Foi uma derrota que foi muito mais do que uma derrota. Foi ver um troféu fugir, confirmar que a temporada se tornou ainda pior do que já era e não alcançar um alicerce importante para um futuro carregado de obstáculos. Esta quarta-feira, em Bilbao, o Manchester United não perdeu apenas um jogo — perdeu muito mais do que isso.

E o semblante de Ruben Amorim depois do apito final espelhava isso mesmo. Contra o Tottenham, os red devils somaram a 20.ª derrota da temporada, sendo que o treinador português tem mesmo mais desaires do que vitórias desde que chegou a Inglaterra: 16 contra 15, em 41 jogos. O Manchester United não vai estar nas competições europeias da próxima época, algo que não acontecia há uma década, e Amorim não escondeu a desilusão.

Ruben nunca quis a tábua, só a salvação. No fim, afogou-se (a crónica da final da Liga Europa)

“Acho que fomos a melhor equipa, mas isso vale de pouco se não marcarmos golos. É esse o reflexo da nossa época, tivemos sempre dificuldades em marcar e hoje aconteceu o mesmo. Na segunda parte tentámos tudo, não conseguimos, e no fim perdemos. A verdade é que fomos superiores ao adversário e isso não aconteceu em muitos jogos que perdemos esta época. Foi o reflexo de não conseguirmos marcar e de perdermos o jogo”, explicou o treinador português ainda na zona de entrevistas rápidas.

Mais à frente, Ruben Amorim reconheceu que não leva “muito” de San Mamés. “É difícil dizer que levamos alguma coisa. Temos de lidar com a dor e com a derrota e depois fechar a época no domingo e planear a próxima. Se mal posso esperar pelo fim da época? Obviamente. Acho que toda a gente. Depois desta derrota temos de fechar isto. Vamos ter um jogo em nossa casa e vai ser um momento difícil. Sinto-me sempre com forças. Não se preocupem comigo que eu fico bem”, acrescentou.

Mais tarde, já na sala de conferências de imprensa do estádio de Bilbao, disse não querer “defender-se” quando questionado sobre o futuro. “Não é o meu estilo, não vou fazê-lo. Estou sempre aberto a tudo. Se a direção e os adeptos sentirem que não sou a pessoa certa, saio no dia seguinte. Sem nenhuma conversa sobre qualquer indemnização. Mas não vou desistir, estou muito confiante no meu trabalho. Como podem ver, não vou mudar nada na forma como vejo as coisas”, disse, antes de realizar uma nova análise à final e também ao mercado de transferências de verão.

“Houve dias em que eu disse que fomos realmente maus. Hoje não foi assim. Não fomos perfeitos, precisamos de melhorar, mas sou sempre honesto convosco. Temos dois planos para o mercado. Precisamos de entender que é difícil não estar na Liga dos Campeões, mas precisamos de usar o outro lado. Temos mais tempo para trabalhar durante a semana e melhorar na Premier League. Esse será o nosso foco”, concluiu.

Já Bruno Fernandes, que voltou a perder uma final da Liga Europa com o Manchester United, depois da de 2021 contra o Villarreal, disse estar disponível para sair se o clube precisar de realizar um encaixe financeiro. “Sempre fui honesto. Se o clube pensa que chegou o momento de nos separarmos porque precisam de um encaixe financeiro ou seja lá o que for, terá de ser. O futebol é assim, às vezes. Sempre disse que fico cá até o clube me dizer que é tempo de sair. Estou ansioso por mais, por levar o clube de volta aos seus dias gloriosos, mas no dia em que pensarem que não sou suficiente ou que é o tempo de nos separarmos… O futebol é isso mesmo e nunca se sabe o que pode acontecer. Sempre disse isso e mantenho a minha palavra”, defendeu o internacional português.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]