A Richemont, um dos principais grupos de luxo do mundo, que detém marcas como Cartier ou Montblanc, inaugurou um centro tecnológico em Lisboa, o primeiro fora da Suíça. Para o hub, denominado R:Tech, já foram contratados 100 trabalhadores e o plano é chegar até aos 400 nos próximos dois anos. Por isso, o grupo está ativamente à procura de engenheiros de software, especialistas em produto ou data scientists.

Os rumores da abertura do centro tecnológico circulam online desde o início do ano, mas só no começo deste mês é que a equipa se mudou para o espaço, localizado na zona de Moscavide. “Instalámo-nos no edifício no início do mês, mas estivemos em escritórios temporários durante o último ano”, explica Lucas De Gaulejac, que é o responsável operacional pelo hub.

Questionado pelo Observador sobre o investimento feito pela Richemont, o responsável não avança com “valores monetários exatos”, mas afirma que é um “grande investimento”, num espaço que está planeado para ter 3.200 metros quadrados. “Não podemos partilhar números exatos, mas penso que a dimensão [do projeto] fala por si”, salienta.

Instantes antes, na apresentação feita para inaugurar o centro, Renald Litré, diretor de plataformas da Richemont, adiantou que a equipa que está em Lisboa já está “totalmente integrada” com a da Suíça, sendo que “trabalham juntas em objetivos comuns”. O grupo trabalha neste projeto há dezoito meses e o investimento foi descrito como sendo “estratégico para o futuro da Richemont”.

Quanto aos designados objetivos, Litré não deixou de especificá-los: “O primeiro é reforçar e otimizar as nossas bases tecnológicas. O segundo é melhorar a nossa tecnologia, nas nossas boutiques e nos nossos fabricantes. E o último, mas não menos importante, é trabalhar no avanço das nossas capacidades de dados e inteligência artificial, que são muito importantes atualmente em todo o grupo”. Por outro lado, mostrou-se orgulho de a Richemont “fazer parte do ecossistema tecnológico vibrante de Portugal”. “Estamos muito entusiasmados por podermos apoiar e criar também novas competências digitais aqui em Lisboa.”

A Richemont já está de olhos postos na IA

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A inteligência artificial já faz “parte integral” do roadmap da Richemont para o futuro. “Estamos a começar a jornada de IA neste momento”, adiantou aos jornalistas Eduardo Grilo, chief technology officer. 

Nos últimos meses, a Richemont implementou um conselho de IA que “rege o uso” da tecnologia. “Basicamente, [este conselho] determina onde a IA pode ser usada, onde deve ser usada e também garante que a usemos de forma ética”.

Também recentemente, segundo Eduardo Grilo, o grupo lançou o primeiro agente a nível interno, chamado Agente 42 e que serve “como uma forma para os trabalhadores começarem a usar IA e IA generativa num ambiente seguro e controlado”.

Minutos antes, Nicolas Bos, CEO da Richemont, já tinha revelado o porquê de o grupo ter escolhido Portugal, mais especificamente a cidade de Lisboa, para abrir o primeiro hub tecnológico fora da Suíça. “Foi uma escolha da equipa e estou muito, muito feliz. Foi uma escolha muito, muito bem pensada, muito importante e interessante. Queríamos manter as nossas atividades na Europa. Somos um grupo europeu, a maior parte das nossas marcas são suíças, francesas, italianas, britânicas. E também temos, historicamente, uma forte muito presença das nossas atividades e marcas na Ibéria e em Portugal”, adiantou, antes de destacar não só que a capital portuguesa se tornou atrativa para os jovens “talentos”, como tem um “tempo fantástico” e a comida é “muito boa”.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]

De seguida, Nicolas Bos falou a “título pessoal” e recordou a sua história com a capital portuguesa: “Curiosamente, Lisboa e Portugal foram muito importantes para mim, em algumas etapas da minha carreira na Richemont. O meu primeiro contacto com a distribuição foi uma auditoria que fiz à distribuição da Cartier há mais de 30 anos, percorrendo todos os retalhistas deste país”. Além disso, recordou uma “exposição fantástica” feita pelo grupo com a Fundação Cartier para a Arte Contemporânea no Centro Cultural de Belém em 1999. “Foi uma das mais belas exposições da Fundação Cartier na Europa.”

Por isso, não se trata de uma história nova [a da Richemont com Portugal]. Mas sim de um capítulo novo de uma história muito, muito antiga que respeitamos e que significa muito para nós.”

O grupo Richemont tem 24 marcas, que incluem a Chloé, a Alaïa ou a Panerai, e uma presença global, com escritórios em várias regiões do mundo, do Japão aos Estados Unidos. No final de 2023 esteve ligado às notícias que avançaram que a Farfetch, outrora unicórnio com ADN português, estaria a estudar a saída de bolsa porque tinha um acordo — ainda pendente de autorização regulatória — para lhe vender a plataforma de comércio eletrónico Yoox Net-A-Porter (YNAP).

Com a queda da Farfetch e a sul-coreana Coupang a anunciar planos para comprar a empresa, um negócio que se viria a concretizar, a Richemont informou que a venda da Yoox Net-A-Porter não iria avançar. Essa plataforma só foi vendida em outubro do ano passado, mas à Mytheresa. O negócio recebeu aprovação regulatória, por parte da Comissão Europeia, em abril.

Grupo sul-coreano Coupang anuncia planos para comprar Farfetch