Uma, duas, três. Chegámos às derradeiras três batalhas desta edição do Campeonato Nacional. Antes do presumivelmente decisivo dérbi de Lisboa, Benfica e Sporting tinham ainda que confirmar o seu favoritismo em mais duas complicadas e importantes partidas. No caso das águias, as contas do título não saíram da capital portuguesa, com a equipa de Bruno Lage a ter pela frente uma curta deslocação à Amoreira, para medir forças com o tranquilo Estoril, de Ian Cathro. Os encarnados entraram em campo em boa forma, tendo cedido pontos apenas numa das últimas 12 jornadas. No último encontro, o Benfica regressou à Luz depois do empate contra o Arouca (2-2) e tratou de resolver cedo a sua missão, acabando por golear o AVS (6-0).

Pavlidis, o comandante de um demolidor voo da águia real que só abranda na paragem 39 (a crónica do Benfica-AVS)

“Espero um Estoril muito motivado devido ao resultado do último jogo, temos de estar focados porque vai ser um jogo difícil. Temos de estar comprometidos para este jogo, que não é decisivo. Certamente que para a semana direi outra coisa, mas temos de estar focados no Estoril. Tendo em conta os jogadores disponíveis, fazemos as escolhas e definimos a estratégia dependendo dos momentos dos jogadores e da forma como estes passam o que dizemos para o campo. Dérbi? Olhamos para o futuro e o que mais interessa é o jogo de amanhã [sábado]. Temos de olhar, entender o jogo e perceber como vamos vencer. Uma coisa eu tenho a certeza, não são estes quatros jogos que definem se sou melhor ou pior treinador. Podem é definir se temos mais ou menos títulos. Aquilo que posso dizer é que todos estamos com a ambição para fazer as coisas bem. Para chegarmos lá, temos de estar confiantes para ganhar ao Estoril, que vai ser um jogo importante e difícil para nós”, analisou Lage na conferência de imprensa, antes de tocar nalgumas individualidades.

Ficha de jogo

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Estoril-Benfica, 1-2

32.ª jornada da Liga Portugal

Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril

Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)

Estoril: Joel Robles; Kévin Boma, Pedro Álvaro (Gonçalo Costa, 81’), Felix Bacher; Pedro Carvalho, Vinícius Zanocelo, Jandro Orellana (Tiago Brito, 63’), Pedro Amaral; Yanis Begraoui (Alejandro Marqués, 71’), André Lacximicant (Rafik Guitane, 71’) e João Carvalho

Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro; Fabrício Garcia, Tiago Parente, Philippe Lanquetin e Israel Salazar

Treinador: Ian Cathro

Benfica: Anatoliy Trubin; Tomás Araújo, António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dahl; Florentino Luís, Fredrik Aursnes, Orkun Kökçü; Zeki Amdouni (Andreas Schjelderup, 57’), Vangelis Pavlidis (Andrea Belotti, 79’) e Kerem Aktürkoglu (Leandro Barreiro, 79’)

Suplentes não utilizados: Samu Soares; Arthur Cabral, Ángel Di María, Bruma, Tiago Gouveia e Adrian Bajrami

Treinador: Bruno Lage

Golos: Aursnes (7’), Otamendi (35’) e Zanocelo (78’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Pavlidis (27’), Jandro (62’), Florentino (74’) e Zanocelo (83’), vermelho a Ricardo Rocha (delegado, 90+1’)

“Bruma? O Aktürkoglu também está num grande momento. O mercado de janeiro foi importante e permitiu que estejamos na posição que estamos. O Bruma tem sido importante, com golos e assistências, mas o que procurávamos era maior competitividade interna, e agora o Aktürkoglu está muito bem devido a essa competitividade. Gosto disso porque é importante para a equipa. O Bruma está a trabalhar bem para, quando for chamado, ajudar a equipa. Schjelderup? A conversa que tive com ele não foi dura. As críticas foram. A conversa foi de confiança e de que continuo a confiar muito nele. Não podemos jogar com toda a gente. Os alas são jogadores de enorme qualidade, que interpretam cada um deles o jogo de forma diferente. Temos uns que jogam melhor entrelinhas, outros em contra-ataque e temos de decidir quem começa e quem pode ajudar a equipa e dar continuidade ao trabalho no jogo”, acrescentou.

Apesar do favoritismo encarnado, os estorilistas entraram em campo a viver uma fase tranquila, depois de terem já confirmado a manutenção na Primeira Liga. Ainda assim, Cathro garantiu que a sua equipa ia fazer de tudo para travar o Benfica, mesmo sem o importante contributo de Wagner Pina e Jordan Holsgrove, que cumpriram suspensão. “Acho que é difícil jogar contra o Estoril. O mais importante para mim são os objetivos. Não queremos viver num mundo com a manutenção. Queremos crescer, não numa época só, mas de uma época para a outra. São objetivos nossos e com tempo, a médio e longo prazo. Conseguimos um primeiro passo, que foi garantir os dez primeiros.  Depois de um objetivo, vais para a cama, acordas e começas a tentar outro. O jogo vai ter 95/96 minutos e queremos tentar ganhar todos os minutos do jogo. Vai ser difícil, mas queremos melhorar e o foco é esse. Só vamos acabar quando o árbitro apita”, anteviu o escocês.

Como seria de esperar, Florentino Luís voltou ao onze de Bruno Lage, mas o técnico setubalense optou por deixar Ángel Di María no banco de suplentes, mantendo Zeki Amdouni no ataque. Com a entrada do médio português, Samuel Dahl baixou para o lado esquerdo da defesa. Já Ian Cathro ficou-se pelas duas alterações forçadas na sua equipa, com Pedro Carvalho e Jandro Orellana a entrarem para os lugares de Pina e Holsgrove. Como seria de esperar, o Benfica entrou com mais bola e a tentar explorar o espaço central concedido por um Estoril muito subido no terreno. Foi dessa forma que surgiu a primeira ocasião da partida, com Fredrik Aursnes a aparecer sozinho dentro da área, mas a permitir a defesa de Joel Robles (5′). No lance seguinte repetiu-se a receita, Nico Otamendi bateu longo em Vangelis Pavlidis, que amorteceu para Kerem Aktürkoglu, que por sua vez tocou curto para Orkun Kökçü. O médio turco fez um passe a rasgar a defesa para o norueguês que, desta vez, atirou a contar para o golo inaugural (7′).

A partir daí, os encarnados continuaram por cima, mas baixaram o ritmo do jogo, com o Estoril a continuar subido no terreno de jogo e a pecar na transição defensiva. A primeira incursão dos estorilistas aconteceu já perto do minuto 30, com João Carvalho a atacar o espaço entre Florentino e a linha defensiva, mas acabou por não incomodar a baliza de Anatoliy Trubin que não teve trabalho nos primeiros 45 minutos. Por outro lado, o Estoril começou a melhorar sem bola e a dificultar a primeira fase de construção das águias. Pouco depois, Dahl assumiu a cobrança de um livre na direita e levantou a bola para a pequena área, Robles saiu tarde da baliza e Otamendi, já em desequilíbrio e depois de ganhar a frente a Pedro Álvaro, cabeceou para o segundo golo (35′). Desta forma, o Benfica chegou ao intervalo tranquilamente em vantagem (0-2).

Sem novidades para a etapa complementar, os vermelho e brancos voltaram a entrar com mais intensidade, fortes nas dinâmicas e mais espaço pelo corredor esquerdo, com Pedro Carvalho a falhar na marcação e a conceder espaço a Aktürkoglu. Por outro lado, o Estoril demorou a ter bola e mostrou-se lento e sem critério. Ainda antes do fecho da hora de jogo, Amdouni caiu no relvado agarrado à coxa direita e teve de ser substituído por Andreas Schjelderup (57′). Já com Tiago Brito no lugar do lesionado Jandro Orellana, Otamendi vacilou na defesa, perdeu a bola para Yanis Begraoui, que entrou na área e foi derrubado pelo argentino. Na cobrança do penálti, o marroquino atirou muito denunciado para a esquerda e Trubin travou o remate, com Pedro Carvalho a acertar na trave na recarga (66′).

Pouco depois saltaram do banco Rafik Guitane e Alejandro Marqués, e o Benfica continuou atordoado, nervoso e sem conseguir controlar a partida, mesmo depois do susto. Adivinhava-se o golo da intranquilidade e acabou por aparecer na reta final da partida, com Guitane a recuperar uma bola perdida e a tirar um grande cruzamento para o segundo poste, onde Vinícius Zanocelo, vindo de trás, saltou mais alto que António Silva e Tomás Araújo, cabeceando colocado para o fundo da baliza de Trubin (78′). Lage respondeu com as entradas de Leandro Barreiro e Andrea Belotti, com Cathro a manter a equipa balanceada para o ataque com Gonçalo Costa. Na primeira incursão, o luxemburguês apareceu isolado, atirando para grande defesa de Robles. Na recarga, Belotti não conseguiu finalizar e Barreiro, sem ângulo, falhou a baliza deserta (86′). A águia teve de sofrer até ao fim, mas desta vez conseguiu segurar os três pontos antes do dérbi (1-2).