O Príncipe Harry perdeu o último estágio da batalha legal para que a sua segurança pessoal e a da sua família fosse providenciada pela polícia britânica durante as visitas ao Reino Unido, numa audiência esta sexta-feira, 2 de maio, no Tribunal da Relação. O duque de Sussex questionava a decisão do Executive Committee for the Protection of Royalty and Public Figures (Ravec, o Comité Executivo para a Proteção de Realeza e Figuras Públicas) de retirar-lhe a proteção policial automática quando, em 2020, Harry e Meghan optaram por deixar os seus papéis como membros séniores da realeza britânica.

Harry recorria da sentença de fevereiro de 2024, em que o juiz considerou que a decisão do Ravec não foi “irracional nem injusta”. Em junho, o príncipe pôde recorrer da decisão. Harry participou nas duas audiências de recurso, que decorreram no último mês de abril e foram privadas. A sua defesa argumentou que a opção de sair da família real resultou de “circunstâncias únicas” e que seria correto manter uma abordagem flexível à sua segurança pessoal. O juiz, Sir Geoffrey Vos, concluiu que “a queixa do duque não se pode traduzir num argumento legal para desafiar a decisão do Ravec”. O príncipe poderia levar o caso ao Supremo Tribunal, mas já afirmou, em entrevista à BBC, que não pretende continuar a batalha judicial.

O Ravec é formado por organismos do Estado como o Home Office (equivalente ao Ministério da Administração Interna), a polícia metropolitana e membros da família real, e tem o trabalho de organizar a segurança de pessoas da realeza e outros VIP. A proteção nestes casos é paga com o dinheiro dos contribuintes. Quando perdeu o direito à segurança policial, o príncipe Harry tentou pagar pela respetiva segurança, mas isso não lhe foi permitido. Em fevereiro de 2020, o Home Office decidiu que o príncipe deixaria de ter segurança policial pessoal enquanto estivesse na Grã-Bretanha, mesmo que pagasse por ela.

Harry quer reconciliação com a família real

Horas depois da decisão, o príncipe deu uma entrevista à BBC na qual assumiu que gostaria de voltar a falar com a sua família. “Não vejo um mundo em que eu traga a minha mulher e os meus filhos de volta ao Reino Unido neste momento. As coisas que eles vão perder são muitas. Amo o meu país, sempre amei. Apesar do que algumas pessoas neste país fizeram. Sinto falta do Reino Unido. E sinto-me triste por não poder mostrar aos meus filhos a minha terra natal“, disse Harry.

O príncipe disse ainda que está dececionado e considera que o tribunal decidiu a seguir “o bom e velho establishment“. Harry acredita que a decisão poderia ter sido outra se não fosse a influência da família real. “Há um nível de controlo nas mãos do meu pai e tudo isso poderia ser resolvido por ele. Não necessariamente pela intervenção dele mas ao afastar-se e deixar que os especialistas cuidassem do que fosse necessário”, afirmou.

“Houve tantos desentendimentos e diferenças entre mim e algumas pessoas da minha família”, destacou Harry, sobre os últimos cinco anos desde a sua decisão de deixar o papel como membro sénior da realeza britânica. “É claro que alguns membros da minha família nunca me vão perdoar pelo que eu fiz. Mas adoraria reconciliar-me com a minha família. Não há motivo para continuar a lutar”, disse. Harry falou ainda sobre a relação com Carlos III e o facto do Rei estar a lutar contra um cancro. “Não sei quanto tempo o meu pai tem. Ele não fala comigo por causa desta questão de segurança. Mas seria bom reconciliar-nos.”

À BBC, o Palácio de Buckingham afirmou que “todas as questões foram examinadas repetidamente e meticulosamente pelos tribunais, com a mesma conclusão em todas as ocasiões”.

De recordar que depois de deixar a realeza, Harry escreveu o livro Na Sombra, no qual traz detalhes íntimos dos conflitos com o irmão, William, o pai, Carlos e a madrasta, Camila, além de outros membros da família real. O príncipe afirmou ainda que havia o suficiente para mais um livro. “Há algumas coisas que aconteceram, especialmente entre mim e o meu irmão, e em alguma extensão entre mim e o meu pai, que não quero que o mundo conheça. Porque sei que eles nunca iriam perdoar-me”, disse ao The Telegraph.