Quarta-feira foi dia de Portugal em França. Pela primeira vez na história do Paris-Nice, que completa este ano 83 edições, um ciclista português levantou os braços na chegada. O obreiro da proeza dá pelo nome de João Almeida e, como se só isso não bastasse, destronou um dos principais atletas da atualidade… pela segunda vez esta época. Tinha acontecido na Fóia, na Volta ao Algarve. Aconteceu em La Loge des Gardes, com a pantera de A-dos-Francos a mostrar uma explosão nunca antes vista até esta temporada e a superar o duas vezes vencedor da Volta a França nos últimos 200 metros. O resultado só não foi mais brilhante por conta do atraso no contrarrelógio coletivo mas, ainda assim, permitiu entrar no top 5 e assumir a liderança da classificação da montanha.

Só uma Almeidada anulou um extraterrestre: João Almeida bate Vingegaard nos últimos metros e vence etapa no Paris-Nice

Se, no final da etapa, o português se mostrou satisfeito com o resultado e assumiu que podia vencer o Paris-Nice, o mesmo não se pode dizer de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), apesar de ter assumido a liderança. “Ninguém gostou desta etapa. A corrida devia de ter sido interrompida. Estávamos todos a tremer e os travões não estavam a funcionar bem. Sim, acho que devíamos ter parado. Estou extremamente desiludido porque também tinha como objetivo a vitória na etapa. É bom ter esta camisola mas, mais uma vez, acho que não devíamos ter corrido, por isso não posso estar satisfeito”, contestou o dinamarquês sobre a decisão de a etapa ter terminado, depois de ter sido neutralizada durante cerca de 20 quilómetros devido à chuva, à queda de granizo e ao frio.

Para esta quinta-feira esperava-se mais uma etapa com condições adversas, com a neve a acompanhar os ciclistas na ligação de 203,3 quilómetros, entre Saint-Just-en-Chevalet e La Côte-Saint-André. Para o final estava guardada uma impressionante escalada ao Côte de Notre-Dame-de-Sciez, que tem apenas 1,7 quilómetros de extensão, mas conta uma pendente média de 11,1% e zona com… 18%. Estavam, assim, reunidos todos os ingredientes para os punchers triunfarem, embora se esperasse mais uma etapa com impacto na classificação geral, por conta das cinco contagens de montanha – quatro de terceira categoria e uma de segunda, a da meta – nos últimos 45 quilómetros.

Com a Ineos Grenadiers a assumir o controlo do pelotão desde o início, a fuga do dia demorou a formar-se e só na segunda hora Ben Switf (Ineos) e Thibaud Gruel (Groupama-FDJ) conseguiram isolar-se na dianteira da corrida. Pouco depois da passagem pela Côte de Trèves, Vingegaard envolveu-se numa queda no pelotão e, depois de ter sido visto pelo médico de corrida, terá sofrido apenas um golpe no lábio, regressando depois ao grupo. A cerca de 40 quilómetros do fim, Tobias Foss (Ineos) arrancou do pelotão e permaneceu na frente até à aproximação da Côte de Notre-Dame-de-Sciez.

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Vingegaard e Almeida entraram mal colocados na subida final, conseguiram recuperar à entrada para o último quilómetro e, já com Brandon McNulty (Emirates) a impor o ritmo, os dois perderam o contacto com a frente, com ligeira vantagem para o português. Na frente, Matteo Jorgenson (Visma) abriu as hostilidades, mas Lenny Martinez respondeu com uma grande ponta final e estreou-se a vencer ao serviço da Bahrain-Victorious, no World Tour e numa prova por etapas. Clément Champoussin (XDS Astana) e o norte-americano fecharam o pódio, a três segundos. Almeida acabou na sexta posição, a sete segundos.

No que diz respeito à geral, Matteo Jorgenson voltou à liderança do Paris-Nice, com 22 segundos de vantagem para Jonas Vingegaard que, esta quinta-feira, perdeu 26 segundos – mais bonificações. No final da etapa, as imagens televisivas mostraram o dinamarquês em aparente mau estado, esperando-se agora pelos exames médicos para se saber verdadeiramente o seu estado. No terceiro lugar está Florian Lipowitz (Red Bull-Bora-hansgrohe), a 36, e João Almeida é agora quarto, a 40, tendo segurado ainda a liderança da montanha. Esta sexta-feira perspetiva-se uma etapa bem mais calma, com apenas duas contagens de terceira categoria, antes da decisão no sábado, que está em risco devido à chuva e à neve.