Um duelo entre o presente e o passado. De um lado a melhor equipa da atualidade. Do outro o maior clube do mundo. A segunda meia-final do Campeonato do Mundo de Clubes reservou um embate de gigantes entre PSG e Real Madrid, vencedores das duas últimas Ligas dos Campeões, que teve a particularidade de colocar frente a frente o emblema francês e… Kylian Mbappé. Para chegarem a esta partida, rouge et bleu e blancos deixaram pelo caminho duas equipas alemães, o Bayern Munique (2-0) e o Borussia Dortmund (3-2), respetivamente. Por outro lado, o Real Madrid vivia um grande momento nesta reta final da temporada, perfilando-se como a única equipa em competição que ainda não tinha perdido.

“É difícil analisar este Real Madrid. São taticamente uma nova equipa e é difícil. Todos sabem que eles têm grandes individualidades. Acho que o Xabi Alonso quer fazer uma ótima equipa. É um jogo em particular. Será especial. Jogar contra eles significa que estivemos bem até agora neste torneio. Será divertido, estamos muito motivados. Vai ser interessante. É um encontro específico por muitos motivos. Temos que estar preparados. É um prazer jogar contra o Real Madrid, é e sempre será, porque é o clube mais ganhador do mundo. Xabi tem tudo para enfrentar o desafio. Eu nunca ousaria dar um conselho ao treinador do Real Madrid. Mbappé? Pertence ao passado e o passado move poucas coisas”, perspetivou Luis Enrique em conferência de imprensa.

“Grande jogo. Eliminámos um adversário [Dortmund] que chegou longe na Champions e agora vamos enfrentar o atual campeão. Eles vêm numa série muito positiva e é o próximo degrau nesta nova etapa. Estamos a crescer e vamos preparar-nos para enfrentá-los. Desde os oitavos da Champions que eles estão numa fase muito boa e a jogar a grande nível. Será um grande desafio para nós. Agora é ganhar a meia-final e depois falaremos em ganhar o torneio caso cheguemos à final. Temos que continuar a evoluir como equipa e a competir. Estamos mais perto e vamos continuar assim porque o ritmo está bom. Um dos objetivos principais era jogar mais juntos, estar compacto e entender a altura em que devemos atacar e defender. Que as distâncias entre os setores sejam mais eficientes e não tão grandes. Esse era o principal objetivo e estamos a melhorar e a progredir”, assumiu Xabi Alonso depois da meia-final, já que um atraso de quatro horas no voo para Nova Jérsia levou ao adiamento da conferência de imprensa.

Assim, para esta meia-final, Willian Pacho, Lucas Hernández e Dean Huijsen foram baixas nas duas equipas, depois de terem sido expulsos nos quartos de final. No caso dos jogadores do PSG, o castigo imposto pela FIFA foi de dois jogos, ao passo que o espanhol podia jogar a final em caso de apuramento. Com Nuno Mendes, João Neves e Vitinha no onze inicial, Enrique voltou a lançar Ousmane Dembélé no onze inicial, remetendo Bradley Barcola para o banco, onde também esteve Gonçalo Ramos. Para além do internacional francês, Lucas Beraldo também foi opção para o centro da defesa. Do outro lado, Alonso optou por conceder a titularidade a Raúl Asencio, mas sofreu uma contrariedade nas horas que antecederam a partida: Trent Alexander-Arnold lesionou-se. Assim, Fede Valverde foi o escolhido para jogar no lado direito da defesa, com Mbappé a regressar à titularidade.

Como tem sido apanágio deste Mundial de Clubes, este PSG-Real Madrid começou com um atraso de 10 minutos, por conta de um atraso na chegada dos dois autocarros ao MetLife. Ao contrário do que se perspetivava, Xabi Alonso manteve a linha defensiva com quatro elementos, povoando a zona central. Por outro lado, Vinícius Júnior apareceu descaído para o lado direito. O jogo começou a todo o gás, com Thibaut Courtois a imperar na baliza merengue, ao negar três ocasiões de golo nos primeiros cinco minutos. Contudo, a sua equipa não conseguiu contrariar a forte pressão dos parisienses na primeira fase de construção e, depois de uma perda de bola de Asencio dentro da área, Dembélé recuperou, contornou o belga, foi derrubado e, de baliza aberta, Fabián Ruiz atirou para o primeiro golo (6′).

Os centrais do Real Madrid continuaram a vacilar com bola e, logo a seguir, foi a vez de Antonio Rüdiger falhar um passe e deixar Dembélé isolado que, só com Courtois pela frente, rematou com toda a calma para o 2-0 (9′). A partir daí, os rouge et bleu continuaram com a corda toda e, ainda antes da meia-hora, fizeram o 3-0: numa grande jogada de ataque, Achraf Hakimi combinou com Dembélé e atacou as costas da defesa, cruzando, já dentro da área, para Ruiz que, só com Courtois pela frente, atirou para o terceiro (24′). Com o jogo cada vez mais partido, o PSG continuou a ter espaço para aproveitar e, depois de driblar um defesa, Khvicha Kvaratskhelia atirou ao lado da baliza madrilenha (40′). Até ao intervalo, Mendes ficou perto do quarto, mas Courtois segurou o 3-0, impedindo, na última jogada, um chapéu de Dembélé, com uma defesa em cima da linha.

Sem alterações ao intervalo, a etapa complementar abriu na mesma toada, com Désiré Doué a fazer o quarto golo no primeiro minuto, mas Dembélé estava em fora de jogo no momento do passe e o lance acabou anulado (46′). Na resposta, Mbappé apareceu a finalizar à entrada da área, mas o remate saiu muito disparatado por cima (51′). A partir daí, os treinadores começaram a gerir as suas equipas, com Ramos, Barcola, Éder Militão, Luka Modric — que se despediu do Real Madrid —, Brahim Díaz, Warren Zaïre-Emery e Senny Mayulu a saírem dos bancos. O PSG continuou por cima e a controlar o jogo e, já depois de Dani Carvajal ter entrado, Gonçalo Ramos recebeu de Hakimi dentro da área, mas a sua finalização saiu ao lado (72′). Na resposta, Valverde desferiu um remate forte para um corte importante de Beraldo (74′).

Para a reta final da partida, Lee Kang-in e Lucas Vázquez saíram dos bancos, e foi pelos pés do sul-coreano que passou o quarto golo, com Lee a isolar-se e a virar o jogo para Bracola que, depois de receber dentro da área, serviu Gonçalo Ramos. O português recebeu, rodou, atirou para dentro da baliza e dedicou o golo a Diogo Jota (88′).

A pérola

  • Foi um jogo praticamente perfeito de Fabián Ruiz. Numa equipa com tanta qualidade no miolo, a experiência do internacional espanhol torna-se fundamental. Frente ao Real Madrid, Ruiz foi fundamental a “secar” o corredor central merengue, mostrando-se sempre pronto para pressionar. A culminar uma exibição de sonho, dois golos repletos de intenção, a mostrar o seu instinto de médio área-a-área, foram suficientes para eliminar o Real Madrid.

O joker

  • Ousmane Dembélé regressou à titularidade esta quarta-feira depois dos problemas físicos e já não deverá voltar a sair do onze de Luis Enrique. Se a sua entrada já tinha sido importante para bater o Bayern Munique, nos quartos de final, o que dizer da prestação frente ao Real Madrid. Foi dos pés do internacional francês que surgiram os dois primeiros golos, com Dembélé a revelar-se fundamental na pressão e nos roubos de bola a Asencio e Rüdiger. A jogada do terceiro golo também começou em si, culminando num golo de grande qualidade coletiva.

A sentença

  • Incontestavelmente, o PSG está na final do Campeonato do Mundo de Clubes e continua a ser o principal favorito à conquista do troféu. Os franceses estão agora a uma vitória diante do Chelsea de fechar com chave de ouro uma temporada de sonho. Por outro lado, o Real Madrid despediu-se esta quarta-feira de 2024/25 com uma exibição à imagem da temporada que, ainda assim, terminou com as conquistas da Supertaça Europeia e da Taça Intercontinental.

A mentira

  • Que diferença absurda entre as duas principais equipas do continente europeu. É certo que estamos a falar de uma equipa cada vez mais consolidada e de outra à procura de voltar ao fulgor de outros tempos, mas ninguém esperava uma diferença tão substancial. Há mais de 20 anos que o Real Madrid não perdia por três ou mais golos aos 30 minutos e a diferença só não foi maior ao intervalo por conta de Thibaut Courtois, a principal figura de uma defesa — e de uma equipa — irreconhecível.