Não era o primeiro jogo, mas era a primeira vez em que os adeptos podiam assistir ao início da temporada do Sporting. No Estádio Algarve, no final de uma quente tarde de quarta-feira, os leões defrontavam o Celtic Glasgow e davam o verdadeiro pontapé de saída de uma pré-época que antecede o que há alguns anos era impensável: a corrida pelo tricampeonato nacional.
O presente, porém, ainda está recheado de dúvidas. Com apenas Alisson Santos e Kochorashvili como reforços confirmados — e confirmados desde o mercado de inverno, altura em que os negócios ficaram fechados –, existe a certeza absoluta de que a janela de transferências de verão não irá encerrar sem a chegada de mais alguém. Em sentido oposto, existe também a certeza absoluta de que a janela de transferências de verão não irá encerrar sem a partida de alguém. E esse alguém era a ausência mais presente do jogo desta quarta-feira.
A meio de julho, por muito que às vezes não pareça, Viktor Gyökeres continua a ser jogador do Sporting. O avançado sueco não se apresentou ao trabalho ainda em Alcochete, não viajou com a equipa para o estágio em Lagos e continua à espera de que a ida para o Arsenal seja resolvida — uma ida que, nesta altura, continua dependente dos objetivos atingíveis e não atingíveis que desagradam aos leões e têm complicado o acordo com os ingleses. Para alguém entrar, Gyökeres terá de sair. Resta saber quando, como, por quanto e com que consequências.
Era neste contexto que Rui Borges tinha o desafio inicial da primeira temporada que vai começar como treinador do Sporting, já que se sagrou campeão nacional depois de ter pegado na equipa em dezembro e na sequência da saída de João Pereira pós-saída de Ruben Amorim. Depois de vitórias contra a equipa B e o Torreense e empates com o Nacional e o Portimonense nos últimos dias, os leões defrontavam o tetracampeão escocês.
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Tal como antecipado pela comunicação social ao longo dos últimos dias, Rui Borges deixou mesmo a linha de três centrais na temporada passada e implementou a mudança tática, apostando numa espécie de 4x2x3x1 com João Simões e Hjulmand no meio-campo, Pedro Gonçalves, Trincão e Geny Catamo no apoio ao ataque e Rodrigo Ribeiro como referência ofensiva, sendo que Conrad Harder começava no banco. Do outro lado, de forma natural, o guarda-redes Kasper Schmeichel era a principal figura da equipa de Brendan Rodgers.
Numa primeira parte que terminou sem golos, o Celtic entrou melhor e poderia ter inaugurado o marcador logo nos instantes iniciais, com Adam Idah a permitir a defesa de Rui Silva (15′). O Sporting equilibrou e também poderia ter marcado, com Geny Catamo a forçar uma boa defesa de Schmeichel (31′), sendo que Rodrigo Ribeiro também beneficiou de uma oportunidade logo a seguir.
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No início da segunda parte, ao contrário do que seria de esperar, Rui Borges foi poupado nas substituições e só trocou Rodrigo Ribeiro e Rui Silva por Conrad Harder e Franco Israel. O Sporting quebrou e sofreu o primeiro golo logo nos minutos iniciais, com Reo Hatate a converter uma grande penalidade depois de Jeremiah St. Juste fazer falta sobre Johnny Kenny (47′). Harder ia sendo o principal inconformado e ainda acertou no poste (58′), mas o afundanço competitivo dos leões era evidente.
O segundo golo dos escoceses acabou por aparecer a cerca de 20 minutos do fim, com Kochorashvili, que entretanto tinha entrado, a perder uma bola e a permitir um contra-ataque rápido que Luke McCowan finalizou (71′) — manchando uma exibição que, na verdade, até foi positiva. No fim, muito devido a uma segunda parte que desiludiu, o Sporting perdeu com o Celtic no primeiro jogo da pré-temporada aberto aos adeptos.