O Prémio Literário Camilo Castelo Branco foi instituído este ano pela câmara de Vila Nova de Famalicão, no âmbito das comemorações do bicentenário do escritor Camilo Castelo Branco (1825-1890), com o valor pecuniário de 7.500 euros, visando “promover a criação literária em língua portuguesa”, destinando-se “a escritores lusófonos”, e terá uma regularidade bienal.

O júri desta edição foi constituído por Sérgio Guimarães de Sousa, coordenador científico da Casa-Museu de Camilo, Maria de Jesus Cabral, da Universidade de Aveiro, e por André Corrêa de Sá, da Universidade da Califórnia.

As Três Mortes de Lucas Andrade é a estreia de Henrique Raposo no romance, estando já a preparar um segundo título, segundo a sua editora. Em novembro de 2023, publicou um ensaio no Observador chamado “O mal e a violência: o paradoxo de Homero“, a propósito dos temas abordados nesta obra.

O mal e a violência: o paradoxo de Homero, ensaio de Henrique Raposo

Sobre a escolha deste romance, os jurados referem a “coragem estética” e a “densidade emocional e força ética”, cita a edilidade minhota.

“Um romance necessário e uma voz que merece ser destacada”, atesta o júri, acrescentando que este é um “romance cru, sensorial e profundamente humano”, em que “a literatura se assume como espaço de confronto e escuta”.

As Três Mortes de Lucas Andrade narra “a saga de um suicida que vive em constante conflito com os códigos masculinos da pobreza”. Fixando-se “na segunda metade do século XX, retrata as migrações do campo para a cidade, os choques entre a cidade e a periferia e o nascimento dos subúrbios dos anos 1960 e 1970”, refere o comunicado da câmara.

O autor, citado pelo município, afirmou sobre o prémio: “Uma honra que me deixa sem palavras. Camilo é o meu herói nas letras, o meu escritor português preferido, quer no estilo, quer na substância: é o escritor da violência física e sentimental no país dos alegados brandos costumes”.

“Também é engraçado notar que o prémio de um suicida acabe no colo de outro suicida, Lucas Andrade. Muito obrigada», reagiu ainda.

Henrique Raposo é cronista no semanário Expresso e na Rádio Renascença, autor de vários livros, nomeadamente Alentejo Prometido (2016), um “road movie” familiar que gerou polémica nas redes sociais devido à forma como analisou o fenómeno do suicídio na região.

Porque é que no Alentejo o suicídio é natural?

Licenciado em História e mestre em Ciência Política, foi editor da revista Atlântico e colaborou com vários jornais.