A que horas teve início o Benfica-Gil Vicente? 20h45? Não, nem por isso. Muito antes, logo na manhã desta quinta-feira. No limite, depois do apito final do Santa Clara-Benfica, quando no meio de uma confusão bem ao estilo sul-americano a mão cheia de cartões vermelhos chegou também a Jhon Durán. Marco Silva veio logo pedir que mostrassem “as imagens todas, todas, todas”, adiantando que acreditava naquilo que o seu jogador tinha explicado e pedindo para que não existisse qualquer tipo de sanção ao avançado. Houve depois a conferência de imprensa de antevisão ao duelo com os minhotos, um comunicado da Benfica SAD a pedir uma investigação ao árbitro Cláudio Pereira pelo que tinha escrito no relatório e uma notícia, esta manhã, que valeu por tudo sem ter “nada” – o colombiano vai ter um processo disciplinar mas podia jogar.
“O jogo da Youth League é importante, por isso mesmo o Diogo [Ferreira] irá jogar. Também poderia ser jogo para o Anísio [Cabral] mas esta dúvida à volta do Durán não permite tomar algumas decisões. O Anísio estará connosco e iremos colocar esses jogadores num contexto importante para o clube. Compete-nos gerir da melhor maneira, priorizando a equipa principal e quem está connosco. Se não houver oportunidades, há sempre formas de dar competição aos jogadores”, explicara Marco Silva, que perante a possibilidade de fazer uma rotação maior ou menor na equipa foi o técnico dos “grandes” que mais valorizou a Taça da Liga.
“Falamos de uma competição doméstica muito importante. Para clubes da nossa dimensão, fazer um jogo e ter uma oportunidade de jogar uma final… Não vejo isso como sobrecarga. Se há duas taças domésticas, é normal que tenhamos de jogar as competições e depois cada clube dá a importância que dá em termos de rotação. Se olharmos só para um onze, acaba por ser uma densidade muito grande; se olharmos para um plantel competitivo e com duas opções por posição, acabamos por poder dar oportunidades a muita gente. Temos lesões e condicionantes para fazer o que temos feito na Liga Europa mas não há que lamentar a densidade de jogos. Posso até falar contra nós mas é uma opinião minha. A densidade de jogos é o que é e temos de nos preparar para a época e para todas as competições, se assim ambicionarmos”, argumentara.
Em paralelo, e no regresso à Luz, Marco Silva teria também a oportunidade de corrigir aquela que foi uma das primeiras partes menos conseguidas da época frente ao Santa Clara, apesar da reviravolta conseguida no segundo tempo nos Açores. “Não foi uma questão de intensidade, se calhar usei essa palavra… Mas é jogarmos ao nosso nível, ter capacidade de assumir o jogo e jogar como costumamos. O Santa Clara colocou agressividade no bom sentido mas teve muito mais a ver com o que tínhamos preparado. É claro que não fomos tão capazes de executar alguns dos planos de jogo”, assumiu. “Para mim é muito importante que tenhamos uma identidade clara e que está dentro da minha ideia e dentro dos pergaminhos do clube. Para mim a solidez é muito importante. É importante sermos uma equipa que consiga dominar com bola, que goste de estar no meio-campo ofensivo, e depois é trabalhar para que o equilíbrio seja cada vez melhor, para que consigamos esconder do adversário alguns aspetos em que não somos tão fortes”, acrescentou.
E se o Santa Clara foi tudo menos um adversário fácil, o Gil Vicente, que perdeu apenas pela margem mínima com o FC Porto, prometia mais um encontro difícil até pela margem de erro inexistente no contexto em que a partida estava inserida. “Já os defrontámos num jogo que se tornou difícil pela qualidade e organização do adversário na Luz e pela nossa falta de eficácia. Tem bons jogadores, apresenta sempre uma boa organização e estratégia. Com bola têm ideias claras e coragem na forma como jogam. Mas esperamos um jogo de caraterísticas diferentes, um jogo de decisão e que permite jogar uma Final Four”, comentara sobre os minhotos, numa antecâmara sem grandes “novidades” em relação à equipa que poderia ir a jogo também por essa condicionante que existia da possibilidade (ou não) de utilizar Jhon Durán como avançado titular.
????️ Na Luz, o Benfica não sabe o que é perder na Taça da Liga!
✅ 33 jogos em casa
???? 28 vitórias
???? 5 empates
⚽ 151 golos na história da competição, um recorde!As águias continuam a fazer história na prova que já conquistaram por oito vezes! ???? pic.twitter.com/w24ZKDEhoP
— Playmaker (@playmaker_PT) October 29, 2026
O colombiano, de forma natural, fez mesmo parte do onze. Mais: só saiu quando marcou o golo que andou à procura durante toda a partida. À semelhança do que aconteceu com Anísio Cabral, que quando entrou em campo foi o foco de todos os elementos para tentarem também dar a oportunidade ao jovem avançado para marcar, o Benfica voltou a ter uma grande exibição em termos coletivos sobretudo do meio-campo à frente e venceu de forma natural um Gil Vicente que, apesar dos quatro golos sofridos num sem número de chances criadas pelos encarnados, não deixa de ser um dos conjuntos que melhor sabe gerir momentos de jogo no plano nacional. Sem Prestianni, o rendimento não caiu. Longe disso. E essa foi a principal ilação de um encontro que confirmou a passagem à Final Four da Taça da Liga com um escaldante clássico frente ao FC Porto: o segredo para este momento, neste caso mostrando que a equipa não é dependente de Prestianni, é ser um conjunto onde todos jogam por um mesmo quando um não está a jogar por todos.
Com mais de meia equipa nova de início, com Samuel Dahl adaptado a lateral direito para El Karouani ficar na esquerda e Sudakov a jogar numa posição mais recuada para coabitar com Echeverri num meio-campo que mantinha João Palhinha como pilar das transições defensivas onde a equipa mais tem a crescer (e com Lenglet a assumir a braçadeira perante as ausências de Aursnes e Tomás Araújo), o Benfica foi tentando esse controlo do jogo com bola mas viu o Gil Vicente criar a primeira grande oportunidade, com um pontapé mais longo de Samuel Portugal a encontrar a subida de David Moreira pela esquerda para, na área, atirar cruzado para defesa de Trubin com os pés (5′). Os encarnados procuravam as habituais triangulações pelos corredores laterais mas nem os desequilíbrios apareciam, nem Jhon Durán conseguia ter jogo, com o quarto de hora inicial a fechar sem golos e com os minhotos a fazerem imperar a sua boa organização defensiva.
Só mesmo quando apareceu o talento individual houve mais no ataque do Benfica: Echeverri, que procurava o espaço entrelinhas sempre que a meia esquerda estava mais fechada, conseguiu receber em zona central, preparou o remate e viu Samuel Portugal fazer uma grande defesa para canto depois de um desvio num defesa gilista – e, na sequência da bola parada, Lenglet desviou de cabeça na área com o remate a passar muito perto do poste da baliza do antigo guarda-redes de Portimonense e FC Porto (19′). Schjelderup teve ainda uma boa oportunidade, depois de um trabalho de Jhon Durán na área a assistir o norueguês para o remate que foi de novo travado por Samuel Portugal (27′), mas seria preciso esperar mais alguns minutos para as jogadas consecutivas que acabaram por mudar por completo aquilo que podia ser o jogo na Luz.
Na baliza do Benfica, David Moreira voltou a ganhar a Dahl por dentro, deixou para o remate forte à entrada da área de Murilo mas Trubin fez a melhor defesa da noite para segurar o nulo (34′); na baliza do Gil Vicente, a combinação entre Sudakov e Dahl descaídos sobre a direita não resultou mas o corte da defesa minhota foi bater no sueco e sobrou para a entrada da área onde Lukebakio “fuzilou” Samuel Portugal (36′). O encontro estava desbloqueado e os encarnados souberam aproveitar da melhor forma o claudicar anímico dos visitantes para carregar e deixar tudo quase encaminhado: Echeverri teve um remate de fora da área que passou a rasar a zona entre poste e trave (38′), Sudakov aproveitou mais uma segunda bola após corte da defesa contrária na sequência de um cruzamento de El Karouani e rematou ao ângulo sem hipóteses para o 2-0 (40′), Jhon Durán apareceu bem na área para rematar com pouco ângulo às malhas laterais (43′).
INTERVALO ⏱️
[ Benfica 2-0 Gil Vicente ]???? Águia com tudo bem encaminhado para se cruzar com o FC Porto na meia-final da final four, com Lukebákio (6.5, segundo melhor) e Sudakov (MVP) da primeira parte a mexerem com o marcador perto do intervalo
???? Segue-nos também no… pic.twitter.com/tcVRItd1O9
— GoalPoint (@_Goalpoint) October 29, 2026
Acabou com o Benfica por cima, recomeçou com o Benfica por cima. Apesar das duas mexidas feitas por Luís Pinto ao intervalo, com as saídas de Guilherme Gomes e Gil Martins para as entradas de Lausen e Touré, a tendência da partida não só se manteve como ainda se acentuou mais, com Schjelderup a ter a primeira grande oportunidade do segundo tempo numa transição em que ficou em linha pela má colocação da defesa a quatro dos gilistas e atirou de pé esquerdo sem muito ângulo ao poste da baliza de Samuel Portugal (49′). Não foi aí, foi pouco depois: na sequência de um canto marcado pelo norueguês na esquerda do ataque, Ricardo Esgaio cortou para trás ao primeiro poste e Lukebakio, numa bicicleta menos ortodoxa mas com grande nota artística, bisou no encontro e fez o 3-0 que parecia colocar um ponto final na partida (54′).
Parecia, não foi. Não se pode dizer que alguma vez o Benfica tenha perdido o controlo das operações mas o 3-1 logo de seguida, num grande remate de Lausen de fora da área perante a passividade dos médios que não saíram no portador da bola, deixou de novo a porta ligeiramente aberta (56′), com um lance determinante para poder de vez abrir tudo quando Touré cruzou da esquerda, El Karouani teve uma abordagem deficiente e desviou de forma involuntária para a própria baliza mas Lenglet cortou em cima da linha (68′). Marco Silva levou as mãos à cabeça perante essa falha e mexeu para “trancar” de vez a partida, lançando Manu Silva e Aursnes no meio-campo além de Prestianni para mexer com o ataque, seguindo-se Rafa. Seria o último a ter a jogada que fechou em definitivo com tudo, assistindo Jhon Durán para o 4-1 após uma grande arrancada pelo corredor central (81′) antes de ser carregado por Espigares para vermelho direto (82′).
[ Benfica 4-1 Gil Vicente ]
Águia não abranda nem na "taça da carica"???? O SLB goleou o Gil Vicente, num jogo e exibição em que até deu para desperdiçar fluxo ofensivo de quem levou o jogo bem a sério, demonstrando "saúde" crescente da ideia de jogo de Marco Silva
???? O jogo… pic.twitter.com/6bzdwRuiEL
— GoalPoint (@_Goalpoint) October 29, 2026
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]