Era uma não questão, tornou-se uma “questão”. Passadas as abordagens a Ousmane Diomande por parte do Crystal Palace, e havendo apenas a possibilidade de saída de Matheus Reis (que a acontecer será por vontade pessoal depois do que se passou depois da final da Taça de Portugal), a parte das saídas do plantel verde e branco está sobretudo focada na novela de Gyökeres com o Arsenal. Era assim que se encontrava, é assim que se encontra. No entanto, algumas notícias vindas de Itália tiveram o condão de abalar essa realidade.

De acordo com o Corriere dello Sport, a Juventus estará interessada em Morten Hjulmand. Até aqui, tudo certo, sendo que os italianos, a par do Manchester United e de outras equipas inglesas, são um dos conjuntos que tem seguido mais de perto a evolução do médio dinamarquês desde que chegou a Alvalade. Contudo, a publicação foi mais longe: visto como um jogador “dinâmico e carismático, com qualidade e regularidade”, Hjulmand teria dado a anuência ao conjunto de Turim para negociar o seu passe por pretender regressar à Serie A. Mais: os responsáveis da Vecchia Signora acreditam que seria possível levar o jogador por uma valor entre os 30 e os 40 milhões de euros, apesar de haver um pedido de 60 milhões para “início de conversa”.

“A estratégia é clara: aproveitar o desejo do jogador de obter um desconto”, refere também o Corriere dello Sport. Mais tarde, a CNN foi mais longe em relação ao posicionamento do capitão verde e branco, colocando em cima da mesa uma reunião que teria sido mantida entre Hjulmand, os seus representantes e Bernardo Palmeiro, diretor geral da SAD, já na presente época, onde ficara a garantia de que, perante uma oferta na ordem dos 50 milhões de euros, o dinamarquês poderia sair. Ainda nenhum clube chegou a essa fasquia, que algumas fontes contactadas pelo Observador disseram desconhecer por completo, mas tudo aponta para que seja sempre curto para o que o Sporting quer – pelo menos esta temporada.

Com as vendas de Geovany Quenda e Dário Essugo por um montante superior aos 77 milhões ao Chelsea confirmadas em março (com o extremo a fazer mais uma época por empréstimo) e com a mais do que provável saída de Viktor Gyökeres para o Arsenal num valor de 80 milhões no global entre taxa fixa, objetivos variáveis e comissões de intermediação que deixa de pagar (fica por saber quem fica com o mecanismo de solidariedade), a Sporting SAD não tem necessidade de fazer mais qualquer venda, podendo assim jogar com as cláusulas de rescisão ou perto disso para evitar saídas de mais pedras chave de Alvalade. Foi assim com Diomande, será assim com Hjulmand. E é com isso que todos os pretendentes agora contam.

Há muito que os responsáveis leoninos, de Frederico Varandas ao próprio Rui Borges, fizeram ver ao médio a importância que tem e foi ganhando em Alvalade. Perante a saída inesperada de Coates, que devido a uma questão familiar acabou por deixar Portugal um ano antes do que estaria previsto entre todas as partes (com a devida autorização da estrutura, após uma conversa aberta com Varandas, Hugo Viana e Ruben Amorim), Hjulmand assumiu a braçadeira pela capacidade de liderança que mostrou logo na época de estreia e foi merecedor de vários elogios pelo desempenho do “cargo”, da forma como se chegou à frente em nome de todo o grupo quando Amorim ou João Pereira e Rui Borges chegaram à maneira como foi uma peça vital no balneário em momentos mais críticas da temporada. Até nas comemorações o dinamarquês foi um líder.

Foi por isso que, ainda antes da novela Gyökeres, o internacional ficou a saber que seria (ainda mais) uma peça imprescindível no grupo verde e branco, havendo margem para no verão de 2026, um pouco como o que aconteceu com o avançado sueco, ter margem para sair de Alvalade sem que fossem obrigatoriamente pagos os 80 milhões de euros da cláusula. O próprio dinamarquês, que casou durante as férias, sente-se adaptado à realidade nacional, gosta do clube, recebe muito apoio da família (que chegou mesmo a acompanhar todos os adeptos leoninos no cortejo até ao Estádio da Luz, por exemplo) e tem consciência do peso que foi ganhando em Alvalade, razão pela qual não irá “forçar” qualquer tipo de saída até ao fecho do mercado.

O que pode alterar esse cenário? Uma proposta que consiga ascender aos 80 milhões ou perto disso, mesmo que não pagos a pronto e envolvendo objetivos que sejam facilmente alcançáveis, o que passaria depois a bola à escolha do próprio jogador. Hjulmand é seguido há algum tempo por clubes ingleses e italianos (antes do Sporting passou pelo Lecce), com Manchester United e Juventus à cabeça, mas não existe a perspetiva em termos internos que algum dos pretendentes consiga atingir esses valores. Ainda chegou a ser ventilada em Inglaterra a possibilidade de os red devils apresentarem uma oferta de 40 milhões de euros pelo internacional mas as intenções não passaram aos atos (pelo menos até ao momento), num cenário que tinha também acontecido na última janela do mercado de transferências, em janeiro.

“O Sporting é um clube com uma história de enviar jogadores para as grandes equipas da Europa e, para mais, jogam com uma equipa jovem. Sonhamos sempre em conseguir algo maior. Por isso, podemos dizer que o Sporting é um passo na direção disso mesmo, mas neste momento só tenho de jogar aqui”, referiu o médio em entrevista ao Tipsbladet em setembro de 2023, quando estava há pouco tempo nos leões. “Viktor Gyökeres? É um jogador de classe mundial. Penso que está pronto há muito tempo mas ficou aqui e ajudou-nos a vencer a Liga de novo. Percebo que ele tenha ambições para ir talvez para um dos melhores clubes do mundo mas o Viktor tem de perceber também que tipo de clube é o Sporting. Eu? Estou muito feliz por estar no Sporting, por representar este clube. E a felicidade é importante para a minha vida pessoal. Aqui tenho-a, por isso vai ser muito difícil sair do Sporting”, salientou numa entrevista à RTP em maio.