No último do mercado de transferências de janeiro, quando em Alvalade se esperava apenas por todos os documentos que permitissem a oficialização de Biel enquanto se tentava fechar a colocação de outros nomes como Kovacevic, Dário Essugo, jovem médio emprestado aos espanhóis do Las Palmas, acabou por prender todas as atenções. Além de ser seguido há muito por vários clubes europeus, pelo percurso nas camadas mais jovens de Portugal em competições internacionais, dava nas vistas na La Liga e tinha (reais) interessados na sua contratação. A Real Sociedad ainda tentou, da Alemanha chegou também mais uma sondagem, o Chelsea acabou por ganhar a corrida e “reservar” o jogador para o verão. No entanto, Essugo não foi o único.
Apesar da desaceleração em termos de mercado em comparação com os primeiros tempos de Todd Boehly como líder do clube, após a compra dos blues a Roman Abramovich por parte de um consórcio que integrava o empresário norte-americano, a estratégia desportiva continuou a ser particularmente ativa em termos de contratações mas olhando sobretudo para as principais jovens promessas a uma escala global, no sentido de criar uma base que pudesse depois ser desenvolvida ao longo dos anos. Alguns exemplos? Estêvão, o grande craque do futebol brasileiro lançado por Abel Ferreira no Palmeiras. Aaron Anselmino, central argentino que foi contratado ao Boca Juniors e ficou por empréstimo. Dastan Satpaev, avançado cazaque de apenas 16 anos. Mathis Amougou, médio francês do Saint-Étienne. Foi nessa perspetiva que surgiu Geovany Quenda.
O jovem ala de 17 anos, que fez esta temporada a estreia no plantel principal do Sporting depois de ter sido um dos destaques no Europeu Sub-17 a par do portista Rodrigo Mora, estava a ser seguido por vários clubes ingleses com Chelsea, Manchester United e City à cabeça. Com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, seria uma questão de tempo até sair para a Premier League, mercado que apresentava o maior número de argumentos (leia-se, euros) para garantir o esquerdino. Mais uma vez, o Chelsea tentou jogar em antecipação e, numa ideia que foi do agrado de todas as partes, acedeu em emprestar Quenda por mais uma época ao Sporting baixando também o valor da sua contratação, que no final rondará os 48 milhões de euros fixos mais cláusulas por objetivos. No início da semana, o negócio já era falado em Alvalade.
Uma publicação de Fabrizio Romano esta sexta-feira acabou por desencadear todo o alarido em torno dessa mudança. O programa “E o Campeão é” da Rádio Observador tinha levantado essa possibilidade a propósito da notícia da renovação de contrato de Francisco Trincão, colocando um primeiro valor no autêntico jackpot que irá entrar em Alvalade no próximo verão (mesmo que os montantes possam ser pagos em tranches de forma faseada): 150 milhões de euros, dos quais 70 ou mais fixos chegarão do Chelsea por Quenda e Dário Essugo e os restantes da mais do que provável venda de Gyökeres, avançado sueco que foi o melhor marcador do último ano civil e que poderá deixar a formação verde e branca por 80/85 milhões e objetivos.
[Ouça aqui o “E o Campeão é” da Rádio Observador]
As vendas da dupla formada em Alcochete foram intermediadas por Jorge Mendes, agente que em outubro fez uma parceria com a Sferico para passar a representar Quenda. Fabrizio Romano avança mesmo que o extremo já terá realizado exames médicos pela formação londrina, sendo certo que ficará mais um ano.
A par das supracitadas saídas, poderá haver mais duas entre os habituais titulares mas que ainda não estão certas (longe disso), não por necessidade financeira mas pelo contexto atual e pela vontade de criar um novo ciclo em Alvalade, qualquer que seja o desfecho do presente Campeonato – ou seja, com ou sem a revalidação do título, algo que não acontece no clube há sete décadas. Morita é um bom exemplo disso mesmo: à beira dos 30 anos (faz em maio), o internacional japonês termina contrato em junho de 2026 e, caso não aceite a proposta de renovação que já foi apresentada aos seus representantes, poderá sair este verão. Em paralelo, perante o número atual de soluções para a posição e alguns alvos identificados pelo scouting verde e branco, Diomande ou Gonçalo Inácio podem sair caso cheguem propostas tentadoras pela fasquia desejada, não havendo uma necessidade premente de saída até por ser uma época com Mundial de seleções no verão.
No sentido inverso, deverão existir mais renovações além de Francisco Trincão, encarado como uma peça chave para a temporada de 205/26 (é o jogador com mais encontros e minutos na atual época de 2024/25), além da passagem a título definitivo de Rui Silva para o plantel leonino. Outras possíveis vendas de jogadores excedentários ou sem espaço em Alvalade, como Kovacevic ou Marcus Edwards, também poderão contribuir em termos financeiros para o reforço de um plantel que já teve o acrescento de nomes como Zeno Debast, Conrad Harder ou Maxi Araújo no último verão na perspetiva de criar uma nova base. A possibilidade de Rui Borges começar 2025/26 desde a pré-temporada, podendo com isso moldar o grupo com outra harmonia para interpretar outros sistemas táticos que não o 3x4x3 a que regressou perante a falta de opções por razões físicas que teve de tentar combater nas últimas semanas, também levará a mais mexidas do que em 2024.