Muitas críticas depois do encontro no Dragão que antecedeu a paragem para seleções, ainda mais críticas na antecâmara do regresso após a paragem para seleções. Juntando lances dos encontros dos rivais diretos que já tinham jogado nesta oitava jornada, com o Sporting a vencer em Braga e o FC Porto a derrotar o Marítimo na Madeira, o Benfica veio de novo protestar em termos públicos a visar dois lances (um penálti pedido pelos minhotos por mão de Doumbia e a validação de um golo de Oskar Pietuszewski por apenas um centímetro) e a escrever somente duas palavras: “VARgonha total”. Três semanas depois, o regresso do Campeonato não trazia assim tantas mudanças. Em campo, os encarnados procuravam também manter o seu percurso sem grandes mudanças apesar da derrota no clássico após um período com pontos positivos e negativos.
“Teremos algumas baixas. Os jogadores foram chegando a conta-gotas, fomos recebendo e analisando. O contacto com jogadores e federações é constante, vamos estando a par de tudo o que possa acontecer nas seleções mas quando chegam há uma reavaliação. O que chegou mais tarde foi o Prestianni. Falando de quem poderá ter condicionantes, há a questão do Banjaqui, há também a questão do Kaminski e reavaliámos a situação do Sudakov. Num primeiro momento, parecia-nos uma situação com mais gravidade mas ele tem vindo a treinar e feito um esforço muito grande para estar disponível. Pode ou não estar entre os convocados. Os outros dois que estarão de fora são o Lenglet e o Enzo Barrenechea”, explicara Marco Silva.
“Acabou por ser uma pausa importante para alguns jogadores mas se pudesse evitá-la, tinha evitado. É pesado ter duas ou três semanas sem competição após o resultado que tivemos. Queres jogar rapidamente, sentir a adrenalina, ter resultados positivos. Se me perguntassem o que era mais indicado, era isso. Mas encarámos de forma normal, independentemente de não haver competição. Fomos acompanhando o que foram as suas exibições. Acalmámos a dinâmica de jogar de três em três dias mas por pouco tempo porque vem aí novamente uma fase muito competitiva. Foi muito mais importante para jogadores como o Claudio [Echeverri] e o Sofian [El Karouani] para integrá-los um pouco melhor”, acrescentara o técnico.
Agora seguira-se um regresso frente a um V. Guimarães com Tiago Margarido no comando que não teve um início fácil de temporada mas que tem estado muito abaixo do nível habitual dos minhotos. “É difícil fazer essa avaliação se é ou não pior Vitória, seria um erro ir para mim. É um clube com características muito especiais. Olhando para a massa adepta, o Vitória tem características muito próprias, quem trabalha naquele clube sabe o que estou a dizer. A qualquer momento é um clube que tem capacidade de melhorar. Olhando para o presente, não tem tido bons resultados mas em alguns jogos teve um caudal ofensivo muito grande. É uma equipa que não tem sido eficaz e naturalmente quer reagir. Não esquecer que viemos de um resultado negativo, que tem peso, e para nós é isso que é importante: reagir”, comentara a esse propósito.
“Temos é de ganhar jogos. Antes da última jornada tínhamos o objetivo claro de ascender ao primeiro lugar. Tivemos um jogo em atraso, tínhamos vindo a jogar de três em três dias. Sendo mais ou menos difícil olhar para a tabela, não temos outra solução: é ganhar jogos. A pressão está sempre inerente, quer estejamos a olhar para baixo ou noutra direção. É pressão inerente a um clube desta dimensão, que joga todos os jogos para ganhar. Sendo mais ou menos agradável, só há uma solução que é continuar a ganhar, melhorar enquanto equipa, ter uma identidade clara. Mesmo no jogo em que não ganhámos e que o resultado foi negativo esteve claramente presente a nossa capacidade com 11. Depois foram questões que não controlamos, não quis ir por aí. Tivemos algumas culpas no que foi o resultado, há que olhar de frente e a solução é melhorar e ganhar jogos, que é por isso que trabalhamos nesta casa”, fechara, dando quase o mote para o que se podia esperar.
Não se pode dizer propriamente que tenha havido uma melhoria – mas só o facto de ter mantido toda essa capacidade de chegar à área contrária pelos três corredores e com vários jogadores em zonas de finalização voltou a mostrar o sucesso desta nova versão de Benfica construída por Marco Silva. A identidade está lá, as ideias também, a finalização acabou por ser o principal obstáculo para fechar mais cedo a partida. Aí, numa fase de menor fulgor com e sem bola, o técnico juntou Echeverri a Prestianni, que surgiu mais descaído na esquerda. Se ter um jogador como o internacional A a criar desequilíbrios em lances individuais já é bom, contar com mais um argentino de finta curta, visão e capacidade de explosão no arranque acabou por ser demais para a resistência do V. Guimarães – e a forma como a jogada do segundo golo foi construída mostrou bem como esta nova sociedade que está na forja pode acrescentar muito ao futebol do Benfica.
A entrada não podia ter sido melhor. Correção: podia se houvesse outro tipo de capacidade na definição e na finalização. Rafa Silva teve uma grande oportunidade de fazer melhor numa transição em que apareceu em situação 1×1 mas acabou por falhar no passe (2′), depois foi Prestianni a ter mais um lance de génio para o remate de Schjelderup travado por uma grande defesa por Zych com a recarga de Rafa a bater com estrondo na trave (4′), de seguida houve dois lances que criaram perigo na área mas que encontraram sempre um defesa dos minhotos pelo caminho a cortar para canto ou para fora da área. O V. Guimarães estava remetido a um camisa de forças mas tentava resistir como podia ao cerco encarnado à sua área, sabendo que aguentar essa entrada mais fulgurante poderia dar um balão de oxigénio para “entrar” no jogo.
7m [ Benfica 0-0 Vitória SC ]
???? Início a todo o gás e com muito desperdício, com o Benfica a desperdiçar 2 ocasiões flagrantes nos seus primeiros 2 remates, na mesma jogada, incluíndo uma bola ao travessão, com tudo a valer 0.55 xG #SLBVSC pic.twitter.com/SblEsXd9XA
— GoalPoint (@_Goalpoint) October 11, 2026
Nem mesmo assim. Quando o Benfica teve um pequeno período de menor velocidade de movimentos, os vimaranenses nunca conseguiram ter períodos de posse nem capacidade para ativar a ligação entre setores que permitisse que a equipa “esticasse” no terreno. Ato contínuo, os encarnados aceleraram, continuaram a criar oportunidades e chegaram mesmo ao golo inaugural da partida. Não foi numa jogada de envolvimento na direita com Prestianni a tentar o remate cruzado que foi travado por Zych (20′), não foi na sequência de mais um passe fabuloso do argentino que isolou Schjelderup na área para uma tentativa em arco a fugir da “mancha” do guarda-redes que passou ao lado (21′), foi no lance mais simples e eficaz de toda a primeira parte: tabelinha ao primeiro toque entre Dahl e Pavlidis quando a defesa minhota tinha ficado “presa” em Prestianni e grande chapéu do lateral sueco na área perante a saída de Zych da baliza para o 1-0 (24′).
O mais complicado estava conseguido, o mérito do Benfica foi continuar a tentar algo mais. Jakupovic ainda teve duas tentativas de ameaça, na sequência de um canto e de bola corrida, mas Samuel Soares continuou a ser pouco mais do que um espectador do grande volume ofensivo criado pelos encarnados, que tiveram um remate com perigo de Pavlidis que passou perto do poste (34′) entre outras aproximações que deixaram a sensação de que poderiam ter outro tipo de definição ou finalização. Ainda assim, e apesar desse assédio à baliza contrária, o intervalo chegaria mesmo com a vantagem mínima das águias, que tinha também os seus adeptos a protestarem e muito por algumas faltas não marcadas (e respetivos cartões) de Luís Godinho.
INTERVALO ⏱️
[ Benfica 1-0 Vitória SC ]???? SLB em vantagem como marcador até escasso, para a quantidade de ocasiões flagrantes produzidas (4) e aproveitadas (1, Dahl). Vitória sem bola e sem enquadrados, praticamente limitou-se a tentar conter as águias
???? Top-3 Ratings em… pic.twitter.com/EbMAgeIsnr
— GoalPoint (@_Goalpoint) October 11, 2026
Não houve mexidas ao intervalo, também não houve alterações naquilo que estava a ser o jogo – e não tinha ainda passado um minuto na segunda parte para Pavlidis receber de Prestianni para arriscar o remate de pé esquerdo que ficou nas malhas laterais. O V. Guimarães vinha com instruções para procurar ter mais bola, tentava subir um pouco mais as linhas mas sabia também que podia conhecer um outro lado ao deixar mais exposto o setor defensivo às transições ofensivas dos encarnados. Arriscou, melhorou. À exceção de um desvio de cabeça de Jakupovic por cima após canto (57′), os minhotos não conseguiram criar oportunidades mas o Benfica tinha mais dificuldades na primeira fase de construção, não pressionava na frente como fizera no primeiro tempo e continuava a não chegar com bola controlada ao último terço. Marco Silva mexeu.
65m [ Benfica 1-0 Vitória SC ]
???? O Vitória mostra maior iniciativa no 2º tempo mas ainda não conseguiu enquadrar qualquer remate. Marco Silva já mexeu e Etcheverri desperdiçou já uma ocasião flagrante, a 4ª esbanjada pelo Benfica no jogo#SLBVSC pic.twitter.com/JBDUmq5Dnm
— GoalPoint (@_Goalpoint) October 11, 2026
Além da troca de Leandro Barreiro, que já tinha amarelo, por Aursnes, o técnico apostou em Echeverri no lugar de Schjelderup, colocando Prestianni mais na esquerda e dando ao último reforço o raio de ação em que gosta de jogar em campo aberto. Numa das primeiras ocasiões em que tocou na bola, o argentino teve uma desmarcação de rutura que o deixou isolado frente a Zych para o remate desviado pelo guarda-redes com o pé para canto (63′). Notou-se um futebol novo com a entrada do jogador cedido pelo Manchester City e foi de uma recuperação de bola a meio-campo que nasceu mais uma boa oportunidade, soltando em Pavlidis na frente que abriu para a entrada de Prestianni. O remate saiu por cima mas levava perigo (71′).
Lukebakio estava pronto para ir a jogo, Bah assinalou algumas dificuldades físicas, Marco Silva congelou a paragem para perceber o que podia fazer perante os problemas do lateral não tendo o lesionado Banjaqui no banco. A solução acabou por ser a do costume, com Aursnes a derivar para o lado direito e Sudakov, que até se chegou a pensar que não recuperaria para esta partida, a ser lançado para jogar no corredor central. Há males que vêm por bem e foi mesmo o ucraniano a marcar o golo que “fechou” a partida, com Prestianni a derivar da esquerda para o meio numa jogada individual, Echeverri a fazer a assistência e o médio ofensivo a atirar rasteiro para o 2-0 acabado de entrar (75′). Jhon Durán, que perante a vantagem mínima ainda esteve para ser lançado, foi mesmo lançado mas para os aplausos a Pavlidis – o resto já estava definido, apesar de uma bola no poste de Telmo Arcanjo em cima do minuto 90 que ainda poderia ter reaberto as contas.