A atriz portuguesa Cleo Diára venceu esta sexta-feira o prémio de Melhor Atriz do concurso Un Certain Regard de Cannes, secção paralela ao concurso principal em que costumam ser revelados novos talentos. Cléo divide o protagonismo de O Riso e a Faca, realizado por Pedro Pinho, com os intérpretes Sérgio Coragem e Jonathan Guilherme. O filme teve uma receção formidável na Croisette.
O Riso e a Faca segue o percurso de Sérgio, um engenheiro português contratado para estudar o impacto ambiental de uma estrada na Guiné Bissau. Quando chega ao país africano, envolve-se numa relação íntima com duas pessoas instaladas em Bissau. A personagem da atriz premiada na noite desta sexta-feira é uma delas.
Radiante no palco do Théâtre Debussy, Cleo Diára, nascida em Cabo Verde há 37 anos, agradeceu num discurso empolgante aos seus antepassados, família, amigos e todos os colegas de trabalho na obra de Pedro Pinho, defendendo as mulheres, a libertação da Palestina e também o cinema português e o sonho dos seus artistas: “Não desistiremos.”
Recorde-se que Cleo Diára teve uma dupla participação nesta edição de Cannes, já que faz também parte do elenco de Entroncamento, de Pedro Cabeleira, mostrado na secção ACID. A atriz divide a sua atividade entre o teatro, o cinema, e a performance. Integrou o elenco dos filmes Diamantino, Verão Danado e da curta Nha Mila, entre outros, assim como séries de televisão. O seu percurso artístico afirma-se como um espaço de resistência, memória e transformação.
A secção Un Certain Regard de 2025 foi ganha por La Misteriosa Mirada del Flamenco, filme chileno realizado por Diego Céspedes. Once Upon a Time in Gaza, dos irmãos palestinianos Arab e Tarzan Nasser, venceu na Melhor Realização. Trata-se de uma coprodução internacional que envolveu a portuguesa Ukbar Filmes.
Cannes anuncia este sábado à noite o palmarés e o prémio mais desejado: a Palma de Ouro.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]