Durante as últimas semanas, marcadas pelos duelos particulares entre Sporting e Benfica na corrida ao topo do Campeonato e à conquista da Taça de Portugal, o FC Porto foi ocupando uma postura mais “na sombra”, assegurando o objetivo mínimo possível a partir de março de ficar na terceira posição da Liga à frente do Sp. Braga. Também André Villas-Boas, presidente dos dragões, teve menos aparições públicas, mesmo estando sempre ativo em questões do clube e do futebol português, como se viu na Cimeira dos Presidentes onde foi uma das vozes a colocar mais temas em cima da mesa, da centralização dos direitos televisivos à reformulação dos quadros competitivos, passando mesmo pela possibilidade de acabar com a Taça da Liga.
Não falando em público, Villas-Boas esteve atento a tudo, reservando-se para uma altura em que conseguisse ter mais força na mensagem para abordar vários assuntos que têm marcado os últimos dias. Nesse sentido, e depois de ter confrontado de forma direta Rui Costa na Cimeira dos Presidentes para saber qual era o real posicionamento do Benfica no dossier da centralização, o líder dos azuis e brancos apontou a mira a outro homólogo, Frederico Varandas, do Sporting, e fez uma radiografia nefasta do futebol nacional.
“Se o presidente da Federação Portuguesa de Futebol decidir dar um murro na mesa, porque estamos perante grandes suspeições levantadas relativamente ao que me parecem ser casos de corrupção passiva e ativa. As frases do presidente do Benfica, que não sei a quem as dirige, são graves e levantam várias suspeitas sobre o futebol português. Eu não tenho feito outra coisa que não avisar o presidente da Liga e o presidente da Federação e ex-presidente da Liga que o facto de eles não terem condenado publicamente os atos de corrupção ativa provados em sede de Justiça é um ato lamentável e que poderia levar a atos de suspeição à volta do futebol português”, começou por referir André Villas-Boas, à margem da apresentação do Centro de Alto Rendimento do FC Porto que irá nascer em Vila Nova de Gaia.
“Todo este clima não revela nada de bom, a continuação das declarações de ataque a árbitros e ao Conselho de Arbitragem por parte do presidente do Sporting também é lamentável em toda a linha. Espera-se que o Conselho de Disciplina tenha uma mão severa em relação ao posicionamento do Sporting, que continua a atacar árbitros, um em particular, que curiosamente errou em infelicidade a favor da sua equipa – e tem errado várias vezes a favor da sua equipa. O seu ataque pessoal continuou ontem [quarta-feira]. Tivemos um presidente interino da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol que tomou um posicionamento a favor das declarações do presidente do Sporting anteriormente e que é agora candidato. Ou seja, não se demarcando e protegendo a sua classe também. Toda esta liberdade que o presidente do Sporting tem em coagir árbitros, em condená-los publicamente, tem de ser severamente punida. Estou um pouco desapontado com a forma inerte do Conselho de Disciplina, a forma impávida e serena como a Federação Portuguesa de Futebol assiste a todo este Carnaval”, acrescentou a esse propósito.
Ainda assim, e no mesmo âmbito, Villas-Boas não passou ao lado dos choques entre responsáveis de órgãos nacionais no futebol: “Gostei muito das declarações de ontem do Secretário de Estado, o Dr. Pedro Dias, que tenta trazer um pouco de calma ao futebol português. A realidade é que eu já fiz uma intervenção em sede da Federação Portuguesa de Futebol, que o futebol português está podre, as instituições não estão colaborantes, os grandes não estão sentados à mesa. Há um choque evidente entre o presidente da Liga e o presidente da Federação, como ontem [quarta-feira] ficou bem provado. Portanto, todos estes discursos de unir o futebol, de almoços e almocinhos e congressos que optam por apontar a um sentido de união do futebol português, posso garantir-vos que não é o caso. Está na altura de o presidente da Federação dar um murro na mesa relativamente às situações que se estão a passar, às declarações que estão a ser feitas por parte de presidentes das grandes instituições, que não podem passar impunes e sem um castigo severo”.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]
Villas-Boas pede “cuidado” com Rodrigo Mora e explica como está dossier Gabri Veiga
Em paralelo, e ainda no âmbito da apresentação do Centro de Alto Rendimento do FC Porto em Gaia, o número 1 dos azuis e brancos falou da importância da obra a médio prazo para o clube e também da primeira chamada de Rodrigo Mora à Seleção A depois de ter sido o grande destaque dos dragões em 2024/25.
“O desenvolvimento como jogadores internacionais é fundamental, não há dúvida que é abraçado por uma nova luz de esperança relativamente à representação pela Seleção Nacional e isto, este acompanhamento, também é uma responsabilidade do selecionador e da Federação Portuguesa de Futebol. Portanto, muita alegria pelo Rodrigo Mora, por esta primeira chamada e esperemos que seja um sucesso para o futebol português e para a Seleção. Vi a chamada com muita alegria, por ser merecida, mas também há muita responsabilidade colocada sobre os ombros do atleta. Acho que a continuidade é muito importante nesta fase de desenvolvimento dos jovens atletas e novos jogadores da Seleção Nacional, ou seja, que eles também não sejam abandonados entre convocatórias”, apontou o presidente do FC Porto.
“As exigências do futebol profissional pedem-nos outras respostas e investimento em novas infraestruturas. A necessidade de criar melhores condições de treino e performance na alta competição assume um papel fundamental em linha com a necessidade de centralizar operações entre profissionais e a formação do clube, de forma a criar projetos formativos de forte identidade e cultura Porto. Procedemos à procura de espaços em proximidade com o atual Centro de Treinos e Formação Desportiva do Olival, tendo encontrado as condições necessárias a poucos metros de distância para a implementação de um Centro de Alto Rendimento para as equipas profissionais do FC Porto, de forma a dotá-la de um equipamento de excelência em linha com as necessidades de uma equipa europeia de topo”, salientara antes na apresentação.
“Investir numa infraestrutura desta importância requer também muita responsabilidade, rigor, planeamento e sustentabilidade financeira. Nesse sentido demos cada um dos nossos passos de forma calculista, suscitando dúvidas e levantando questões que com o tempo, e em colaboração estreita com a Câmara Municipal de Gaia, o seu presidente, a sua arquiteta e os seus arquitetos e demais responsáveis de planeamento, conseguimos obter as respostas necessárias para que hoje se assinasse o Protocolo de Cooperação entre as duas instituições, onde não só se dá inicio ao processo de materialização de uma obra decisiva no crescimento patrimonial e infraestrutural do FC Porto, como também a continuação da valorização de uma das freguesias periféricas do centro nevrálgico do Município de Gaia”, completara.
Por fim, e também à margem daquele que foi o motivo da presença dos dragões em Gaia, Villas-Boas falou de forma aberta sobre a possibilidade de Gabri Veiga chegar nos próximos dias ao FC Porto para reforçar o plantel de Martin Anselmi. “Estamos numa fase cada vez mais próxima de um acordo total. Evidentemente, há sempre imprevistos que podem acontecer. Gostávamos muito de poder contar com a presença dele para o Mundial de Clubes mas ainda é um jogador do Al Ahli, com quem temos excelentes relações. Estamos a negociar com o clube. Não queríamos entrar em loucuras, estamos a ser comedidos na sua transferência. É um grande talento jovem e europeu, com grande proximidade e esperamos levar a bom porto as negociações. Jogador interessado? Sim, naturalmente. Temos autorização para falar com o jogador, que demonstrou a sua vontade. Como podem bem calcular, o jogador abdica de mais de 90% do seu salário para poder jogar pelo FC Porto. Tudo isto é louvável na carreira de um desportista”, explicou o presidente portista.