Chapéus a cobrir os olhos, alfaiataria em fatos com tecido estruturado, bordados, brilho e plumas em cores sólidas, branco e preto. A prioridade da passadeira vermelha da Met Gala 2025 foi para a elegância, a sofisticação e um toque de extravagância típicas de um dandy, com todo o estilo e as tendências de moda imortalizadas pela população negra ao longo dos séculos XX e XXI. O tema deu pouca margem às excentricidades, com a noite a ser marcada pelo anúncio da terceira gravidez de Rihanna, pelos regressos de nomes como Diana Ross, 22 anos depois de ter pisado a red carpet pela última vez, ou de Madonna, depois de sete anos ausente, assim como pela estreia discreta de Georgina Rodriguez.
Foi na última segunda-feira no Metropolitan Museum, em Nova Iorque, que decorreu um dos eventos mais esperados do mundo da moda e teve como dress code o mote Tailored for You, de acordo com a exposição no Costume Institute, chamada Superfine: Tailoring Black Style. O tema inspira-se no livro da professora de estudos africanos da Barnard College Monica L. Miller, que escreveu em 2009 Slaves to Fashion: Black Dandyism and the Styling of Black Diasporic Identity, obra que explora o papel da indumentária na formação da identidade das populações negras.
A$AP Rocky foi um dos co-presidentes da noite, o que deu ainda mais importância à presença de Rihanna, que é um dos ícones do evento todos os anos. Fotografada a sair do hotel a caminho do Metropolitan Museum, a cantora usava um conjunto de top e saia Miu Miu num azul cinzento que deixou bem visível a barriga de grávida. Aos jornalistas na red carpet, A$AP Rocky confirmou que o casal espera o terceiro filho — já são pais de RZA, de dois anos, e Riot, de um. Rihanna só apareceu horas depois do início da gala, num look em alfaiataria preto formado por um blazer estilizado, gravata de lenço, saia às riscas e um grande chapéu a cobrir os olhos.
▲ Rihanna foi fotografada antes da passadeira vermelha da Met Gala e deixou à mostra a barriga de grávida
WWD via Getty Images
Ausente da Met Gala desde 2018, Madonna regressou à passadeira vermelha esta segunda-feira num fato off white em cetim, uma escolha bastante menos controversa do que há sete anos. Zendaya, que tem sido uma das presenças mais marcantes nos últimos anos, voltou a não falhar na edição deste ano ao levar um fato estruturado branco combinado com um chapéu que quase cobria os olhos. O visual é inspirado no look de noiva de Bianca Jagger, em 1971. Outra figura clássica da Met Gala é Kim Kardashian, que curiosamente também apostou num chapéu a cobrir os olhos, porém mais ao estilo dos visuais de Beyoncé na digressão de Cowboy Carter. A socialite surgiu na passadeira vermelha num conjunto Chrome Hearts de saia e top pretos em pele ajustados ao corpo com fios de pérolas pendurados.
Colman Domingo, co-presidente da edição deste ano, foi outro destaque: a capa azul que trouxe à chegada escondia um fato preto e branco elegante e bem cortado. Ainda entre as celebridades que optaram pela alfaiataria, Bad Bunny homenageou Porto Rico com o chapéu que combinou com o fato castanho Prada. Lupita Nyong’o usou um fato azul claro com capa e J Balvin um conjunto de fato rosa claro. A seguir a linha do vestuário com inspiração masculina, Hailey Bieber e Kendall Jenner usaram peças com corte de fato em cinza e preto, priorizando o decote em V para destacar as joias.
OH DIANA ROSS LITERALLY CLEARED EVERYONE OMFG ICONIC???????????? #MetGala pic.twitter.com/NlnVZcauRc
— ???????????????????????????? (@beyoncegarden) May 5, 2025
Outras estrelas apostaram em visuais com mais glamour. Foi o caso de Diana Ross, que fez uma entrada triunfal num vestido branco com detalhes em plumas e uma capa que ocupou praticamente toda a escadaria de acesso ao Metropolitan Museum. A capa tinha mais de 5 metros de comprimento e levava bordados os nomes dos filhos e netos da cantora de 81 anos. O visual é uma criação em conjunto com o filho, Evan Ross, e o designer nigeriano Ugo Mozie. Gigi Hadid apostou num vestido dourado com cauda e detalhes em 3D, uma peça à medida Miu Miu que é uma homenagem à costureira dos anos 1940 Zelda Wynn Valdes.
Georgina Rodriguez teve a sua primeira participação na Met Gala com um vestido de seda preto com renda e a sua já tradicional abertura na perna. O preto, aliás, foi uma das cores de eleição na passadeira vermelha esta noite — a escolha de nomes como Nicole Kidman, Demi Moore, Miley Cyrus, Dua Lipa, Heidi Klum, Sydney Sweeney e Sadie Sink. Já entre os que optaram por visuais com cor destacam-se os tons de vinho, escolha de Alicia Keys, e o azul royal, usado por Simone Biles. Andre 3000 pode ter sido o visual menos convencional. Com um piano nas costas, o músico aproveitou para promover o novo EP, Seven Piano Sketches. O jumpsuit é uma colaboração com Law Roach (o mesmo stylist que veste Zendaya) e o diretor criativo da Burberry, Daniel Lee. Pode ver os looks da passadeira vermelha na galeria que abre este artigo.
Dandismo como forma de reconstruir identidades
O termo dandy apareceu no final do século XVIII e era associado a homens de estilo extravagante que ao mesmo tempo usavam alfaiataria feita à medida, em contraponto ao até então estilo clássico aristocrata. Exemplos são o escritor Oscar Wilde ou Beau Brumell, amigo do príncipe regente e futuro rei de Inglaterra George IV, que se tornou um ícone da sua geração pela presença em festas e bailes. Na sua obra, Mónica Miller debruça-se sobre os dandies negros, ou os chamados “escravos de luxo” de Londres da mesma época, que por trabalharem como acompanhantes pessoais dos seus senhores, por norma, vestiam-se com roupas elegantes. “É uma estratégia e uma ferramenta para repensar identidades, reimaginar o eu num contexto diferente”, explica a professora, citada pela Vogue. Para Miller, a exposição com a história do dandismo negro “ilustra como os negros deixaram de ser escravizados e estilizados como itens de luxo, adquiridos como qualquer outro item que signifique riqueza e status, para se tornarem indivíduos autónomos, que fazem a própria moda e são criadores de tendências mundiais”.
Esta é a primeira exposição focada em roupas masculinas desde Man in Skirts, de 2003. Fatos clássicos às riscas, com xadrez ou com padrões extravagantes dividem espaço com conjuntos de Virgil Abloh ou Pharrell Williams para a Louis Vuitton. A exposição abre ao público no dia 10 de maio.
Pharrell Williams faz parte também da presidência da MetGala 2025, que inclui ainda o ator Coman Domingo, o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton e o rapper A$AP Rocky. LeBron James foi nomeado presidente honorário, mas falhou o evento devido a uma lesão. O comité anfitrião é composto por artistas, escritores, atletas e músicos, entre os quais a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, o realizador Spike Lee e a sua mulher Tonya Lewis Lee, a cantora Janelle Monáe e o rapper Usher. Este ano o evento é patrocinado pela Louis Vuitton, o Instagram, a Fundação da Família Hobson/Lucas, o Africa Fashion International e a Fundação Perry.