Hélder Beja é o novo diretor do Doclisboa — Festival Internacional de Cinema, foi esta segunda-feira anunciado. O antigo jornalista, que atualmente desempenhava funções de comunicação no festival, sucede a Paula Astorga, produtora e programadora que dirigia o Doclisboa desde 2023.

Ao Observador, Hélder Beja diz encarar o desafio “com grande entusiasmo e dedicação”, classificando o “lugar único” do festival na paisagem cultural do país. “É um festival que soube construir a sua relevância no contexto internacional através de uma programação singular e rigorosa”, destaca. “Enquanto projeto cultural e artístico, é um espaço que privilegia o tempo por oposição ao imediatismo, o aprofundamento por oposição à superficialidade. É um festival com um passado e um arquivo riquíssimos, que primou sempre pela qualidade e pelo risco na sua linha de programação, sem nunca esquecer o público”.

Sobre o futuro, antecipa: “Desejamos, agora, construir em equipa esse futuro do Doclisboa, chegando a novos públicos, fazendo novos parceiros e cuidando sempre dos filmes que mostramos e das pessoas que os fazem, realizadores, produtores e outros profissionais”. O novo diretor nota também a importância de apoiar o cinema português, “não só mostrando os filmes de produção nacional mas também criando espaços para discussões fundamentais sobre a política pública para o cinema”. “Trabalharemos sempre para que o Doclisboa continue a ser esse lugar e esse projeto que apoia a comunidade do cinema português”, garante.

A notícia da nova direção do festival chegou esta segunda-feira através de comunicado. A direção da Apordoc — Associação pelo Documentário nomeou anunciou o novo diretor do Doclisboa ao mesmo tempo que renovou a estrutura do certame, que conta agora com Boris Nelepo como co-chefe de programação, e com Cíntia Gil continuando como programadora associada.

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No texto enviado às redações, é relevado o trabalho de Hélder Beja enquanto jornalista cultural, editor e argumentista. Co-fundou e dirigiu o Festival Literário de Macau durante sete edições, entre 2012 e 2018, e é desde 2019 um dos organizadores da conferência bienal da Asia Pacific Writers & Translators. Licenciado em Comunicação Social e com uma pós-graduação em Antropologia — Culturas Visuais, Hélder Beja tem trabalhado essencialmente sobre a Ásia e a China, continente e país onde viveu durante quase uma década, consta na mesma nota.

Já Boris Nelepo, programador e crítico que forma parte da equipa do Doclisboa, assume agora a co-chefia de programação, que partilhará com um novo elemento do comité de programação que se juntará à equipa em abril. Cíntia Gil assume funções em maio e será a programadora associada de mais uma edição do festival, depois de o ter dirigido entre 2012 e 2019.

Da esquerda para a direita: Boris Nelepo, Hélder Beja, Cíntia Gil

Hélder Beja chega à direção do Doclisboa sucedendo à mexicana Paula Astorga, que dirigiu o festival durante apenas uma edição. A produtora foi anunciada no final de 2023 e saiu da estrutura logo após a edição de outubro 2024 para “partir para novos projetos”, segundo um comunicado do festival enviado às redações no final de novembro. Astorga sucedera a Miguel Ribeiro, que dirigia o festival desde 2020 e que saiu para ser o responsável pela coordenação e programação da Casa do Comum do Bairro Alto, o projeto idealizado pelo livreiro José Pinho (1953-2023). Antes, o festival era dirigido por Cíntia Gil em parceria com Joana Gusmão e Joana Sousa, que saiu em 2019 para dirigir o Festival de Documentário de Sheffield.