João Almeida entrava na antepenúltima etapa do Paris-Nice com sérias aspirações à vitória. Sabia de antemão que a tarefa não era fácil, por conta do atraso considerável devido à prestação desastrosa no contrarrelógio coletivo, mas o momento da corrida estava todo do seu lado. Bateu Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) na primeira chegada em alto, deu boas indicações no dia seguinte e, esta sexta-feira, ficou a saber que o dinamarquês não ia continuar em prova. Apesar de Matteo Jorgenson (Visma) estar, mais um ano, em grande forma na corrida francesa, Almeida sabia que o norte-americano não tinha equipa para as etapas finais e essa podia ser a sua melhor arma.
Mas tudo mudou numa etapa que não o fazia prever. A Visma aproveitou o vento da etapa de sexta-feira e, com mais uma lição em jeito de contrarrelógio coletivo, cortou o pelotão e deixou o português para trás… a 60 quilómetros do fim. A estratégia da UAE Team Emirates-XRG voltou, mais uma vez, a sair cara na luta pela geral, bem como o mau posicionamento de João Almeida. Até ao fim, a equipa dos Emirados Árabes Unidos não conseguiu recuperar e chegou a quase dois minutos do vencedor Mads Pedersen (Lidl-Trek). Resultado: Almeida chegou à etapa rainha no quinto lugar e a quase dois minutos do pódio.
Para este sábado estava reservada a principal etapa de montanha do Paris-Nice que, pelo segundo ano consecutivo, viu o seu percurso alterado devido ao mau tempo. Foram subtraídos quase 40 quilómetros, duas contagens de montanha e a aproximação à subida de Auron teve de ser alterada devido à neve e ao gelo. Como se isso não bastasse, as contrariedades voltaram a aparecer à partida, com nove ciclistas a abandonarem a competição.
☀️ #ParisNice – Etape 7
???? @VilledeNice – Auron ????
???? 109,3 km⏰ Départ / Start : 12h00
???? Arrivée estimée / Estimated finish: 15h00 pic.twitter.com/X60mgaMwAH— Paris-Nice (@ParisNice) March 15, 2025
Com pouco mais de 100 quilómetros e uma longa subida pela frente, a etapa foi dominada pela fuga de 15 elementos, entre eles Michael Storer, que chegou a entrar virtualmente no top 3, e Julian Alaphilippe (Tudor), Iván Romeo (Movistar), Neilson Powless (EF Education-EasyPost) e Mauro Schmid (Jayco AlUla). Com Visma e Emirates no comando do pelotão, a chuva intensa voltou a aparecer na Corrida do Sol e provocou diversas quedas, como a de Stefan Küng (Groupama-FDJ), Pedersen e Mattias Skjelmose (Lidl-Trek), que ocupava o terceiro lugar da competição e foi obrigado a desistir. Com o azar do companheiro de profissão, Almeida e a Emirates ganharam nova vida e estavam agora a 1.20 minutos do pódio.
A diferença começou a cair nos últimos 20 quilómetros e, com Jhonatan Narváez (Emirates) no comando do pelotão, chegou ao 1.20 minutos, numa fase em que ambos os grupos já estavam bastante curtos. Na frente ficaram apenas Storer e Schmid, mas o suíço acabou por não conseguir aguentar o ritmo do australiano. No grupo principal, Lenny Martinez (Bahrain-Victorious) abriu as hostilidades, Felix Gall (Decathlon AG2R La Mondiale) respondeu e os dois conseguiram abrir espaço, numa fase em que João Almeida aparentava estar em sofrimento, descolando do grupo.
❄️Bajo la nieve
???? A 1.600 metros de altura
???? Para pegar un subidón en la generalQué victoria Michael Storer, qué victoria Tudor#ParisNice | #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/ShSNEBwTrI
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) March 15, 2025
No final, Michael Storer acabou por chegar sozinho a Auron, somando a sua primeira vitória ao serviço da Tudor, que tem como diretores desportivos os portugueses Ricardo Scheidecker e Bruno Pires. Mauro Schmidt foi segundo, a 20 segundos, e Iván Romeo fechou o pódio da etapa, a 30 segundos. No grupo dos favoritos, Florian Lipowitz (Red Bull-Bora-hansgrohe) atacou nos últimos metros e ganhou três segundos ao camisola amarela. Almeida realcançou o grupo e não perdeu tempo. Na geral, Matteo Jorgenson tem agora 37 segundos de vantagem para Lipowitz e 1.20 minutos para Thymen Arensman (Ineos Grenadiers). Storer subiu a quarto, a 2.25, e João Almeida continua em quinto, a 2.40.