A tempestade Martinho, com ventos fortes que provocaram a queda de árvores e fizeram parar comboios em território nacional, danificou várias infraestruturas, incluindo recintos desportivos. O estádio do Rio Ave, em Vila do Conde, no distrito do Porto, ficou com “graves danos” na madrugada desta quinta-feira face às “condições atmosféricas excecionalmente adversas”.
O Rio Ave explicou que as rajadas de vento “muito superiores aos 100 km/h” destruíram “grande parte da cobertura da bancada central do estádio, com danos extensíveis ao piso de hospitalidade”. Em comunicado, o clube assegurou também que “garantiu desde logo um perímetro de segurança e salvaguardou todas as condições de trabalho dos seus colaboradores, técnicos e atletas”.
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— Cabine Desportiva (@CabineSport) March 20, 2025
Os trabalhos para a remoção dos destroços e limpeza decorreram ao longo do dia. De seguida, segundo o Rio Ave, será avaliada “a extensão dos danos causados” e projetada a “intervenção a realizar, por forma a minimizar todo e qualquer impacto que esta situação venha a causar na realização de jogos da 1.ª Liga e Taça de Portugal”. Horas antes, uma fonte do clube vila-condense tinha avançado à agência Lusa que a utilização do estádio poderia estar em risco: “Caso se confirmem problemas na estrutura, há sérias dúvidas que o recinto possa estar apto para o jogo com o Boavista”.
Com a paragem das competições profissionais de futebol para os jogos das seleções nacionais, a próxima partida do Rio Ave em casa está apenas agendada para o próximo dia 7 de abril, quando receberá o Boavista para a I Liga.
Também o estádio do Restelo “sofreu com a intempérie” que atingiu o país, informou o Belenenses, dando conta de que tinham sido verificados “alguns danos não estruturais no interior” do edifício. Em comunicado, o clube que compete na Liga 3 disse que está em “contacto com as autoridades por forma a assegurar a resolução do problema”, estando uma equipa a “fazer as intervenções possíveis de identificação, diagnóstico, limpeza e remoção dos estragos”.
O Belenenses avisou que o acesso ao interior do estádio, tanto de automóveis como de pessoas, estará condicionado nos próximos dias para “acautelar a segurança” de todos. Atendendo aos “avultados prejuízos”, o emblema disse que vai “acionar todos os meios ao seu dispor para que no mais curto espaço de tempo seja reposta a normalidade, desde logo no que à prática desportiva respeita”.
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Já no concelho de Oliveira do Hospital, em Coimbra, o vento causou estragos no Estádio de Santo António, da Associação Desportiva Nogueirense. Em declarações à Lusa, Mário Henriques, presidente da associação, disse que as rajadas fizeram “levantar completamente a cobertura central da bancada” do estádio.
“Partiu tudo o que era estrutura. E, dentro do estádio, do próprio complexo, também temos uma série de danos. Ainda não temos noção do valor real do prejuízo, mas serão dezenas de milhares de euros”, afirmou, acrescentando que o vento danificou ainda vedações, bancos de apoio e o túnel de acesso aos balneários, entre outras infraestruturas.
▲ O Estádio de Santo António também sofreu danos
PAULO NOVAIS/LUSA
Mário Henriques revelou que a cobertura central levantou quando decorria o treino da equipa sénior de futebol do Nogueirense, que “tinha começado há cerca de vinte minutos quando tudo aconteceu”. “Felizmente, ninguém se magoou”, assegurou. Sem ajuda das autoridades competentes, o presidente da Associação Desportiva Nogueirense acredita que pode não ser possível “recuperar desta tragédia”.
O estádio do Lusitânia de Lourosa e a Academia José Manuel Oliveira também sofreram danos devido ao mau tempo, que vai manter-se pelo menos até sábado. Nas redes sociais, o clube indicou que “devido à depressão Martinho que se fez sentir de forma extremamente intensa na cidade de Lourosa”, o estádio e a academia “foram particularmente afetados, bem como a infraestrutura contígua ao primeiro — o cemitério local“.
Dando conta que as “graves consequências, materiais e sentimentais, do fortíssimo impacto desta depressão” estão a ser acompanhados pelas autoridades, o Lusitânia de Lourosa indicou que “os prejuízos são particularmente avultados e irão requerer especial atenção e compreensão de todos os envolvidos, no sentido de disponibilizar os recursos necessários para, com a brevidade possível, ser reposta a normalidade”.