Em 2003, contra Espanha, João Moutinho, Miguel Veloso, Vieirinha e companhia conquistaram o Europeu Sub-17 pela primeira vez. Em 2016, novamente contra Espanha e nas grandes penalidades, Diogo Costa, Diogo Dalot, Florentino e companhia conquistaram o Europeu Sub-17 pela segunda vez. Este domingo, contra França, a geração conduzida por Bino Maçães procurava repetir a façanha. 

No Campeonato da Europa que decorreu na Albânia, Portugal começou por ficar no segundo lugar do Grupo A, precisamente com os mesmos pontos que França, e eliminou depois a Itália nas meias-finais — com uma exibição brutal de Romário Cunha, guarda-redes que defendeu três penáltis na derradeira decisão, e a possibilidade de afastar os fantasmas da final perdida no ano passado precisamente com os italianos. Para conquistar o Europeu Sub-17 pela terceira vez, porém, a Seleção tinha de fazer o que nunca tinha feito: derrotar os franceses no escalão.

Ficha de jogo

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França-Portugal, 0-3

Campeonato da Europa Sub-17

Arena Kombëtare, em Tirana (Albânia)

Árbitro: Oleksii Derevinsky (Ucrânia)

França: Ilan Jourdren, Kyllian Antonio, Hermann Diandaga, Emmanuel Mbemba, Lucas Batbedat (Tom Raiani, 84′), Rudy Matondo (Sanah Camara, 77′), Paul Eymard, Abdoulaye Camara (Believe Munongo, 61′), Djibril Coulibaly (Ilyas Azizi, 61′), Rémi Himbert (Christ Batola, 77′), Djylian N’Guessan

Suplentes não utilizados: Leo Bouyer, David Boly, Elikya Legros, Milan Leccese

Treinador: Lionel Rouxel

Portugal: Romário Cunha, Daniel Banjaqui, Martim Chelmik, Mauro Furtado, José Neto, Rafael Quintas, Bernardo Lima (Santiago Verdi, 77′), Mateus Mide, Duarte Cunha (Ricardo Neto, 67′), Stevan Manuel (Yoan Pereira, 58′), Anísio Cabral (Tomás Soares, 58′)

Suplentes não utilizados: Alexandre Tverdohlebov, Gabriel Dbouk, Zeega, João Aragão

Treinador: Bino Maçães

 

Golos: Anísio Cabral (30′), Duarte Cunha (38′), Gil Neves (60′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Anísio Cabral (45+1′), a Paul Eymard (66′), Ilyas Azizi (78′), a Tomás Soares (81′), a Daniel Banjaqui (90+2′)

“Temos estratégias planeadas para o jogo. Não tivemos medo de ninguém até este momento, mas tivemos muito respeito por todos os nossos adversários, por isso, a final não irá fugir à regra. O respeito que vamos ter na final e perante França é o que nos pode levar a conquistar o troféu. Chegar até aqui é uma recompensa do trabalho desenvolvido. Começámos com esta geração nos Sub-16 e este percurso é revelador do crescimento da equipa. Estou muito orgulhoso, mas queremos mais. Queremos ganhar esta final”, disse Bino Maçães na antevisão, recordando que as duas equipas empataram sem golos na fase de grupos.

Assim, este domingo e em Tirana, o selecionador português não fazia qualquer alteração ao onze inicial que defrontou e venceu Itália na meia-final e apostava em Duarte Cunha, Anísio Cabral e Stevan Manuel no ataque, com Mateus Mide, Rafael Quintas e Bernardo Lima no meio-campo. Do outro lado, Lionel Rouxel também não mexia na equipa que eliminou a Bélgica na meia-final, com Djylian N’Guessan e Rémi Himbert no setor mais adiantado.

Portugal criou a primeira situação de perigo logo nos instantes iniciais, num lance em que Duarte Cunha recuperou a bola em zona adiantada, mas acabou por adiantar demasiado antes de finalizar na cara de Ilan Jourdren (2′). Mateus Mide deu seguimento à boa entrada portuguesa com um remate de fora de área que o guarda-redes francês encaixou (8′) e a verdade é que França demorou até entrar no último terço contrário.

A Seleção esteve sempre por cima, mesmo quando o jogo perdeu alguma intensidade e verticalidade a partir do quarto de hora inicial: tornou-se mais tático e calculista, com as duas equipas muito encaixadas, mas ficava claro que a organização defensiva portuguesa não permitia praticamente nada ao oponente. À passagem da meia-hora, Portugal conseguiu mesmo abrir o marcador.

Num lance de insistência, com Bernardo Lima a cabecear para pôr a bola novamente na área depois de um alívio incompleto, Anísio Cabral ainda viu o primeiro remate ser intercetado, mas, à segunda tentativa, atirou certeiro para bater Ilan Jourdren (30′). França ainda reagiu por intermédio de Djibril Coulibaly, que atirou ao lado depois de um bom movimento da direita para dentro (32′), mas só demorou oito minutos a sofrer o segundo golo.

Romário Cunha bateu longo, Anísio Cabral isolou Duarte Cunha de cabeça e o avançado do FC Porto, que também dominou com um cabeceamento, desviou da melhor maneira em frente ao guarda-redes (38′). Ao intervalo, Portugal estava a vencer França na final do Campeonato da Europa Sub-17 de forma totalmente justa e praticamente sem permitir verdadeiros lances de perigo ao adversário.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e Portugal voltou a ser a primeira equipa a criar perigo, com Anísio Cabral a atirar por cima já na área depois de um lance individual (47′). Bino não demorou a mexer, lançando Gil Neves, Yoan Pereira e Tomás Soares ainda antes da hora de jogo, e o terceiro golo veio mesmo do banco: instantes depois de entrar em campo, na sequência de uma enorme recuperação de bola de Bernardo Lima, Gil Neves atirou rasteiro e sentenciou a final (60′). 

Lionel Rouxel reagiu com duas substituições, lançando Believe Munongo e Ilyas Azizi, e Bino também trocou Duarte Cunha por Ricardo Neto. Os franceses fizeram o primeiro remate enquadrado a cerca de 20 minutos do fim, com Kyllian Antonio a atirar já na área para uma boa defesa de Romário Cunha (69′), e Rafael Quintas ainda teve uma boa oportunidade com um pontapé rasteiro que Ilan Jourdren encaixou (71′). Até ao fim, e apesar de tanto Yoan Pereira (88′) como Paul Eymard (89′) terem acertado no poste, já nada mudou.

Portugal venceu França com uma exibição dominante e superlativa e conquistou o Campeonato da Europa Sub-17 pela terceira vez, depois de 2003 e 2016, derrotando também os franceses pela primeira ocasião no escalão. Rafael Quintas foi um verdadeiro capitão, Bernardo Lima assinou uma prestação impressionante, Anísio Cabral marcou e assistiu e todos, em conjunto, contribuíram para o sonho que Bino Maçães sempre assumiu.