Sábado é dia de etapa rainha. Chegou a etapa mais aguardada desta edição da Volta à Romandia. Antes da incursão na estação de esqui de Thyon 2000, a prova continuou bastante aberta, com os dez primeiros da geral a chegarem ao penúltimo dia separados por apenas 56 segundos. Na etapa de Cossonay, Jay Vine foi o mais rápido, depois de atacar na subida final, e deu à UAE Team Emirates-XRG mais uma vitória, com João Almeira a terminar no terceiro lugar e a subir ao sexto posto, fruto das bonificações. Estava, assim, tudo em aberto, numa altura em que prova suíça ia entrar no terreno predileto do português: a alta montanha.

A Emirates continua a ganhar asas com a vitória no horizonte: Jay Vine atacou no fim e venceu a solo na Romandia, Almeida ganhou tempo

“Esta etapa não era para ser muito difícil, mas posso dizer que as duas primeiras horas foram feitas com um ritmo alto. Acho que todos entenderam que, para termos uma oportunidade hoje [sexta-feira], precisávamos de alcançar a fuga relativamente cedo, antes do topo da última subida. Acho que andámos a cerca de 60 km/h nos últimos 40 quilómetros. Foi um dia muito intenso, com um percurso acidentado do início ao fim. Estou muito feliz por ter conseguido a vitória num final que, honestamente, não me agrada muito. Amanhã [sábado] será muito difícil. É uma etapa curta, com muita elevação e muito intensa. Acho que tudo se resumirá à subida final, que dura cerca de uma hora. Se ainda estiver quente como hoje, pode explodir…”, analisou Vine.

“Tudo correu muito bem. Estava na frente do início da subida, mas talvez tenha perdido a última oportunidade. Estava hesitante em ir, mas depois veio um rapaz da Astana, que acho que era o [Sergio] Higuita, e impôs um ritmo muito alto. Era difícil fazer qualquer coisa naquele momento, então concentrei-me em acompanhar o ritmo dos ciclistas à minha frente. Acho que aproveitámos ao máximo e poupámos as pernas o máximo possível hoje [sexta-feira]. Acho que foi um final muito bom para nós”, explicou Remco Evenepoel (Soudal Quick-Step).

Foi assim que os ciclistas partiram para os 128,4 quilómetros entre Sion e Thyon 2000, numa etapa com mais de 4.100 metros de desnível acumulado. As contas finais estavam guardadas para a imponente subida final, com mais de 20 quilómetros e uma inclinação média de 7,7%. Antes, o percurso no Vale do Rhône tinha reservado uma primeira categoria logo aos 14,5 quilómetros, seguindo-se, depois, Lens, uma subida de 3,8 quilómetros a 5,8%. Depois de 20 quilómetros planos no Rhône, o pelotão abordou mais uma primeira categoria, em Nax, com 11,4 quilómetros a 6,9%, antes de Suen. Nessa fase seguia-se nova descida para o vale, antes da abordagem final a Thyon 2000, que contou com pendentes perto dos 10% na fase inicial.

Como seria de esperar, as decisões ficaram reservadas para a subida final, depois de a Emirates e a Bahrain-Victorious terem controlado a corrida e alcançado os fugitivos Louis Barré (Intermarché-Wanty) e Julien Bernard (Lidl-Trek) na primeira fase da escalada a Thyon 2000. Já sem o líder Alex Baudin (EF Education-EasyPost) no grupo principal, David Gaudu (Groupama-FDJ) e Aleksandr Vlasov (Red Bull-Bora-hansgrohe) foram os primeiros trepadores a ficar para trás. Pouco depois, Evenepoel começou a sentir as primeiras dificuldades e descaiu no grupo, perdendo o contacto a oito quilómetros do alto. Almeida respondeu de pronto e assumiu a dianteira do grupo, lançando da melhor forma o ataque de Jay Vine, com resposta de pronto de Lenny Martinez (Bahrain).

Já depois de haver o reagrupamento e de ficarem apenas seis ciclistas na frente da corrida, o português voltou a acelerar, mas obteve resposta de todos os adversários, antes de voltar a puxar, revezando com o australiano da sua equipa. Com apenas os dois Emirates, Martinez e Lorenzo Fortunato (XDS Astana) na frente, o Bota Lume voltou a acelerar e apenas o francês conseguiu seguir o seu ritmo. A 3,6 quilómetros do fim, Lenny Martinez começou a quebrar, mas conseguiu manter-se colocado à roda do português, que voltou à carga pouco depois, sem sucesso. Com a discussão a dois guardada para o fim, o francês lançou o sprint a 150 metros do fim e garantiu a sua oitava vitória como profissional, praticamente lado a lado com o português.

Com esta vitória, Lenny Martinez subiu ainda à liderança desta Volta à Romandia, mas as decisões ficaram adiadas para o contrarrelógio final. O francês tem apenas dois segundos de vantagem para Lorenzo Fortunato, que foi terceiro na etapa a 29 segundos, e três para João Almeida. No quarto lugar está Jay Vine, a 32 segundos, ao passo que Junior Lecerf (Soudal) caiu para o quinto lugar, a 54, os mesmos de Carlos Rodríguez (Ineos Grenadiers).