Apesar dos retoques estéticos e da introdução de pequenas melhorias, a actual geração dos 718 Porsche Cayman e Boxster está nos stands há nove anos, uma vez que a vetusta 4.ª geração do desportivo alemão se encontra no mercado desde de 2016 e sabe-se agora que a produção termina no próximo mês de Outubro. O que é no mínimo estranho, uma vez que o CEO da marca avançou que a próxima geração do coupé e do descapotável, que serão 100% eléctricos, está atrasada cerca de dois anos.

Como já aqui noticiámos, a “morte” dos Cayman e Boxster com motores de combustão não se deveu apenas à respeitável idade do modelo, mas igualmente pelo facto de a Porsche ter de investir nestes desportivos de dois lugares e motor central para os fazer respeitar as novas normas europeias de cibersegurança, o que o construtor alemão optou por não realizar. Isto vai obrigar a marca a retirar os dois modelos dos mercados da União Europeia a partir de 1 de Julho, para depois continuar apenas a comercializá-los nos restantes mercados.

Falhas na cibersegurança liquidam Porsche 718 Cayman e Boxster

De acordo com o CEO da marca, Oliver Blume, os substitutos dos actuais 718 Cayman e 718 Boxster não chegarão ao mercado em 2025, como foi inicialmente anunciado. Esta data era expectável, tanto mais que o Cayman eléctrico tem sido “apanhado” em diversas ocasiões em fase de testes nas mais diferentes condições, inclusivamente no circuito de Nürburgring. Mas nem tudo parece estar a correr sobre rodas, com Blume a admitir que “há um atraso médio”, compatível com a informação de que os dois modelos eléctricos viram o lançamento atrasado em cerca de dois anos, ou seja, para 2027.

Esta marcha-atrás da Porsche ocorre num momento particularmente complexo para a marca, que está a revelar um mau desempenho no mercado de capitais. É bom recordar que o lançamento em bolsa deste construtor germânico, que teve lugar em Setembro de 2022, correu de forma bem acima das expectativas, com as acções a 84€, o que colocou a capitalização bolsista nos 75 mil milhões de euros. E depois foi sempre a subir, com o mercado a acreditar que a Porsche poderia retirar um coelho da cartola em termos de novos modelos, tanto mais que em Maio de 2023 as acções subiram até 118,90€, com o valor do construtor a disparar para uns impressionantes 110 mil milhões de euros.

Depois deste curto período de sucesso, eis que a Porsche começa a ter de enfrentar um certo descrédito do mercado. No fim de 2024, os títulos já só exibiam uma cotação na bolsa de Frankfurt de 58,42€, com a marca a valer somente 53,2 mil milhões, registando uma perda de 51,6% em pouco mais de um ano. Mas as más notícias não ficaram por aqui, dado que hoje os títulos já eram cotados a 42,78€, o que arrastou o valor da marca para apenas 38,56 mil milhões de euros. Isto implica uma perda de 65% do valor que detinha em Maio de 2023 (110 mil milhões) em apenas dois anos. Mas o maior problema para os alemães é que, só nos últimos cinco meses, o valor da Porsche caiu 27,5%, o que significa que a situação está a piorar e rapidamente, numa fase em que o construtor só tem modelos novos no mercado, excepção feita para os 718.