Numa altura em que as eleições do Benfica começam a fazer muita tinta na ordem do dia, Luís Filipe Vieira decidiu juntar-se sem se juntar à corrida – pelo menos de forma oficial. Depois de alguns meses afastado do futebol e do clube que presidiu entre 2003 e 2021, o antigo dirigente apareceu publicamente, em duas ocasiões, a falar sobre o estado atual do emblema português e do futebol nacional, deixando muitas críticas a Rui Costa, à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e à Liga Portugal.

“Uma pessoa fraca emocionalmente não pode ser presidente”: Vieira visa Rui Costa e diz que só espera uma resposta para avançar

Na última entrevista, que aconteceu esta sexta-feira no Now, Vieira insurgiu-se contra Pedro Proença, presidente da FPF, apelidando-o de “cobarde”. “O Benfica perdeu influência na Federação, na Liga… Olhe, o presidente do meu clube disse ‘Não votei Pedro Proença, votei no projeto’. O presidente do Conselho de Justiça foi indicado pelo Sporting, o presidente do Conselho de Disciplinar é mulher deste. O vice-presidente do Conselho de Disciplina, advogado do Sporting. Rui Caeiro, vice para a arbitragem, foi vice de Bruno de Carvalho. José Carlos oliveira, ex-diretor jurídico no Sporting, é o diretor jurídico na Federação, com acesso a todos os contratos dos clubes. É tudo Sporting, é tudo verde. Foi o Sporting que indicou tudo. Foi o presidente do Benfica que permitiu esta situação. Logicamente, em cinco ou seis pelouros, o Benfica tem de estar, o FC Porto também. Pela primeira vez na história que houve uma cavalgada deste género…” frisou, cerrando depois o ataque a Pedro Proença.

Mais à frente, Luís Filipe Vieira assumiu “conhecer perfeitamente” o atual presidente da FPF, frisando que este “anda não veio a público dizer nada” sobre o que aconteceu na final da Taça de Portugal, em maio. “Manda alguns recados. É a história dele, a manipular as pessoas. Ele queria muitos Rui Costas no futebol, por isso é que está com problemas por eu me candidatar. O Pedro Proença não me quer lá. Ele nunca brincou com os clubes, brincou com alguns… Toda a gente sabe quem é o Pedro Proença. Sei como chegou até aqui. Se têm medo? As pessoas acham que ele penaliza nos jogos. Comigo nunca conseguiu brincar. Ele não pode meter-se comigo, é pior para ele. O que aquele senhor fez é demasiado grave. Não fez nada na Liga e deixou a Liga com uma dívida brutal. Não pode brincar mais. Chegou a aliciar-me para determinado candidato não se candidatar. Tinha 15 mil euros de ordenado, carro e quando fosse para a UEFA ele é que ficava como presidente. As palavrinhas mansas não existem”, completou.

Já este sábado, cerca de 24 horas depois da entrevista, a FPF reagiu num curto comunicado partilhado no seu site oficial. “A Federação Portuguesa de Futebol, e o seu presidente, mesmo considerando e entendendo atuais contextos eleitorais, não admite que os seus nomes e a sua credibilidade sejam, sob qualquer pretexto, colocados em causa”, começou por escrever o organismo que tutela o futebol português, remetendo para “todos os meios legais” a defesa do “seu bom-nome”. “Em conformidade com o exposto, a Federação Portuguesa de Futebol e o seu presidente reservam-se ao direito de utilizar todos os meios legais disponíveis para defender o seu bom-nome, credibilidade e honorabilidade sempre que os mesmos sejam colocados em causa”, conclui a nota.