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E o Campeão é na Rádio Observador. Damos notas de 0 a 20 aos protagonistas da atualidade desportiva num fim de semana sem campeonato nacional, mas com as polémicas na Federação Portuguesa de Futebol ainda bem acesas. Passamos nesta edição pelas mais recentes declarações de Pedro Proença sobre Cristiano Ronaldo e as críticas de Rui Jorge, antigo selecionador do sub-21, ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Eu sou o Miguel Gato, hoje estou na companhia do Pedro Henriques, João Pinto, Augusto Inácio e também Luís Pinto Coelho. Bem-vindos, bom dia a todos. Começamos então por estas declarações de ontem à tarde de Pedro Proença, que admitiu, curiosamente na terra natal de Cristiano Ronaldo, na Madeira, que o capitão é uma das peças fundamentais da seleção. E começo, Augusto Inácio, por ti. Pedro Proença diz que já foi tudo dito por todas as partes, mas isso não quer dizer que esta situação esteja resolvida. Como é que viste estas declarações de Pedro Proença?

Bom dia a todos. Ora, deixa-me dizer que isto já é a segunda vez que o Pedro Proença fala nesse sentido em relação ao Cristiano Ronaldo. Nota-se que há uma grande vontade dele que o Cristiano Ronaldo volte à seleção nacional. Jorge Jesus já disse que dependia do Cristiano Ronaldo voltar à seleção, mas depende agora do Cristiano Ronaldo. Só que eu acho, para haver essas condições para o regresso do Cristiano Ronaldo, há que realmente sentarem-se à mesa, como se costuma dizer, e falarem olhos nos olhos, abertamente, aquilo que têm a dizer uns aos outros. Porque não me parece a mim só porque o desejo do presidente ou o desejo do selecionador ter o Cristiano Ronaldo, só por si, faz com que o Cristiano Ronaldo volte à seleção. Há coisas profundas, há coisas que realmente foram graves, diria eu, mas isto às vezes as pessoas quando se sentam, falam olhos nos olhos uns com os outros e as coisas resolvem-se. Só que aqui há um handicap muito grande, é que o Cristiano Ronaldo parece que já não acredita naquilo que lhe dizem, nem o selecionador, nem o presidente da federação. E nesse sentido, vamos ver se o Cristiano Ronaldo vai voltar à seleção nacional ou não. Eu acho que da maneira como estão as coisas, ele não vai voltar, a não ser que haja a tal conversa, como eu costumo dizer, de frente, claramente, para que as coisas possam ter algum desanuviar da tensão que existe agora neste momento. Mas o presidente da federação, já é a segunda vez que diz que o Cristiano Ronaldo é uma peça muito importante, mas falta saber realmente ultrapassar tudo aquilo que foi falado, foi dito e cada um com as suas razões, mas que ainda não está colocado um ponto final nesse sentido desta destruição que tem havido entre todos.

Luís Pinto Coelho, Pedro Proença quer aqui passar uma mensagem de união e como disse o Augusto Inácio, ele também já falou várias vezes nessa reunião a três que tem de acontecer entre todas as partes para que a situação se resolva, para o bem ou para o mal, neste caso, para o regresso ou não regresso de Cristiano Ronaldo à equipa. Este é o discurso possível nesta altura? Não poderia haver outra atitude do presidente da Federação Portuguesa de Futebol nesta altura?

Olá, bom dia. O João Pinto uma vez escreveu aqui no nosso grupo que até lhe sangravam os olhos já de falar deste assunto e eu estou na mesma linha, porque isto chega a um ponto que-

Se houvesse campeonato, estávamos a falar dele, não é, Luís?

Sim, claro. Obviamente que temos que falar, que é notícia. Mas eu acho que o Pedro Proença continua um bocadinho agachado de joelhos. Aqui a questão é quantas vezes será preciso pedir ao Ronaldo para voltar, para ele voltar. Ele entretanto mandou uma das irmãs falar, que é para dizer: "Ainda não está muito convencido a voltar". Ainda há mais aqui mais duas ou três intervenções do Pedro Proença, se for preciso o Jorge Jesus também ainda fala outra vez do assunto. E entretanto ele vai dando beijos aos símbolos da Arábia Saudita e nós estamos muito preocupados se o menino vai voltar ou não vai voltar. E eu sinceramente até gostava que ele não voltasse porque não vai acrescentar nada e só vai criar mau ambiente, mas Pedro Proença a ser Pedro Proença.

É um capítulo que para o presidente da Federação Portuguesa de Futebol e para a marca Portugal e Federação Portuguesa de Futebol, é um capítulo que custa a fechar nesta altura, Luís, é isso?

Obviamente que o cenário ideal não era este. Agora, ele vai trabalhar com o treinador que chamou mentiroso e que faltou à verdade. Eu não consigo perceber. O Pedro Proença aqui tem que tomar uma atitude ou está do lado do treinador, ou está do lado do jogador. Aquilo vai ser sempre uma paz podre, como é evidente. E olhando para o passado do Ronaldo, se calhar quem está mal não são os selecionadores, se calhar é o Ronaldo, porque se pagou com quase todos. Por isso o problema está no Ronaldo. E vamos continuar a alimentar isto, pela dimensão que ele atingiu, mas eu acho que a federação tem que seguir em frente e não vai estar agarrada sempre a algo que não vai trazer nada de bom. O que eu gostava, por exemplo, que ele respondesse, era uma coisa muito simples e os jornalistas também lhe podiam perguntar se há alguma cláusula no contrato, por exemplo, com a Puma, que a partir do momento que o Ronaldo abdique da seleção ou não venha à seleção, se o contrato baixa, por exemplo Isso era uma coisa interessante de saber. São 7,5 milhões por ano, mas o contrato está assinado até 2030. Há alguma cláusula que se perca valor pra ele não vir?

E outros tantos patrocínios, não é?

Isso é que era interessante saber, porque eu sei que os contratos estão assinados até 2030, tirando um dos patrocinadores que termina no final deste ano. Isso é que é importante saber pra se perceber todo o contexto. Pode ter essa cláusula, pode não ter, mas isso era importante de se saber. Era mais importante do que andar sempre com isto quase de joelhos a pedir pro Ronaldo voltar.

João Pinto, Pedro Proença disse ontem que a vontade de Cristiano Ronaldo de regressar à seleção foi demonstrada pela sua própria intenção na carta que escreveu, ou seja, naquele comunicado que escreveu a explicar a sua verdade. Eu acho que já sei a tua resposta a esta pergunta, mas vou fazê-la na mesma.

Força.

Há condições pro regresso de Ronaldo com isto tudo? E Pedro Proença tem razão, o Ronaldo demonstrou na carta que escreveu que quer voltar?

O assunto Ronaldo fala-se em todos os cafés, horas de almoço, as situações em que estamos. E aquilo que eu vou falando com as pessoas que ouvem aqui o "Campeão" e que falam comigo sobre futebol, tende a ser muito aquela que o Pedro Henriques diz, que é: "Isto não pode acabar assim, isto é uma história que não pode acabar assim". E eu percebo isso. A história realmente não devia acabar assim. É um capítulo demasiado bonito pra se encerrar desta maneira. Mas as evidências estão aí. Alguém vai ter que se dobrar muito e muitas vezes, vai ter que se contorcer, fazer ali um exercício de chapitô muito agressivo pra que isto aconteça. Ainda assim, realmente, faça-se lá um jogo à noite, que a malta nem veja muito a cara uns dos outros. Não sei qual é o cenário ideal.

Não há, se calhar não há cenário ideal.

É isso. Já começa a ser muito difícil, é aquilo que o Luís tava a dizer, começa a ser muito difícil traçar aqui os contornos de uma festa a que ninguém quer ir, nem o convidado, nem os pais, nem os padrinhos, nem as madrinhas, nem nada. Mas seja como for, agora que já passaram umas semanitas, estamos a voltar a isto, realmente não há campeonato. Tendo a concordar com o Pedro Henriques, acho que o povo merecia mais, mas a corte não quer e o rei não gosta, portanto, é difícil.

Pedro Henriques.

Bom dia.

Bom dia, Pedro.

Adoro este assunto.

O povo merecia mais, prevês que esta novela termine em breve?

Vamos lá pôr aqui três factos, por isso é que eu estou um bocadinho discordante. Já tive num programa de televisão também a malta a dizer: "Ele já não regressa" e irmã. Três factos reais, coisas que aconteceram. Jorge Jesus esclareceu que Cristiano continua a ser convocável se assim o desejar e estiver em boas condições. O selecionador o quer na seleção. CR7 esclareceu no ponto final que diz, passo a citar: "Portanto, se estiver bem fisicamente a jogar no meu clube com gols, espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa seleção". Dois. Ele até diz: "Esta é, acreditem, a mais pura das verdades". Bruno Fernandes representa, como capitão, até fez capa de jornais, disse: "Três pontos. Conversa pessoal", revelou que teve uma conversa direta com o Cristiano Ronaldo, isto para transmitir a posição dos colegas. Apelou à união, pediu que o país não se dividisse em polêmicas, etc. Seleção única. E falou do respeito pelo legado. Sublinhou que o Cristiano Ronaldo tem um lugar reservado entre os melhores da história e merece respeito de todos os portugueses pelo que fez dentro do campo. Portanto, há alguma dúvida que o Cristiano Ronaldo, com irmãs ou sem irmãs, vai voltar à seleção? Eu não tenho dúvidas em relação a isso. O modo ou como é que vai? Eu diria que, se calhar, não sei se vem agora em novembro, até porque ainda não se sabe nada de castigos. Não sei se o tempo poderá ser bom conselheiro pra dar aqui três ou quatro meses. A Liga das Nações sendo uma competição importante, a malta nem liga assim tanto quanto isso. O Cristiano Ronaldo vai acabar este ano, quando digo ano, ano desportivo 26/27 e, portanto, estaremos à espera de eventualmente mais dois, ou três, ou quatro jogos. Os quartos de final são dois jogos em março e depois a final four serão dois jogos, meia-final e final, se tudo corre nos limites, bem. Estamos a falar de três ou quatro jogos que serão os possíveis últimos oficiais que o Cristiano Ronaldo podia fazer. A minha única dúvida aqui é se até ao quadro de novembro, que é quando nós agora temos estes dois jogos, que pontualmente já não contam pra muito, é se porventura o selecionador o vai selecionar e se o Cristiano Ronaldo depois aparece ou não aparece. E aí sim, podemos ter um desfecho mais estranho em relação à situação. Não acredito é que a Federação Portuguesa de Futebol cometa, já cometeu vários, muitos erros em relação a este processo, pela ausência e pela falta de proatividade. Espero é que o Cristiano Ronaldo não seja selecionado sem haver aqui uma conversa pra dizer que ele vai ser selecionado pra depois ele bater com a porta ou vice-versa. Espero é que nesta convocatória as coisas fiquem bem esclarecidas daquilo que vai ser o futuro. Agora, estou muito convencido, ao contrário da maior parte das pessoas, e se calhar eu é que estou errado, que este não foi o fim e que o Cristiano Ronaldo vai voltar à seleção e não pra fazer o tal jogo à noite, pra um jogo oficial, mesmo. Essa é a minha convicção. Eu poderei estar errado e depois estarei cá também pra assumir exatamente o meu erro.

E além das declarações que falaste de Bruno Fernandes, também o Vitinha esta semana, depois do PSG em Barcelona, disse que Cristiano Ronaldo volte e que tudo se resolva. Admitiu uma paragem de seleções um pouco conturbada na Liga das Nações, mas também a deixar essa mensagem de que Cristiano Ronaldo deveria voltar. As polêmicas com a Federação Portuguesa de Futebol parecem não terminar. Hoje temos uma entrevista do antigo selecionador sub-21, Rui Jorge, a tecer críticas a Pedro Proença. Considera que a atitude do presidente da FPF não foi de uma pessoa de bem na saída de Rui Jorge, que esteve muitos anos ao comando técnico da seleção sub-21. Fala de uma pessoa de baixo valor humano, de baixo valor profissional e admite que a saída da seleção lhe deixou alguma mágoa. João Pinto, isto não ajuda a imagem do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, numa altura em que já está também fragilizado com a polêmica CR7?

Sim, isto é mérito de quem celebra de ir entrevistar o Rui Jorge nesta altura. Mas é realmente bater quando o homem já está no chão. É arranjar toda a gente com quem ele teve um problema no passado para vir agora dar mais um pontapé. Eu acho que o Rui Jorge esteve muito tempo na seleção. Terminou o contrato, não foi como se lhe tivessem rescindido o contrato. Depois há sempre algumas mágoas, não há boas maneiras de dar más notícias e portanto percebo que se calhar não houve aqui uma saída que tivesse a pompa e a circunstância de honrar alguém que esteve tanto tempo no cargo. E sim, percebo o Rui Jorge e percebo que o respeito é uma coisa muito bonita. Agora é a altura de bater no Pedro Proença, é a modalidade deste fim de semana.

Augusto Inácio, como é que viste estas declarações de Rui Jorge? De facto, merecia outro tratamento por parte da federação? Diz que nem um comunicado de agradecimento recebeu.

Eu conheço o Rui Jorge desde a idade de júnior, foi quando eu fui treinador de juniores do Porto que eu trouxe o Rui Jorge para a equipa de juniores e teve um trajeto depois comigo no Rio Ave, no Futebol Clube do Porto. Eu diria que o Rui Jorge é uma pessoa que não gosta muito de grandes entrevistas, gosta muito de passar despercebido, é uma pessoa muito humilde e que tem uma grande capacidade de liderança, mas não gosta de mostrar essa liderança. Enfim, ele não quer os holofotes para ele, ele quer sempre os holofotes para os outros quando têm mérito e quando não têm mérito, então aí ele assume. Agora, nestas coisas das relações das pessoas, ainda por cima, o Rui Jorge foi contratado pelo doutor Fernando Gomes e esteve muitos anos na seleção, 15 anos, salvo erro, no sub-21.

Sim, 15.

E depois há sempre uma altura que há uma saída. E nas saídas, às vezes, eu não estou a dizer se foi bonito, se não foi bonito, o Rui Jorge queixa-se que realmente merecia, se calhar, outro tipo de tratamento e nestas coisas dói sempre qualquer coisa. Agora diria que quando se está 15 anos num cargo, neste caso na Federação Portuguesa de Futebol, eu penso que há sempre aquela coisa que não é de agradecimento, é de reconhecimento pelo trabalho que foi feito e depois cada um segue a sua vida e as coisas são assim mesmo. Se não houve isso, ele sentiu-se um bocado ofendido nesse sentido, mas a vida do treinador também é isto mesmo. Claro, depois fica a relação entre pessoas, a amizade entre pessoas. E nestas coisas o Rui Jorge não gostou, mas só estamos a ouvir o lado do Rui Jorge, não estamos a ouvir o lado do Pedro Proença, o que é que ele disse, não disse, como é que foi o procedimento, como é que não foi. Não sabemos isso. Eu gosto de ouvir sempre as duas partes para tentar depois formatar uma opinião. Mas o Rui Jorge sente-se um bocado ofendido com isso tudo, mas ele agora está na seleção dos sub-20, desejo toda a sorte do mundo, como é evidente. E agora a seleção dos sub-21 está bem, está sob o comando do Luís Ferreira, as coisas estão a correr bem e a relação das pessoas não devia terminar assim, mas a vida é assim mesmo.

Pedro Henriques, como é que viste estas palavras de Rui Jorge em relação a Pedro Proença?

Dois aspetos rápidos. Primeiro, o que se espera de um selecionador que esteja no sub-21 na seleção? Que projete os jogadores para a seleção A, check. Que ponha jogadores nas equipas da primeira liga portuguesa e porventura até equipas estrangeiras, mas ao mais alto nível, check. Que vá às finais dos Europeus e Mundiais com assiduidade, check. Ter a capacidade de colocar a tal cultura desportiva de vitórias, ou seja, ganhar mais do que perder, porque isso é importante para os jogadores, check. E depois, outra coisa que é ganhar títulos, não check. E é aqui que se calhar está uma filosofia nova da seleção. Não sei se é o mais correto, não sei se ganhar títulos é a coisa mais importante, mas não check para o Rui Jorge, 14 anos e meio que lá esteve. E se calhar, a ideia era fazer algumas alterações, se calhar também para ir buscar esse check que falta aqui na lista.

Mas aqui a questão não é tanto a saída, é a forma.

Segundo ponto. Sim, exatamente. Segundo ponto. Eu estive 27 anos na tropa. Saí de lá com um diploma, quando vim embora passei à reserva, também ninguém me veio dar beijinhos nem abraços e fiz muita coisa pela tropa. Estive 20 anos como árbitro. Ganhei vários títulos, sobretudo na comunicação social. A Liga, que é na altura em que estávamos na Liga, nem um troféuzinho a dizer: "Ainda bem que vais embora". E estive 17 anos de casamento. E a minha ex-mulher também não me disse nada do tipo: "Olha, foi fixe". Nada, foi um papel de divórcio.

Disse.

Mas eu não sabia, então dá corda aos sapatos, o caminho continua. A ideia é esta, dá corda aos sapatos, o caminho continua e o melhor quilómetro é sempre o próximo. Agora, vir com este tipo de entrevistas sobre o caráter da pessoa, mas querem saber como é o Pedro Proença, o seu ponto de vista da sua frieza e da sua postura no relacionamento humano. Ele é um tecnocrata, é bom e muito bom naquilo que faz, minha opinião, sob o ponto de vista técnico, e mete a malta a mexer e a chegar a horas e a sair mais tarde, ok. Mas sob o ponto de vista humano, não é propriamente a pessoa mais exemplar, é a postura dele. Agora acho que esta entrevista nesse sentido é despropósito, porque é assim, as pessoas parece que estão sempre à espera que haja depois um reconhecimento. A vida continua, fizemos consciência tranquila, deitamos a cabeça na almofada à noite, sabemos que estamos a fazer bem. Agora o quê? É preciso louvores? Eu por acaso tenho ali uma parede cheia de louvores da tropa, mas é pouco significante. O que significa é a interação com as pessoas, fiz com que as pessoas fossem melhores e, sobretudo, o trabalho. E o Rui Jorge, nesse aspeto, foram 15 anos a potenciar os jogadores que hoje também lhe devem a ele o facto de serem quem são. Isso é que é importante e esse é que é o melhor diploma que nós podemos ter. É quando a pessoa manda uma mensagem no Natal a dizer e a perguntar se está tudo bem, é sinal que fizemos as coisas bem feitas. Agora diplomas, palavras e medalhas ao peito, esqueçam lá isso.

Luís Pinto Coelho, foi isto que faltou também a Rui Jorge, este reconhecimento, ou concordas com o Pedro Henriques que a vida segue e não há nada a fazer?

Sim, eu não sei se houve alguma conversa, se houve uma palavra, o que é que houve ou se não houve absolutamente nada e terminou o contrato e seguiu a sua vida. Eu não conheço o Rui Jorge, não conheço o Pedro Proença pessoalmente, conheço pessoas que os conhecem. E se calhar as pessoas que andam no futebol têm um apreço pelo Rui Jorge e não têm grande apreço por Pedro Proença. Isso é um sinal. Eu sou sempre crítico de alguém que sai de um local e vem falar sobre o passado. Eu não concordo muito com isso, embora até possa ter razão, alguma razão de queixa. Percebo que também era o momento de mudar e acho que já eram muitos anos, era preciso mudar o ciclo. Segue a sua vida, embora ele também não tenha sido demasiado agressivo ou tenha vindo aqui fazer um grande ataque ou dizer coisas muito bombásticas, mas acho que preferia ou gostava que o Rui Jorge não tivesse comentado, seguiu a sua vida. Não tem que comentar sobre o passado, o seu trabalho foi excelente no sub-21 de Portugal e é isso que as pessoas do futebol guardam.

Vamos então às notas desta edição de "O Campeão É" de sábado. João Pinto, começo por ti.

Em relação às minhas notas de campeão, nota 20 para o Raúl Giménez, um profissional que sempre deu tudo em todos os clubes por onde passou e que agora voltou a ter uma lesão grave. Desejo-lhe melhor, obviamente. Benfiquista uma vez, benfiquista para sempre. Pedro Proença, mas também Rui Jorge. Uma nota 7, estas coisas de andar aqui a lavar roupa suja não acrescentam muito. E nota 10 para a derrota de Portugal com a França no Hóquei em Patins.

Augusto?

Eu dou nota sete para Portugal, porque depois de estar a ganhar por 3x1, deixou-se empatar 3x3 e depois no prolongamento perdeu com a França 6x3 nas meias-finais do Campeonato do Mundo. Enfim, esperava-se mais da seleção portuguesa, mas não foi isso que aconteceu, por isso nota negativa. E diria também nota, para já 18, para o Leonardo Jardim e o Abel Ferreira. E por quê? Porque o Flamengo, nas meias-finais, foi empatar aos estudantes na Argentina 0x0 e o Palmeiras foi ganhar no Maracanã ao Fluminense 2x1 e estamos com pé grande dentro de uma final em que podem estar dois treinadores portugueses. Além disso, no Brasileirão, também estão separados por um ponto pelo primeiro lugar. Por isso estão em grande o Leonardo Jardim e o Abel Ferreira, por isso, para já, nota 18, depois vou dar nota 20 a quem ganhar.

Luís Pinto Coelho.

Eu também vou continuar aqui com os treinadores portugueses, que eu sigo muito os treinadores que andam pela Europa e pelo mundo. Vou dar um 16 ao César Peixoto, que ontem ganhou um jogo muito importante. Ele tinha tido ali um ou dois jogos menos positivos e ontem conseguiu ganhar fora de casa. E está a fazer um bom trabalho no Aberto. E depois um 20 para o Nuno Campos, que está em primeiro lugar no Campeonato da Roménia. Chegou este ano ao Dínamo de Bucareste. É líder isolado, melhor ataque, melhor defesa, um trabalho incrível do Nuno Campos e é um treinador que eu gostava de ver no Campeonato Português, porque tem muita qualidade.

Pedro Henriques, muito rapidamente.

Nota 7 para a Seleção Nacional de Hóquei Patins. Previa-se isto, a qualidade que estava a ser colocada em jogo, não só ontem, mas nos outros jogos, não era assim tanta. E já agora, nas transmissões que dão, ponham alguém que perceba de leis de jogo, de arbitragem, neste caso de hóquei em patins, que é para não se ouvir tantos disparates como ouvi ontem, sobretudo antiárbitro.

Fica por aqui mais uma edição de "E o Campeão É". Estamos de regresso já amanhã.