A atriz canadiana Jasmine Mooney, que teve um papel numa das sequelas do filme American Pie, ficou 12 dias em diferentes centros de detenção das Forças de Imigração e Alfândega norte-americanas, conhecidas como ICE, depois de ter sido detida ao candidatar-se a um visto de trabalho na fronteira do México com os EUA, em San Diego, no sul da Califórnia. A atriz tinha tido o visto de trabalho revogado e submetia um formulário incompleto para pedir a renovação do documento.
▲ Jasmine Mooney à direita numa das sequelas do filme "American Pie"
Mooney ficou detida na fronteira durante três noites para, a seguir, ser transferida para o o centro do ICE em San Diego por mais três noites. Foi quando a atriz falou com a ABC News e afirmou estar detida em condições “desumanas” e a dormir “com uma folha de alumínio enrolada, como se fosse um corpo morto, por dois dias e meio”. Mooney disse ainda que os guardas ficaram surpreendidos com a sua detenção. “Viam-me e diziam: ‘O que estás aqui a fazer? És canadiana. Como é que estás cá?”
Depois a atriz foi levada para o centro de detenção de San Luis, no Arizona, onde permaneceu por mais alguns dias. Mooney foi libertada e regressou ao Canadá no último fim de semana. No sábado, a atriz falou com a CTV News no aeroporto de Vancouver. “Não durmo e não como nada decente há um tempo. Ainda estou a processar as minhas emoções”, disse a atriz.
Atriz conta pormenores da detenção em artigo
Num artigo na primeira pessoa publicado no The Guardian nesta quarta-feira, 19 de março, a atriz afirma que foi enviada para o centro de detenção do ICE “sem o direito de falar com um advogado”. Explica que conseguiu o visto de trabalho por causa do seu envolvimento numa marca norte-americana de bebidas. Entretanto, numa das suas viagens do Canadá para os EUA, teve o seu visto revogado porque o oficial de imigração considerou o seu negócio “suspeito”. Passados alguns meses, a 3 de março de 2025, Mooney voltou ao centro de imigração de San Diego para tentar renovar o visto de trabalho. “O oficial com quem eu falei foi gentil e disse-me que, por causa das questões anteriores, eu precisava de fazer o pedido através do consulado. Eu disse que não sabia que precisava de o fazer daquela forma mas não tinha nenhum problema em o fazer”.
Foi quando, de acordo com Mooney, foi surpreendida com a detenção. “Disseram-me que teriam de enviar-me de volta ao Canadá. Aquilo não me preocupou — assumi que iria simplesmente comprar um voo de volta para casa. Sentei-me e comecei a procurar voos até que um homem aproximou-se“. A atriz diz que foi levada para uma sala onde lhe tiraram os seus pertences e ordenaram que colocasse as mãos contra a parede. Mooney terá sido revistada, interrogada e depois levada para uma cela, onde diz ter permanecido por dois dias. “As luzes nunca se apagavam, nunca sabíamos que horas eram e ninguém respondia às nossas questões”, escreve Mooney.
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Passados dois dias, a atriz terá sido enviada para “a prisão de verdade”, mesmo oferecendo-se para pagar pelo bilhete de regresso. “Disseram-me para tomar um duche, deram-me uma farda, tiraram as minhas impressões digitais e fui interrogada”, conta. A atriz explica no artigo que só foi libertada depois de a sua história começar a ganhar visibilidade nos media. “O meu agente do ICE, com quem eu nunca falei, disse ao meu advogado que eu poderia ter saído antes se tivesse assinado um formulário de cancelamento e que eles não sabiam que eu me tinha oferecido para pagar o meu bilhete de regresso”.
Entretanto, Mooney sente que a experiência é uma oportunidade de usar a sua presença pública para contar as histórias das mulheres que estavam presas na mesma unidade que ela, no centro de detenção de San Luis, no Arizona. “Havia cerca de 140 mulheres na nossa unidade. Muitas viveram e trabalharam legalmente nos EUA por anos mas acabaram ficando no país depois de os seus vistos terem caducado — muito frequentemente depois de terem as renovações revogadas. Todas foram detidas sem aviso”, escreve. “Para colocar as coisas em perspetiva: eu tinha um passaporte canadiano, advogados, fundos, atenção dos media, amigos, família e até políticos a defenderem-me. Ainda assim, fui detida por quase duas semanas. Imaginem o que um sistema como este faz com qualquer outra pessoa“.