou fora dele. E era só mesmo uma pequena paragem para mais do mesmo, com a segunda parte a começar com um golo anulado a Dominik Szoboszlai depois de um remate ao poste de Alexander-Arnold por fora de jogo de Luis Díaz no início da jogada (52′). Pouco depois, o mesmo Luis Díaz brilhou ao primeiro poste num canto mas o desvio de cabeça picado encontrou um Donnarumma a agigantar-se para fechar de novo a baliza, seguindo-se nova bola parada com remate de Salah e corte para canto perto da linha de Kvaratskhelia (61′). Chegava a hora de mexer, continuava a malapata dos reds com a baliza após mais um remate ao poste de Quansah na sequência de um livre lateral (78′), tudo iria para prolongamento.
O ritmo já não era propriamente o mesmo sobretudo no PSG, a pagar a “fatura” de estar numa liga que é bem menos competitiva do que a Premier, mas nem por isso os franceses deixavam de apontar armas na frente como Doué para surpreender nas transições. Com Donnarumma e Alisson a brilharem nas balizas com mais defesas dignas de melhores do mundo, os minutos foram passando sem que a eliminatória tivesse golos para desempatar a decisão apesar da entrada em campo do herói da primeira mão, Harvey Elliott. Nada nem ninguém conseguiu marcar e o jogo foi mesmo para os penáltis, com o PSG a ser mais forte tendo um Donnarumma gigante na baliza a travar as tentativas de conversão de Darwin Núñez e Curtis Jones entre os remates bem batidos por Vitinha, Gonçalo Ramos, Dembélé e Doué que fizeram o 4-1 para os franceses.