Tal como prometido, este construtor germânico que atravessa uma grave crise financeira — os lucros da divisão automóvel caíram 98,3% em 2025, de 5,3 mil milhões de euros para apenas 90 milhões — apresentou um protótipo que irá assumir-se como o novo superdesportivo da marca, modelo que será o topo da gama da Porsche, acima do mítico 911. O concept, que ainda é conhecido como Mission S, mas que adoptará outra denominação para o modelo definitivo — basta recordar que o protótipo Mission E originou o Taycan —, foi revelado em Nova Iorque, o que se justifica ou não fossem os EUA o maior mercado da marca, especialmente entre os veículos mais potentes e dispendiosos.
O novo Mission S antecipa formas que parecem ter colhido inspiração em modelos como o 911 GT1 Street Version de 1997, ou o 918 Spyder de 2013, sendo esteticamente agradável, mas pouco moderno ou arrojado, como fica provado por retomar linhas dos modelos da marca com 29 e 13 anos, respectivamente. A Porsche faz questão de salientar que o novo Mission S montará o motor em posição central traseira, colocação que já utiliza no 911 de competição (911 RSR), ao contrário do que acontece nas versões de estrada vendidas a clientes, em que o conjunto motor/caixa (caixa para a frente e o motor para trás) tem demasiado peso a incidir sobre a traseira, o que torna o equilíbrio do comportamento complicado e pouco eficiente, o que é penalizado em competição.
A Porsche anunciou igualmente que está a desenvolver um novo motor, que curiosamente é um oito cilindros horizontal — que parece já estar instalado no Mission S —, ou seja, um motor boxer como o que equipa o 911, mas com mais dois cilindros. A opção é estranha, excepto se existir uma limitação em altura, uma vez que os motores boxer não conseguem rivalizar com os oito cilindros em V em eficiência e em número de peças móveis, pelo que o Mission S seria uma boa ocasião para introduzir um V8 num coupé com motor central traseiro, como acontece com a Ferrari, a Lamborghini, a McLaren ou qualquer fabricante de superdesportivos.
O Mission S teve contudo algum “azar”, uma vez que não só escolheu a América do Norte como palco, como foi revelado ao público no mesmo dia em que também a Tesla apresentou o seu concept. Com o Roadster ajudado por thrusters da SpaceX a conseguir voar, ir de 0-96 km/h em (até) 0,59 segundos, atingir (até) 530 km/h e colar-se ao solo como se tivesse ventosas, o superdesportivo da Porsche parece ficar aquém de rivalizar directamente com o modelo eléctrico americano.