Era um verdadeiro clássico europeu onde só um poderia garantir a passagem aos quartos de final do Mundial de Clubes. Depois das surpreendentes eliminações de Inter Milão e Manchester City às mãos de Fluminense e Al Hilal, Real Madrid e Juventus tinham a responsabilidade de assumir a bandeira da honra da Europa e perseguir a desejada final da renovada competição.
Nos merengues, depois de um primeiro lugar claro no Grupo H, Xabi Alonso não escondia que o objetivo era assumir uma candidatura à conquista do Mundial de Clubes. “Em todas as competições a eliminar, assim que a fase de grupos termina é tudo ou nada. Amanhã jogamos contra uma equipa muito grande e isso vai exigir muito de nós. Futebol, mentalidade e concentração. Trabalhámos muito e estamos prontos. Não vai ser o meu primeiro teste… É um jogo diferente porque é decisivo e esta competição é muito grande. Mas não, é só um jogo muito importante”, explicou o treinador espanhol na antevisão da partida.
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Nos italianos, depois de uma derrota expressiva contra o Manchester City na última jornada da fase de grupos, Igor Tudor garantia que a equipa não tinha ficado fragilizada. “Precisamos de trabalho de equipa, de sofrer, de acreditar, de atacar e de marcar golos, de não cometer erros a defender. É um jogo super difícil, mas ao mesmo tempo é um jogo maravilhoso de se jogar. Tentei dar o meu ‘input’ aos rapazes, que é o de acreditar mesmo, porque é disso que precisamos na vida e no futebol. Não podemos é ficar a pensar depois do jogo que podíamos ter feito isto ou ter feito aquilo. Temos de dar o nosso coração e a nossa alma naquele momento. Temos de jogar com coragem”, atirou o técnico croata, que não podia contar com o lesionado Nicolò Savona.
Assim, esta terça-feira e no Hard Rock Stadium de Miami, Xabi Alonso já contava com Kylian Mbappé na convocatória mas o francês, que falhou toda a fase de grupos devido a uma gastroenterite, ainda começava no banco. Gonzalo García e Vinícius faziam dupla no ataque, com Jude Bellingham, Valverde e Arda Güler no meio-campo, e Tchouaméni aparecia adaptado a central. Já Igor Tudor tinha Francisco Conceição de volta à titularidade e mantinha a aposta em Alberto Baio, com Kenan Yildiz a surgir no apoio a Randal Kolo Muani.
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Numa primeira parte muito dividida que terminou sem golos, foi possível perceber que o Real Madrid é melhor do que a Juventus em termos abstratos de qualidade individual e coletiva, mas os italianos contam com alguns elementos que podem facilmente equilibrar essas contas. A primeira oportunidade do jogo, na verdade, pertenceu mesmo à equipa de Igor Tudor, com Kolo Muani a picar a bola por cima de Courtois e da baliza depois de um passe venenoso de Kenan Yildiz (7′).
Apesar de terem mais bola, os merengues tinham muita dificuldade para ultrapassar a compacta e organizada defesa da Juventus e só conseguiam criar perigo através de remates de fora de área, como aconteceu com um pontapé ao lado de Fede Valverde (9′). Kenan Yildiz fez parecido, ao atirar ligeiramente ao lado ainda de muito longe (11′), e os italianos davam a sensação de até conseguirem ficar mais perto do golo sempre que aceleravam.
Antes do intervalo, Francisco Conceição ainda teve tempo para cabecear para uma defesa atenta de Courtois (23′), Jude Bellingham viu Rugani roubar-lhe o golo quase em cima da linha e Valverde, novamente de fora de área, obrigou Michele Di Gregorio a um belo voo (45+1′). No fim da primeira parte, Real Madrid e Juventus estavam ainda empatados sem golos em Miami.
⚽️ INTERVALO ????
???????? Real Madrid 0 – 0 Juventus ????????◉ Jogo está feio, com um pouco mais de Real
◉ Ambas as equipas já criaram, porém, o suficiente para 1 golo cada (xG)#RealMadridJuve #FIFACWC pic.twitter.com/MlJ5DduvTM— GoalPoint (@_Goalpoint) July 1, 2025
Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e Fede Valverde poderia ter inaugurado o marcador logo nos instantes iniciais da segunda parte com um remate cruzado que passou ligeiramente ao lado da baliza de Michele Di Gregorio (47′). O Real Madrid começou a apertar o cerco, com Michele Di Gregorio a responder a remates de Jude Bellingham e Dean Huijsen, e acabou mesmo por conseguir marcar: Alexander-Arnold cruzou a partir da direita e Gonzalo García, livre de marcação na grande área, cabeceou da melhor maneira (54′).
A Juventus respondeu através de um pontapé de Francisco Conceição que Courtois defendeu (56′), mas o lance não convenceu Igor Tudor e o internacional português acabou por sair pouco depois, acompanhado por Lloyd Kelly, face às entradas de Nico González e Kostic. Os italianos não conseguiam reagir à desvantagem e as melhores oportunidades continuavam a pertencer ao Real Madrid, com Valverde a motivar outra defesa de Di Gregorio com um pontapé de bicicleta (61′).
Mbappé entrou a menos de 25 minutos do fim, para a saída de Gonzalo García, mas foi Arda Güler quem esteve mais perto de marcar com um remate de fora de área que Di Gregorio defendeu por instinto com os pés (72′). O jogo esteve constantemente mais perto do segundo golo dos merengues do que do empate dos italianos e a verdade é que, até ao fim, já nada mudou: o Real Madrid venceu a Juventus em Miami e garantiu o apuramento para os quartos de final do Mundial de Clubes, onde vai encontrar Borussia Dortmund ou Monterrey.
Trent e Gonzalo a dar a vantagem ao Real ????
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A pérola
Como não podia deixar de ser, Gonzalo García. Aos 21 anos, o avançado do Real Madrid marcou o terceiro golo no Mundial de Clubes e continua a ser a figura da equipa de Xabi Alonso nos Estados Unidos. Aproveitando a ausência de Mbappé e a queda de Rodrygo nas preferências do treinador espanhol, Gonzalo García pode perfeitamente assumir um lugar cativo na equipa principal na próxima temporada.
O joker
Foi capitão até à entrada de Luka Modric e perseguiu o golo até ele próprio ser substituído: com remates de fora de área, remates dentro de área, pontapés de bicicleta, tentativas enquadradas e tentativas desenquadradas. O médio uruguaio é cada vez mais um dos líderes do Real Madrid e voltou a assinar uma exibição de excelência que só não foi coroada com um golo devido a uma enorme prestação do guarda-redes Michele Di Gregorio, que também poderia ser distinguido em nome próprio.
A sentença
Com este resultado, o Real Madrid garantiu o apuramento para os quartos de final do Mundial de Clubes e fica agora à espera do desfecho da eliminatória entre Borussia Dortmund e Monterrey para saber quem é o próximo adversário. Já a Juventus, mais do que afastada nos oitavos de final, sai com duas derrotas claras contra dois teóricos clubes da mesma craveira, Real Madrid e Manchester City, e a ideia de que está muito longe dessas realidades.
A mentira
Mesmo com a derrota e mesmo com a eliminação, Khéphren Thuram mostrou que não é o elo mais fraco da família. Filho de Lilian Thuram e irmão mais novo de Marcus Thuram, avançado do Inter Milão, o médio de 24 anos foi o último do clã a aparecer no espaço mediático mas, depois das passagens por Mónaco e Nice, tem sido consistente na hora de mostrar que é um dos melhores médios a atuar na Europa.