Os Porsche 718 Cayman e Boxster atravessam um período difícil dentro da gama da marca. No início de 2024, o construtor fez saber que o modelo a gasolina iria ser descontinuado por não estar de acordo com a legislação europeia de cibersegurança, destinada a proteger os veículos de ataques de hackers, com a Porsche a considerar que os custos para actualizar o desportivo eram demasiado elevados. Seguiu-se o anúncio do desenvolvimento de um 718 puramente eléctrico, que chegaria ao mercado em 2025, apenas para ver este momento progressivamente atrasado até que, em 2026, o CEO Oliver Blume anunciou a morte do 718 a bateria. Mudou o CEO e, com ele, a estratégia, pois Michael Leiters, o substituto de Blume, acaba de admitir que, afinal, o 718 eléctrico ressuscitou.
Falhas na cibersegurança liquidam Porsche 718 Cayman e Boxster
Numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine, Leiters, que foi contratado para salvar a Porsche e fazê-la regressar aos lucros, afirmou que a marca “vive das emoções, mais do que a racionalidade”, pelo que a aposta em modelos desportivos é fundamental. Daí que pretenda lançar um superdesportivo acima do actual 911, um SUV maior do que o Cayenne e produzir o 718 Cayman e Boxster eléctricos. Em relação a este modelo de acesso à gama, Leiters garantiu que “vamos fabricar o 718 eléctrico porque é a melhor solução do ponto de vista económico”.
Novo CEO da Porsche vai “matar” os Cayman e Boxster eléctricos?
Provavelmente, Leiters estará a referir-se ao facto de, desde o início, a Audi pretender fabricar um desportivo similar (o sucessor do TT), partilhando com a Porsche a plataforma, os motores, as baterias e o software, o que certamente reduzirá os custos para cada um dos construtores envolvidos. E, mesmo quando a Porsche anunciou pretender desistir do 718 a bateria, a Audi nunca colocou em causa a decisão de avançar com o TT eléctrico, concebido sobre a plataforma PPE (de Premium Platform Electric), isto apesar de também se estar a preparar para lançar o Nuvolari, um coupé superdesportivo com cerca de 1000 cv, concebido sobre a base do Lamborghini Temerario.
Os 718 e TT a bateria, quando chegarem ao mercado, vão encontrar o Alpine A110 EV, de que já aqui falámos. Ainda que a Alpine tenha superado em 2025 as 10.000 unidades vendidas, longe das 279 mil colocadas no mercado pela Porsche, o construtor francês está apostado em apresentar ainda este ano o A110 eléctrico, concebido sobre uma plataforma nova, a Alpine Performance Platform, a mesma que serviu de base ao Renault R5 Turbo 3E. Trata-se de uma plataforma específica para eléctricos a bateria, para optimizar soluções, existindo também aqui diferenças para a Porsche que, segundo Leiters, pretende que os 718 eléctricos passem a poder instalar igualmente motores a combustão, correndo o risco de tornar o desportivo mais pesado e menos eficiente.