Dag Solstad, considerado um dos mais importantes escritores noruegueses contemporâneos, morreu na passada sexta-feira, noticiou o jornal norueguês Aftenposten. A notícia foi amplificada na imprensa internacional esta segunda-feira.
Escreve o The Guardian, citando o meio norueguês, que Solstad morreu após um internamento hospitalar e estava acompanhado pela sua mulher, a crítica de teatro Therese Bjørneboe. Tinha 83 anos.
Eterno candidato ao Nobel, Solstad foi o único a ter recebido três vezes o prestigiado Prémio da Crítica da Noruega, além de muitas outras distinções. Autor de mais de trinta livros, entre romances, contos e peças de teatro, está publicado em 33 línguas. Em Portugal, apenas três livros foram editados: Pudor e Dignidade (um dos primeiros títulos da Ahab Edições) e A Noite do Professor Andersen e Romance 11, Livro 18, obra com a qual Dag Solstad recebeu pela segunda vez o prestigiado Prémio da Crítica na Noruega, estes dois últimos publicados pela Cavalo de Ferro.
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Considerado uma das figuras mais influentes da literatura nórdica, Dag Solstad estreou-se na literatura em finais da década de 60, mas foi nos anos de 1970 que se começou a fazer notar pelos contos e romances de cariz mais experimental. Se começou por publicar romances com forte pendor político, acabaria por deixar para trás o tom mais politizado e enveredar por temas mais existencialistas. Em entrevista ao jornal Público, em 2018, dissera: “Os meus livros já não são políticos, apesar de obviamente a política lá estar. Nos últimos romances, a minha única ideia política é a de não se poder confiar no capitalismo”.
“Na Escandinávia, o estilo único de Solstad — frases longas e sinuosas, repletas de digressões imaginativas e com um humor seco peculiar — serviu de inspiração a gerações de escritores”, descreve a crítica literária norueguesa Ane Farsethås na Paris Review. Num ensaio para a mesma revista literária, o tradutor e escritor norte-americano Damion Searls compara Solstad ao John Lennon das letras norueguesas, classificando-o como “o experimentalista, o homem das ideias”.